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'Visitar o Brasil é motivação para a Rio-2016', diz astro da natação no Pan

Como todo atleta da elite do esporte, o nadador americano Cullen Jones tem como meta a classificação para a Olimpíada Rio-2016. Sua motivação para isso, no entanto, é um pouco diferente. Além de buscar medalhas, ele quer também conhecer o Brasil.

Em entrevista ao LANCE! nesta quarta-feira antes das eliminatórias da natação no Pan de Toronto, o medalhista olímpico foi enfático. Bem-humorado e com uma barriga mais saliente do que o normal para um velocista de alto nível, ele deixou claro seu desejo de viver o clima festivo tupiniquim. Vontade que aumentou durante a Copa do Mundo de 2014, que ele viu pela TV.

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Até o momento, o fato que mais o aproximou do Brasil foi ter deixado Cesar Cielo para trás na final dos 50m livre na Olimpíada de Londres. Jones foi prata, e o então campeão da prova levou o bronze.

Cullen Jones salta para o início do revezamento 4x100m livre nos Jogos Pan-Americanos de Toronto (Foto: Eduardo Viana)

Um dos poucos atletas negros de expressão na natação mundial, Jones, de 31 anos, também fez elogios ao revezamento 4x100m livre brasileiro e colocou o time como candidato a uma medalha na Rio-2016. Confira a entrevista:

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LANCE!: Qual expectativa um atleta medalhista olímpico como você pode ter para disputar uma edição dos Jogos Pan-Americanos?
Cullen Jones: O Pan de Toronto é a minha principal competição para este ano. Estou fazendo diversos treinos específicos neste ano, como nunca havia feito antes. Minha primeira prova (100m livre, em que não passou para a final) não foi do jeito que eu esperava. A prova da noite (final do revezamento 4x100m livre) foi um pouco melhor para mim. Agora é tentar melhorar e nadar mais rápido para os 50m livre e para o revezamento da última noite, talvez (4x100m medley). Foi um início frustrante, mas meus olhos estão voltados para o próximo ano.

L!: O que aconteceu em sua eliminatória nos 100m livre?
CJ: Eu estava muito lento na manhã da prova. Era a primeira caída na água pela manhã, e não estava me sentindo preparado da melhor maneira. Agora é colocar a cabeça no lugar, até porque fiquei contente com meu desempenho no revezamento.

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L!: Há muita expectativa em cima do revezamento 4x100m livre brasileiro para as próximas grandes competições. Vocês americanos estão de olho neles?
CJ: Definitivamente. O Brasil tem agora quatro grandes atletas nos 100m livre. Será uma batalha. Prevejo uma disputa entre Austrália, Brasil, Estados Unidos e França nesta prova em 2016. Será divertido, eu gosto muito dessa prova. Estive nessa prova nas duas últimas Olimpíadas, e espero conseguir um lugar no time novamente para o Rio de Janeiro.

L!: Você não se classificou para o Mundial. Ficou frustrado com isso?
CJ: Eu tirei férias o ano passado. Tentei fazer coisas novas e melhorar meu treino em alguns aspectos diferentes. Agora eu devo voltar a apresentar uma maior consistência. Com certeza estarei bem melhor no próximo ano. 

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L!: Neste momento, como você classificaria sua forma física? Em porcentagem, como mediria isso?
CJ: Eu diria que estou em 85% da minha melhor forma. Estou bem próximo ao peso do que eu estava em Londres (na Olimpíada). Ainda estou um pouco lento pois estou percorrendo mais jardas nos treinamentos, e meu corpo ainda está se acostumando com isso. Mas estou me sentindo muito bem. Ter 31 anos de idade não está me incomodando (risos).

Cullen Jones aguarda para a largada do revezamento 4x100m livre em Toronto (Foto: Eduardo Viana)

L!: Neste período de férias, o que você fez? Treinou, curtiu a vida?
CJ: Eu aproveitei a vida um pouco sim. Eu curti bastante, mas ao mesmo tempo fiz coisas diferentes. Estou treinando boxe, tenho um novo treinador para isso agora, com quem eu gosto muito de trabalhar. O boxe foi algo que me trouxe de volta ao esporte, e me deixou mais focado.

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L!: A Olimpíada do ano que vem está nos seus planos então?
CJ: Sim, com certeza. Ir para o Brasil é um grandes motivos que tenho para tentar se classificar para a Olimpíada. Depois da Olimpíada de Londres, meu treinador e eu conversamos, e lembramos que os Jogos Olímpicos seguintes seriam no Brasil. E falamos "acho que deveríamos ir para lá" (risos). Estou muito empolgado com essa possibilidade. Nunca estive no Brasil. Vários colegas de equipes estão dizendo o mesmo, que querem ir para a Olimpíada do Brasil por ser um lugar bacana para visitar.

L!: Será uma Olimpíada mais calorosa do que Londres, provavelmente?
CJ: Muito melhor (risos). Londres é nublada, chuvosa. Londres fez uma grande Olimpíada, mas acho que no Brasil teremos mais diversão. Ainda mais depois de ver a Copa do Mundo pela televisão, acho que será divertido. Nos Estados Unidos, fazíamos festas com os amigos para ver os jogos da Copa pela televisão.

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L!: Em Londres-2012, você derrotou Cesar Cielo na Olimpíada...
CJ: (Risos) Eu considero o Cesar um amigo. Nós estamos na disputa toda hora. É uma rivalidade divertida. Quero competir no Brasil, e sei que ele vai dificultar as coisas para mim.

L!: Essa rivalidade amistosa vem das diversas competições em que vocês já se enfrentaram?
CJ: Eu o conheço há muito tempo, desde a época da universidade. Sempre estamos ali, brigando um contra o outro. Temos uma rivalidade sim, mas ela é saudável, ela é boa.

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L!: Em 2011 Cesar Cielo foi pego no doping, o que causou bastante polêmica na natação. O que você pensa a respeito do que aconteceu?
CJ: Pessoalmente, não tenho comentários a fazer. Eu o vejo treinar, e sei que ele trabalha bem duro. Depois das coisas que aconteceram, da maneira que tudo isso ocorreu, fiquei feliz de vê-lo na piscina novamente, competindo bem, treinando bem. Sei que ele é um batalhador. Esta questão não é um problema para mim.

L!: Aqui no Pan, a expectativa é de que a medalha de ouro fique entre você e Bruno Fratus. Você concorda com esse prognóstico?
CJ: Bruno é meu amigo também. Competimos um contra o outro nos últimos dois anos. Não há uma rivalidade... Bem, acho que ela existe também. Vamos nos enfrentar aqui no Pan.

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L!: Há então uma grande amizade entre os velocistas fora das piscinas?
CJ: Sim, com certeza. Você encontra essas pessoas várias e várias vezes, e acaba virando amigo. Mas atrás do bloco de partida é diferente.

L!: Vocês costumam fazer piadas e brincadeiras entre si antes da prova?
CJ: Todo o tempo. Sempre ficamos nos provocando, dizendo "você está pronto?", "quer ir nadar agora?", "vai conseguir nadar rápido?". Na sala em que os atletas se reúnem antes da prova, eu coloco meus fones de ouvido. E se alguém vem falar comigo, eu nem dou bola.

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L!: No bloco de partida, o Cesar Cielo costuma tentar intimidar os adversários, batendo com força em si mesmo no peito.
CJ: Eu não faço aquilo comigo mesmo. Eu me dou uns tapas de leve, mas nada como aquilo.

L!: Você já promoveu competições multiétnicas nos Estados Unidos, com um cunho social. Como é o seu engajamento nesta questão?
CJ: Há um grande problema nos Estados Unidos, principalmente entre minorias e alguns grupos étnicos, que é o afogamento. Então meu objetivo é ensinar pessoas a nadar. Elas aprendem a respeitar a água, e amam as atividades. Tenho trabalhado com patrocinadores e o programa Make a Splash (da federação americana de natação). Este tem sido meu outro trabalho hoje em dia.

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L!: Dá para conciliar as duas coisas?
CJ: Sim, eu treino, viajo. Quando estou fora, faço as atividades que meu treinador me passa.

L!: Você quase se afogou na infância também.
CJ: Sim, isso quase aconteceu comigo. Às vezes as pessoas só prestam atenção nisso quando há um caso de afogamento na família. Em outros casos, os pais protegem seus filhos de uma fora errada, e falam para seus filhos não irem para a água. É algo desafiador, em que eu coloco bastante esforço. E dentro disso, quem sabe não aparece um novo Cesar Cielo ou uma cópia minha na água? Nunca se sabe.

L!: O Cielo não veio para cá para o Pan. Você gostaria que ele estivesse aqui para duelar com você?
CJ: Sim, seria mais uma oportunidade para duelarmos. Às vezes passamos muito tempo distantes, sem nos enfrentar. Acho que não competimos juntos há uns bons meses. E sempre que isso acontece, tento estar o melhor possível. É sempre uma boa briga.

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L!: Como a natação americana recebeu o retorno de Michael Phelps?
CJ: Foi uma grande notícia. É muito bom ter Michael de volta. Ele é um líder da equipe, é como um professor para muitos atletas novos que estão no time. As pessoas aprendem muito com ele.

L!: Você está sempre sorrindo, e de bom humor?
CJ: Normalmente sim (risos). Sou o cara que costuma fazer piadas com os colegas de equipe.

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