Profissional de Educação Física, Manuella Lessa lidera nova geração de treinadoras do Vasco
Jovem de 23 anos comanda o futsal feminino do Vasco e inspira o futuro da modalidade
No Dia do Profissional de Educação Física, a história de Manuella Lessa exemplifica o impacto dessa profissão na formação das novas gerações de atletas. Aos 23 anos, a treinadora das categorias de base do futsal feminino do Vasco vive diariamente a realização de um sonho que começou a ser desenhado ainda na infância.
O trabalho de Manuella chamou a atenção, culminando no convite feito por José Ramalhete, supervisor da base de futsal feminino do Vasco, para se juntar ao clube.
— Trabalhar com meninas sempre foi um sonho porque eu já estive no lugar delas, já fui atleta de futsal. Quando olho para elas, vejo a Manuella de 11 anos, que também queria ser jogadora. Tento ser a pessoa que diz: "Vamos, que eu estou com você, segura a minha mão e a gente vai passar por isso juntas" — disse a treinadora.
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A barreira do machismo e o julgamento pela idade
Conquistar espaço em um ambiente historicamente masculino exige casca dura. Apesar da pouca idade, Manuella revela que já enfrentou episódios desconfortáveis pelo simples fato de ser mulher e jovem. A resposta para o preconceito, no entanto, vem por meio da qualidade do trabalho dia após dia.
— Infelizmente, já passei por situações bem desconfortáveis por conta da minha idade e por ser mulher. Muitas pessoas duvidam da capacidade. Hoje me blindo mais. Eu estudo, me dedico e sei da minha capacidade. O que me motiva de verdade é ver as meninas executando nos treinos o que tento transmitir. Historicamente o esporte é muito masculino, mas as mulheres estão comprovando uma presença positiva e conquistando o próprio espaço.
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Relação com jovens atletas do Vasco
A pouca diferença de idade entre a comandante e as comandadas acabou se tornando uma aliada nas categorias sub-11, sub-15 e sub-17. Manuella aposta em um canal aberto de comunicação e no acolhimento extracampo.
— Se uma atleta se machuca, minha preocupação principal não é se ela vai estar pronta para o próximo jogo, é se ela está bem. A lesão física afeta muito o emocional. Eu preciso que elas confiem em mim além da quadra, que tenham liberdade para falar se não estão bem. Elas sabem o momento em que sou amiga e o momento em que sou a treinadora. Sei que minha responsabilidade social aumentou porque sou ouvida por crianças. Não falo nada na base do achismo, tudo tem embasamento científico.

Referências na quadra e sonho de Seleção
Como fonte de inspiração para a carreira técnica, Manuella cita nomes consolidados no futsal nacional, como Ricardinho (Magnus), Márcio Coelho (Stein Cascavel) e Cris Souza (Taboão Magnus). Entre as atletas, a grande referência é a goleira Bia Castagnotto.
Focada no projeto do Cruz-maltino, no qual quer construir uma trajetória longa e sólida, ela não esconde o grande desejo profissional de qualquer apaixonado pelo esporte:
— Sou uma pessoa que gosta de viver o presente, mas me vejo com a camisa do Vasco ainda por um bom tempo. É o clube que me abriu as portas e quer ver a modalidade crescer. E, quem sabe, se surgir a oportunidade no futuro, vestir a camisa da Seleção Brasileira seria um orgulho tremendo.
Copa do Mundo de 2027: a virada de chave no investimento da base
Com o Brasil confirmado como sede da Copa do Mundo Feminina de Futebol de Campo em 2027, Manuella enxerga o evento como um divisor de águas para a modalidade no país. Para ela, a grande lacuna entre o esporte praticado no Brasil e em outras potências mundiais está na formação de atletas desde a infância.
— Estruturalmente o Brasil está preparado, mas mentalmente ainda não. A maior diferença do esporte feminino para o masculino é o investimento na base. Fora do país, as meninas jogam bola desde muito cedo. Aqui, começam mais tarde. Acredito que a Copa do Mundo no Brasil vai ser a virada de chave para que as pessoas percebam a urgência de investir na base do futebol e do futsal feminino.
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