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Sensação do Brasil, Walter garante ter cortado guloseimas e afirma: 'Minha fome é de gols'

De camisa na piscina, talvez por ainda não se sentir muito à vontade com seus quilinhos a mais, Walter relaxa no imponente centro de treinamento do Goiás um dia após ser novamente
protagonista, desta vez contra o Vasco pela Copa do Brasil. De olhos fechados, seu pensamento ia longe. Na consciência, duas certezas: a de que precisa emagrecer, mas também a de que, enfim, seu valor está sendo provado e reconhecido. Seu futebol sobressai ao excesso físico.

Com 24 gols na temporada e 40 somados pelo Goiás, o camisa 18, que pertence ao Porto (POR) e está emprestado ao Goiás até o fim do ano, não tem dúvidas ao afirmar que vive o melhor momento da carreira. Aos 24 anos, é ídolo do Esmeraldino e já percebe que virou um xodó brasileiro.

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Em bate-papo exclusivo com o LANCE!Net no CT Edmo Pinheiro, Walter falou de tudo um pouco. Admitiu que seu consumo por refrigerante é um vício, que ainda tem de perder cerca de cinco quilos, lembrou de sua infância na favela do Coque, garantiu querer ficar no Goias, surpreendeu ao revelar que tem o desejo de ser entrevistado por Jô Soares e destacou seu ambicioso objetivo: a Seleção Brasileira. Confira abaixo:

VOCÊ ATRAVESSA O MELHOR MOMENTO DA CARREIRA?

Sem dúvida é o melhor momento. Os gols estão saindo. Não saía tanto e, hoje, estou com 40 gols no Goiás, em um ano e quatro meses. São 24 gols no ano. Quero cada vez trabalhar mais para estar bem.

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NO JOGO CONTRA O VASCO TINHAM DUAS FAIXAS PEDINDO SUA PERMANÊNCIA NO GOIÁS. ISSO TE SENSIBILIZA? VOCÊ FICA?

Fico feliz porque o torcedor me quer aqui, e ele pode ter certeza que eu quero ficar aqui também. O carinho do torcedor por perto me dá muita confiança. A confiança que o treinador e os meus companheiros têm em mim também é muito grande. Quero entrar para a história do Goiás, quero ser um ídolo do Goiás. Ainda tenho muito para fazer aqui.

É VERDADE QUE, PARA VIR PARA O GOIÁS, VOCÊ ABRIU MÃO DE BOA PARTE DO SALÁRIO?

Abri muito a mão de dinheiro. Vim com um salário abaixo, mas é aquilo: dar um passo atrás e dar dois na frente depois. É o que estou querendo fazer. Colocar o Goiás na melhor colocação possível.

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NÃO ESTÁ NOS SEUS PLANOS VOLTAR PARA A EUROPA AGORA?

Quero dar uma continuidade a mais no Brasil. Me acostumei muito rápido ao Campeonato Brasileiro. Sem dúvida, quero ficar. Lógico, o Porto é uma grande equipe, se eles quiserem ficar comigo, eu fico lá. Mas só quero resolver minha situação logo neste fim de ano.

SUA SAÍDA DO INTER FOI CONTURBADA. VOCÊ FICOU UMA SEMANA TRANCADO EM CASA PORQUE ESTAVA INSATISFEITO POR NÃO TEREM AUMENTADO SEU SALÁRIO. HOJE EM DIA ACHA QUE FOI UMA ATITUDE REBELDE? SE ARREPENDE OU NÃO?

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Foi normal. Não é à toa que, até hoje, tenho contato com dirigentes do Inter e vou lá sempre. Eu falei que precisava de aumento, minha família estava apertada, o salário não dava. Tinha trocado de apartamento e o aluguel estava caro. Eles (dirigentes do Inter) disseram que iriam aumentar e não aumentaram, então eu achei melhor ficar em casa, refrescar minha cabeça, e aí veio a proposta do Porto. Pedi para ir e eles me liberaram. O Porto pagou quase seis milhões de euros (na época, cerca de R$ 16 milhões). Muita gente acha que eu saí de graça, mas não foi isso. Saí de lá vendido, não brigado.

VOCÊ ACHA QUE TEM CONDIÇÕES DE IR PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA?

Com certeza. Todo jogador pensa, sonha e o meu não é diferente. Vou trabalhar, tenho dois meses e pouco para trabalhar bem e, quem sabe, ser chamado para uma convocação. Seria um presente muito grande para minha mãe, minha família e para o povo de Recife e lá do Coque (comunidade onde nasceu). Imagina um menino do morro, favelado, vestir a camisa da Seleção? Seria uma emoção muito grande.

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VOCÊ ACHA QUE O GRUPO DA SELEÇÃO JÁ ESTÁ FECHADO? O ATAQUE AINDA TEM VAGA?

Eu acho que já está quase com o grupo fechado. O Jô vive um grande momento, o Hulk, sem palavras, está muito bem. Tem o Neymar e o Fred, se estiver bem até lá... Acho que esses quatro, para mim, estão bem cotados.

ESTAR NA SELEÇÃO É O SEU MAIOR OBJETIVO DO MOMENTO? QUAIS SÃO SEUS DESEJOS?

Eu penso muito nisso. Penso também em chegar no fim do ano, ir lá na festa dos melhores do Brasileirão e receber algum prêmio. Nunca recebi um prêmio desses. Não importa qual, quero qualquer um. Eu quero é ir para lá e receber umm prêmio. Penso em cada vez mais jogar para estar lá.

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MUITOS APONTAM VOCÊ COMO O MELHOR ATACANTE DA ATUALIDADE NO FUTEBOL BRASILEIRO. CONCORDA?

Tento dar meu melhor, em cada partida ir bem. É aquilo: o time está muito bem no geral, o time do Goiás está bem focado. No futebol sempre tem um jogador que se destaca mais. O Botafogo, é o Seedorf, o Coritiba, é o Alex, o Atlético-PR, é o Paulo Baier, o Inter, o D'Alessandro. Tem sempre um que é o cabeça e eu estou sendo aqui no Goiás.Mas um, sozinho, não ganha nada. O nosso grupo está muito bom.

A ASSESSORIA DO GOIÁS DISSE QUE NUNCA VIU UM JOGADOR SER TÃO ASSEDIADO E BADALADO PELA MÍDIA NO GOIÁS COMO VOCÊ. ESTÁ UM POUCO DE SACO CHEIO POR DAR TANTA ENTREVISTA?

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Não me incomodo, me sinto bem, vejo que o meu trabalho está sendo reconhecido. Só fico um pouco chateado porque tem muita gente com inveja. De vez em quando fujo da imprensa porque, às vezes, pensam: "só o Walter dá entrevista, só o Walter que aparece". No meio do futebol tem muito isso. Então eu fico um pouco com receio, medo do que o povo vai pensar de mim. Por isso que, de vez em quando, a assessoria fala que tem alguma entrevista e eu falo: "dá uma segurada essa semana para eu não aparecer tanto". Mas eu gosto, estão mostrando meu trabalho.

E NO MEIO DESTE ASSÉDIO TODO DA IMPRENSA HÁ ALGUMA PESSOA OU PROGRAMA QUE VOCÊ SONHA EM UM DIA SER ENTREVISTADO?

Sempre olho aquele programa do Jô Soares (Globo). Lá só vai "os caras" (sic). Penso que, um dia, posso estar lá. De repente um "Bem, Amigos" (Sportv) também. Esses programas conhecidos... Mas sou muito humilde. É o que falo: "Você, trabalhando, chega onde quer." Isso que eu estou tentando, trabalhando. As coisas estão saindo da melhor forma. Fico feliz pelo carinho do torcedor dos outros times. Vou no Rio e o torcedor me conhece, em São Paulo a mesma coisa, fora outros estados. Isso me deixa muito feliz

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EM QUEM VOCÊ SE INSPIRA NO FUTEBOL?

Me inspiro em três jogadores: Romário, Adriano e Ronaldo. Esses três, para mim, são muito importantes.

E VOCÊ BATE FALTA TAMBÉM. QUEM É SUA INSPIRAÇÃO NESTE FUNDAMENTO?

Falta são três batedores: Marcelinho Carioca, Neto e Rogério Ceni.

ALGO QUE TEM SE NOTADO É SUA TRANQUILIDADE EM CAMPO. CONTRA O VASCO MESMO VOCÊ FOI CAÇADO E NÃO REAGIU ÀS PANCADAS...

Sou muito de boa. É do jogo. No jogo você vai bater, apanhar, mas o meu papel é apanhar, não vou bater. Não sou um atacante violento. Claro que, em alguns momentos, vou chegar mais firme, mas jamais farei uma violência, dar um soco em alguém, só se for sem querer. Já apanhei muito. Contra o Vasco mesmo apanhei demais e não fico brigando com alguém. É normal pra mim.

NO JOGO CONTRA O SÃO PAULO VOCÊ E ROGÉRIO CENI TENTARAM APARTAR UMA BRIGA QUE ACONTECIA NA ARQUIBANCADA. VOCÊ JÁ TEM ESSA CONSCIÊNCIA DE QUE É UM ÍDOLO E TÊM DE SE PREOCUPAR COM ESTAS QUESTÕES?

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Foi uma briga que já estava demais. Era muito tiro de bala de borracha. Nós estávamos escutando. Tem briga que você não vê, mas essa era muita. Então o Rogério Ceni me chamou, pediu para eu conversar com a torcida do Goiás e ele com a do São Paulo. Naquele momento cada um foi para um lado e deu uma parada um pouco.

E COMO É A SUA RELAÇÃO COM O COQUE, COMUNIDADE QUE VOCÊ NASCEU EM RECIFE?

Nas férias sempre vou para lá. Fico bastante, passo o dia todo. Minha mãe fica até um pouco brava porque é um pouco perigoso, mas gosto de ficar lá. Fico descalço. Lá eu sou totalmente diferente de como eu sou aqui. Me sinto em casa, estou no meu bairro. Vou, jogo videogame, jogo bola com os meninos descalço mesmo...

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MESMO DEPOIS DA CONDIÇÃO QUE VOCÊ CONQUISTOU, E LÁ QUE SE SENTE BEM?

As coisas que faço aqui, não faço lá, e as coisas que eu faço lá, não posso fazer aqui. Porque se eu sair descalço aqui, todo mundo olha, fica recriminando, porque sou mais conhecido, vamos dizer assim. Mas lá todo mundo já me conhece, porque foi onde nasci. Então me visto do jeito que eu quero, mais à vontade, ando com quem eu quero. Me sinto bem. Fico até pouco na casa da minha mãe, que é em Boa Viagem. Fico mais na casa do meu irmão, que é perto do Coque. Só vou para casa à noite. Nas férias tem meu joguinho de fim de ano lá no terrão. Pelada dos amigos do Walter.

TINHA ALGUM TIME DE PELADA LÁ? VOCÊ CHEGOU A JOGAR POR ELES?

Sim. Tem o Bragantino e o Juventude lá. Com 11 anos eu já jogava. Tinha o campeonato de peladas e eu viajava junto. Meu ex-cunhado era goleiro, aí tinha jogador que não viajava para jogar e aí sempre sobrava uma vaga. Eles ficavam com medo porque eu era moleque, bem menor do que eles, mas ía lá e jogava. Eles não acreditavam que eu jogava tanto no meio dos caras grandões. Aí com 15, 16, 17 anos já foi normal. Eu já era titular, capitão do time, já estava mandando lá (risos).

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VOCÊ TEVE UMA INFÂNCIA MUITO DIFÍCIL. JÁ SE SENTE UM VENCEDOR DA VIDA?

Me sinto realizado, cara. Consegui dar uma casa para minha mãe, tenho uma família e uma esposa linda, que torce muito por mim. Tenho uma filha que mudou minha vida totalmente...

SUA ESPOSA É TORCEDORA DO GRÊMIO FANÁTICA. ESTE ANO VOCÊS FEZ DOIS GOLS NELES. ROLOU UMA COBRANÇA EM CASA? TEVE QUE DORMIR NO SOFÁ?

Minha esposa ficou chateada porque fiz dois gols no Grêmio e nenhum no Inter. Ela ficou brava. Tive que dormir no sofá (risos). Mas ela sabe que nós precisávamos ganhar. Então vou tentar descontar contra o Inter agora, porque estou devendo em casa (risos). Mas eu tenho um carinho muito grande pelo Inter também.

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POR FALAR NISSO, VOCÊ TEM SIDO CARRASCO DOS CLUBES DE GRANDE TORCIDA DO BRASIL. FEZ GOLS SOBRE FLAMENGO, VASCO, GRÊMIO...SÃO ESTAS PARTIDAS QUE VOCÊ GOSTA DE ATUAR?

É aquela coisa. São nestes jogos que você vê quem é o grande jogador. É difícil? É, mas você entra mais concentrado. É um jogo para você aparecer para o mundo, para o Brasil todo. São jogos que todo mundo está vendo. Então eu tento fazer de tudo e ir bem. É o que falo: para mim, não é importante fazer gol e, sim, ir bem. Sou muito cobrado por isso. Posso ficar cinco jogos sem fazer gols, mas se meu time for bem e ganhar, não tem problema.

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VOCÊ DIZ QUE NÃO GOSTA DE SER CHAMADO DE GORDINHO. ALGUM ADVERSÁRIO JÁ TENTOU TE PROVOCAR DESTA FORMA EM CAMPO?

Não. Nunca. Os caras têm um respeito muito grande.

NA SAÍDA DE CAMPO CONTRA O VASCO VOCÊ DISSE QUE BISCOITO É COISA DO PASSADO. VOCÊ ACHA QUE A PERDA DE PESO PODE TE AJUDAR A CHEGAR NA SELEÇÃO?

É coisa do passado mesmo. Tem que tirar. Se eu estou pensando em Seleção, em algo mais distante, tem que perder isso. Perder os pesos que estou precisando. Tenho consciência disso. Estou trabalhando para isso e estou começando a tirar a bolacha, o hambúrguer, o refrigerante e, graças a Deus, estou tirando de pouquinho em pouquinho. É difícil, complicado, mas estou muito feliz porque estou conseguindo. O retorno está quase vindo. Faço de tudo para o retorno vir rápido e eu estar bem em campo.

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VOCÊ ACHA QUE ESSA SUA ALIMENTAÇÃO TEVE UM POUCO A VER COM SUA INFÂNCIA HUMILDE QUANDO, MUITAS VEZES, NÃO TINHA CONDIÇÕES DE COMER UM BISCOITO, UM HAMBÚRGUER...?

Eu era uma pessoa humilde, mas tinha um refri para beber, um hambúrguer se tivesse que comprar... Éramos humildes, mas não tanto assim. Tudo que eu queria, minha mãe conseguia. Não tenho do que reclamar da minha infância, foi muito boa também. A questão é: Coca-Cola, Guaraná, quem é que não gosta? Isso é um vício. Fiquei com um vício e, graças a Deus, estou tirando isso. Hoje bebo mais suco que refrigerante.

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ENTÃO SUA FOME AGORA É SÓ DE GOLS?

Minha fome é de gols. Só de fazer gols.

QUANTOS QUILOS VOCÊ PRECISA PERDER?

Preciso perder uns cinco quilos.

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