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"Mais surfe, menos pop". Filho de Dadá Figueiredo usa prancha para protestar no SuperSurf

Brilhante dentro do mar, polêmico fora dele. Dávio Figueiredo não herdou do pai Dadá Figueiredo somente o gosto pelo surfe. O moleque, apesar de ser mais comedido, mostra-se firme na luta para emplacar seu estilo no esporte, assim como Dadá fez nos anos 80. Apesar de eliminado no primeiro round da segunda etapa do Oi SuperSurf, disputada em Ubatuba (SP), Dávio, rebelde assumido, deixou sua marca no evento ao pintar em sua prancha a frase "Mais surfe, menos pop".

- Eu já fui pra rua protestar na época dos protestos, mas acho que você botando uma mensagem na prancha também é uma forma de protestar, falar o que você pensa. Porque hoje em dia, brother, o surfe meio que tomou um rumo diferente, onde tudo está ficando mais pop, mais comercial, e tem o lado bom disso, que gera mais dinheiro para os surfistas, mas tem o lado ruim, perde a essência do surfe. Quem surfa mesmo sabe que o surfe é muito mais do que um esporte. É um estilo de vida que a pessoa leva – afirma, ao LANCE!, o jovem cabeludo de 18 anos, entre cruzadas de olhar em direção ao mar e às garotas que frequentam a areia ubatubense.

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A frase engajada, pintada de branco em meio à prancha negra, acaba ofuscando um pouco a presença dos patrocinadores que ajudam Dávio nas viagens, apesar da peça atrair maior número de olhares pelos fãs do esporte. O surfista afirma que há grande sintonia com seus apoiadores.

- As marcas que me patrocinam são desse perfil. A Evoke se marra, a Lost também. Eles nunca entraram em conflito com essas coisas, acho que eles gostam. Eu gosto de ser eu. Não tenho que seguir todos os padrões, padrões de moda, de beleza, de surfista. Acho que cada um faz o que quiser – define-se, além de dizer que seus longos cabelos não são por estilo, mas por ato de rebeldia.

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O surfe brasileiro cresceu muito nos últimos dois anos, principalmente pela exposição na mídia após o título mundial de Gabriel Medina e a ascensão da chamada 'Brazilian Storm', a tempestade brasileira que trouxe vários brazucas para a cena do surfe mundial. Apesar de ter competido no Oi SuperSurf, Dávio diz não querer seguir a vida de torneio – prefere a liberdade do freesurf -, mas elogia os brasileiros que estão brilhando no esporte e afirma que eles não são midiáticos, apesar das ressalvas.

- Os brasileiros estão mandando bem no Circuito Mundial. Realmente é uma tempestade brasileira. Os moleques estão surfando muito. Mas eu não sou a favor de ficar falando: "É isso aí, vai Brasil, porque os gringos são otários". Pera aí, irmão. Quem começou com o surfe foram eles. Tem que ter humildade o suficiente para saber que eles fizeram tudo primeiro – analisa Dávio, que tem como maior sonho surfar na ilha de Nias, na Indonésia.

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Apesar de ainda não ter um grande brilho no surfe nacional, Dávio convive com o esporte há muito tempo. No caso da família Figueiredo – assim como em muitos casos -, o surfe foi passado de maneira hereditária. Quando era pequeno, Dávio foi apresentado ao surfe pelo pai Dadá, um dos maiores ídolos do filho.

- O meu pai não ganhou muitos campeonatos, ele foi mais reconhecido pelas manobras que ele mandava e ninguém fazia na época. Nunca vai existir de novo uma pessoa igual a ele. O que um faz hoje em dia, muita gente faz. Não tem um cara que manda backflip toda hora, faz uma vez ou outra. Meu pai mandava 360 backside toda onda. Ele sabia as manobras e mandava toda hora. A parada evoluiu tanto que hoje em dia essas manobras são normais – diz.

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Quando questionado sobre os pensamentos do pai sobre o protesto não prancha, o filho de Dadá não titubeia.

- Meu pai não fala nada, mas acho que ele se amarra. Ele fez isso a vida dele toda.

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