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Como é ser torcedor do Boca Juniors por três dias

Renato e Luis Fabiano - Sevilla (Foto: Javier Barbancho/Reuters)
Renato e Luis Fabiano - Sevilla (Foto: Javier Barbancho/Reuters)

Sempre tive simpatia pelo River Plate. Tanto que tenho um casaco do clube, daqueles que esquentam mesmo, e não pude trazê-lo para cá. Estou sem ele por motivos óbvios e passando frio. Mas está valendo a experiência.

A ideia de um hotel temático de um clube poderia esbarrar no gosto duvidoso. Ainda mais na Argentina, onde o drama do tango parece ser geral. Antes de chegar ao hotel, imaginei uma foto de Mararona sobre a cabeceira da cama, no lugar do Cristo crucificado. Nada impossível para quem o chama de Deus.

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Não foi isso que encontrei. O bom gosto impera no edifício de 17 andares. O azul e o amarelo são bem trabalhados, assim como a paixão do torcedor. No hotel, o maior patrimônio do Boca não é a imensa lista de títulos, mas sim a torcida e a Bombonera. Os ídolos também têm espaço.

Quando desembarquei no meu andar, por exemplo, me deparei com Tévez e Palermo. Cada um desenhado em uma porta diferente. A minha é a 210. Pensei: "Amigo, estou hospedado no quarto do Maradona. Corre atrás". Nada disso. Um homem com gel no cabelo cortou o meu barato.

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O hotel é feito para o torcedor do Boca e para tornar mais um "hincha" quem não for. A televisão possui programação exclusiva xeneize. Ela o saúda nominalmente na tela. A TV é educada como pede todo hotel cinco estrelas, no qual você é muito bem tratado. Quase passa a impressão de que se você se perder no bairro da Boca, acontecerá o mesmo.

Esse é um dos objetivos do hotel, passar a sensação de que você está no Boca. Não é o que acontece. O hotel não é do clube e alguns aparelhos de estrutura não estão à altura. A loja é fraca, não tem sequer a camisa deste ano para vender. Na academia, um funcionário quis me convencer de que o vestiário do hotel é uma réplica do que há na Bombonera. E onde estão as banheiras de hidromassagem? As macas para os massagistas? Essa não colou.

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No fim das contas, o que fica é o exercício de imaginar como seria um hotel parecido no Brasil e de lamentar o fato de nossos clubes serem tão atrasados nesse sentido.

Em tempo: pesquisei e descobri que o jogador pintado em minha porta é o ex-atacante Varallo, segundo maior artilheiro do Boca. Pode não ser um Dom Diego, mas não fiquei de todo desapontado.

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