Roger fala sobre futuro no Grêmio e trabalho com Luxa: 'É meu mestrado'
Foram dez anos nos quais ele usou sua qualidade para fazer cruzamentos na medida para gols dos atacantes gremistas. Mas depois de deixar os gramados, Roger, de 38 anos, e aposentado dos gramados desde 2008, passa a usar seu olho clínico para enxergar jogadores de qualidade da base do clube e, como auxiliar técnico, ajudar Vanderlei Luxemburgo a encontrar o melhor caminho para levar o Imortal de volta ao topo.
Em entrevista ao LANCE!Net, Roger indica quais jogadores prometem encher a torcida do Tricolor de orgulho, revela o desejo de ser um treinador que é "mescla de profissionais que me comandaram e o meu estilo" e se diz privilegiado pela parceria com Luxa:
– É minha pós-graduação, meu mestrado.
O auxiliar técnico diz que passa aos recém-chegados ao Imortal a dimensão que as três cores têm no Rio Grande do Sul. E recorda um pouco de sua trajetória vitoriosa como lateral-esquerdo.
Com a experiência de olheiro da base e técnico de categorias inferiores, você já consegue enxergar quais atletas gremistas têm potencial?
O Grêmio tem um grupo de transição, no qual jogadores têm atenção diferenciada e são solicitados mais vezes pelo Luxemburgo. Atualmente, temos o Yuri Mamute, que joga perto da área e flutua com desenvoltura, e Matheus Biteco, que já está no profissional. Nos últimos dois jogos e quando treinei a equipe no Gaúcho, o Ramiro também surgiu. O volante Misael, que já fez parte da Seleção Sub-20, é outro que se destacou.
A equipe principal teve saídas recentes no ataque. Há outro jogador além do Mamute que é considerado promissor?
Quem chamou atenção foi o Lucas Coelho. Um atacante de área, com boa finalização, técnica e inteligência e vem sendo trabalhado.
O fato de atuarem no início do Gauchão ajuda estes atletas?
Com certeza. Aos poucos, eles são submetidos a doses de pressão, diante de uma torcida maior e em um campeonato relevante. Isto ajuda o atleta a atingir sua forma integral.
Como é a relação dos medalhões gremistas com os "novatos"?
Todos são receptivos. É bem tranquilo você trabalhar com jogadores de bagagem internacional. Eles sabem o que trouxe o rendimento mais alto na sua carreira e trazem o exemplo do profissionalismo. Quando os garotos veêm um dia de treinamento, aprendem que é com a repetição e a observação que se aprende. Às vezes, sabemos que jogadores evoluíram na base ao ver Zé Roberto e Elano chegando cedo, o Dida trabalhando após o treino. A dedicação e o interesse aumentam. Os experientes são o guarda-chuva dos meninos.
Sobre medalhão, como é trabalhar com Vanderlei Luxemburgo?
É um treinador de primeira linha, um dos os melhores do Brasil e do mundo. É minha pós-graduação, meu mestrado, uma experiência que tento aproveitar da melhor forma possível para enriquecer como treinador, profissão que quero exercer.
E até que ponto você tem liberdade para opinar sobre o time?
Há muita troca de informação. O Vanderlei é extremamente flexível. Temos uma relação honesta, franca e harmoniosa para chegar ao topo. Trabalhando com ele, percebi que atingiu o alto nível por saber delegar funções no ambiente de trabalho.
Você comandou o Grêmio em algumas ocasiões. Pensa em ficar à beira do campo um dia?
Estou me preparando desde que parei de jogar. Vim para cá conhecer o trabalho dos técnicos pensando nisto. Mas não escolhi uma data.
Qual é seu perfil de treinador?
Sou um cara tranquilo, gosto do diálogo. Estou acumulando conhecimento técnico para aplicar de forma lúcida. Meu perfil é uma mescla os profissionais que passaram por mim e contribuíram de alguma forma, com o meu estilo.
Em relação aos jogadores que são contratados para a base e o elenco profissional, você passa para eles a dimensão do Grêmio?
Ah, sem dúvida. São mais de 20 anos de casa, de Estádio Olímpico, tenho a obrigação de passar a experiência e o conhecimento do clube. Assim, eles se adaptam a uma cultura diferente de estado e futebol. O Sul exige a imposição da força física, intensidade. À medida que os atletas consigam agregar sua qualidade técnica a esta característica, se tornarão mais completos.
Indo para suas lembranças como jogador, você é recordista em títulos de Copa do Brasil (três pelo Grêmio e uma pelo Fluminense). Alguma teve um sabor especial?
A Copa do Brasil pelo Fluminense (em 2007) tem peso especial. Além de eu deixar de jogar depois de sair do clube, eu fui campeão depois dos 34 anos, já rodado. E, como não é hábito de jogadores de defesa, ter feito o gol da conquista. As três do Grêmio têm sentimentos diversos, pelo que eu vivia no clube em cada momento.
Como especialista em mata-mata, o que achou que faltou ao Grêmio na Libertadores e no Gauchão deste ano?
Circunstâncias do jogo. No Gaúcho, por nossa energia estar na Libertadores, acabamos fora da final. Na Libertadores, em uma partida na qual não rendemos bem, acabamos eliminados. Atribuo mais à capacidade do adversário, e menos ao que tenhamos deixado de fazer.
Qual o momento mais marcante da Libertadores que você conquistou em 1995?
Por eu ser um menino, foi o suporte emocional que jogadores como Luís Carlos Goiano, Dinho, davam para nós. Quando tomamos o gol na Colômbia (contra o Atlético Nacional, na decisão), li o lábio do Goiano dizendo "calma, está tudo tranquilo". Esta confiança dos veteranos tem de acontecer no Grêmio atual.
Falando em passar confiança, qual a importância do presidente Fábio Koff para os jogadores? A presença dele após a eliminação foi considerada importante...
Ele é um diretor com extrema bagagem para identificar onde pode ajudar no futebol. A figura do doutor Fábio é extremamente emblemática. Eu me recordo da presença dele em vários momentos importantes na Libertadores de 1995.
No momento, o Grêmio tem Alex Telles e chegou o Wendell, vindo do Londrina. Você conversa com eles com mais calma, por ter mais intimidade com a lateral esquerda?
Ah, sem dúvida. Além de lidar diretamente com eles, tenho o prazer de estar com jogadores da mesma posição na qual vivi durante dez anos no Grêmio. Há uma conversa de pé de ouvido, de orientação, e à medida que têm contato com minha história dentro do clube, eles recebem orientações técnicas e táticas específicas para que eu possa ajudar. O envolvimento emocional muito maior que o aspecto profissional com jogadores.
Roger, você citou que pensa em ser no futuro treinador de futebol. Seu futuro como técnico é ligado ao Grêmio, ou pensa em ocupar outro cargo no clube?
Quando retornei ao Grêmio, há três anos, o então diretor César Dias queria que eu fizesse algo ligado a gestão, pois fiz um curso ligado a esta área. Mas disse que queria algo ligado ao campo. De qualquer forma, só Deus sabe o futuro. Quero me qualificar e ajudar o clube onde for importante. Se entenderem que será no campo, ótimo. Se acharem que posso ser melhor em outro setor, vou ajudar com a melhor intenção.
ROGER: TÍTULOS E RECORDES COM A CAMISA DO GRÊMIO
Roger chegou ao time principal do Grêmio em 1993 e logo no ano seguinte conquistou o seu primeiro título: a Copa do Brasil. Seria a primeira das quatro que ele conquistaria na carreira, o que lhe garante como o jogador com mais títulos do torneio - ele ainda levou as edições de 1997 e 2001 com o Grêmio e a de 2007 com o Fluminense.
O ex-lateral-esquerdo/zagueiro ganhou quatro vezes o Campeonato Gaúcho (1995, 1996, 1999 e 2001), uma Copa Sul (1999), a Libertadores de 1995, a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro em 1996. Ele ainda soma outros seis títulos de menor expressão pelo Tricolor gaúcho, clube pelo qual atuou em 505 oportunidades.
Ele é, com 55 jogos, o jogador que mais defendeu o Grêmio em Libertadores - em seis edições do torneio. Danrlei e Luís Carlos Goiano completam o Top3 do Tricolor no quesito.

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