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Libertadores x Liga dos Campeões: Hora de mudar

Beckham e Henry (Fotos: Mark Blinch/Reuters e Divulgação)
Beckham e Henry (Fotos: Mark Blinch/Reuters e Divulgação)

Nas últimas duas edições, o LANCENET! expôs algumas das falhas da Libertadores, como a falta de transparência da Conmebol, organizadora da competição, que não divulga nem para os clubes o quanto ganha de patrocínio e direitos de televisão. Ou problemas de estrutura e organização, impedindo que os clubes lucrem mais com os jogos, como ocorre na Liga dos Campeões.

Para tentar resolver esses problemas, consultamos especialistas em marketing e jornalistas sul-americanos. O resultado você vê a seguir, na última parte do especial Libertadores x Liga dos Campeões.

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Há várias ideias (leia mais abaixo), como a divulgação dos números financeiros da Libertadores pela Conmebol, a instituição de suspensão disciplinar por conta de amarelos, a punição aos torcedores brigões (e torcidas violentas) e a adequação do calendário sul-americano ao europeu para minimizar a perda de jogadores em momentos inadequados da temporada.

Além disso, a diminuição do número de concorrentes que jogam a Libertadores e a proposta para receber os clubes dos Estados Unidos no torneio também são discutidos.

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Principais falhas da Libertadores

Transparência
Os clubes que disputam a Libertadores não têm ideia do quanto a Conmebol recebe de direitos de televisão e patrocínios. Falta à organização divulgar os números.

Estádios
Repleto de problemas, os estádios acabam minimizando o poder de compra dos próprios torcedores, que não consomem nada durante o jogo.

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Disciplina
Na Libertadores, um cartão amarelo só dá punição monetária e não disciplinar. Isso incentiva os jogadores mais violentos e deixam os craques desprotegidos.

Continuidade
A presença do presidente Nicolas Leoz, há 26 anos no poder e com cargo vitalício, impede o aparecimento de novos políticos, com ideias diferentes e que possam revitalizar a Conmebol.

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OPINIÕES - jornalistas sul-americanos e europeus

Patricio de la Barra, repórter da Rádio Cooperativa de Chile (CHI)

"A seleção dos competidores precisa ser mais rigorosa. Poderiam se classificar apenas o campeão e o vice de cada país, times que tenham mais torcida, o que elevaria o nível e a visibilidade. No Chile temos três grandes, La U, Católica e Colo Colo. Unión Española tem estrutura, mas a torcida é bem pequena. E várias vezes a gente vê estádios pequenos, estrutura precária, e isso acaba por tirar um pouco a credibilidade do
torneio.

A ideia é aumentar o nível. Não é massificar. E a Conmebol poderia buscar fórmulas para limitar ou proibir as ações das torcidas organizadas. A violência e o vandalismo não podem mais ser protagonistas da Libertadores. Sem eles, os clubes poderão levar mais torcedores e arrecadar mais"

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Demián Meltzer, repórter do "Diário Olé" (ARG)

"Creio que a solução fundamental passa pela redução do número de clubes participantes. Poderia ser reduzido à metade como era no passado, classificando somente as duas melhores equipes de cada país. Assim o nível técnico aumentaria consideravelmente. Óbvio que isso vai totalmente contra a política da Conmebol de agradar as federações nacionais mais fracas. Os mexicanos devem jogar a Copa de sua Confederação. Afinal, não são os melhores clubes do Mexicano que disputam a Libertadores.

Por fim, acredito que o sorteio da Libertadores deveria ser dirigido ao modelo da Liga dos Campeões. Sem a possibilidade de clubes do mesmo país caírem na mesma chave na primeira fase"

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Jorge Savia, repórter do jornal "El País" (URU)

"Há muito o que fazer. Melhorar a estrutura dos estádios, por exemplo, apesar de saber que isso não é  não é fácil. Para isso, a maioria dos clubes sul-americanos precisará de ajuda financeira. Só que a Conmebol pode muito bem aumentar os prêmios que dá aos clubes. Temos de saber o quanto a organização ganha com a Libertadores. A transparência nos permitirá saber se os prêmios são justos ou se a Conmebol embolsa esse dinheiro todo.

A curto prazo o que pode se fazer para melhorar o nível técnico é começar a punir de forma decente o excesso de amarelos. Uma suspensão após um certo número de cartões é tão comum que muita gente não acredita que em um torneio importante como a Libertadores haja apenas multa."

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Gabriel Cazenave, editor do jornal "ABC COLOR" (PAR)

"A principal mudança que pode ser feita para ajudar a Libertadores é a mudança do calendário. É bom seguir o modelo europeu, para evitarmos perdas de jogadores para o mercado europeu em momentos inoportunos. Mas o mais importante é a fixação de datas desde o começo da competição, definir um local da final como ocorre na Liga.

Sou muito fã da ideia de uma final em jogo único e em campo neutro. Não sabemos quando e onde será a final da Libertadores e já estamos quase nas quartas! Essa indefinição fere o produto que pretende se vender para outros mercados. A Libertadores tem potencial enorme. Se fosse mais organizada, tornaria-se um produto atraente para mercados da Ásia e da Europa"

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Tim Vickery, especialista em futebol sul-americano para a BBC (ING)

"A questão da transparência é muito importante, até para que não exista nenhum tipo de escândalo e a Conmebol tenha total credibilidade. Mas a questão dos estádios também é alarmante. A violência é cultural em setores de algumas torcidas organizadas. O mesmo acontecia na Inglaterra e creio que só pode ser mudado com a mudança da estrutura dos estádios. É um problema de arquitetura. Na maioria os estádios sul-americanos, os torcedores ficam muito perto dos jogadores e não há policiamento necessário para contê-los.

A curto prazo é difícil termos soluções definitivas, mas creio que, em caso de violência fora de campo (e dentro também), os dirigentes dos  clubes precisam ser mais responsabilizados"

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Norte-americanos na Libertadores. Solução?

O flerte entre a MLS (Major League Soccer) e a Conmebol existe há tempos. O próprio presidente sul-americano Nicolas Leóz confirmou, ao LANCE!, que gostaria de receber times norte-americanos para a disputa da Libertadores.Com um mercado em franco crescimento (veja números abaixo) e cada vez mais recheado de estrelas (Beckham e Henry devem receber a companhia de Ballack na próxima temporada), a MLS pode ser uma alternativa eficaz para que os clubes aumentem suas rendas e a própria competição passe a ter mais dinheiro para distribuir entre
seus próprios representantes.

Para que uma fusão com o futebol norte-americano dê certo, porém, é preciso retirar alguns malefícios da competição, explica Amir Sommogi,
especialista em marketing:

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– É uma punição um time mexicanos não conquistar a vaga no Mundial via Libertadores. Dessa forma, não entram com seus principais jogadores e isso diminui o poder de atração da competição no México. Para que os americanos entrassem, esse direito teria de lhes ser garantido. Isso daria uma maior atenção do público e dos clubes.

No entanto, nem tudo são flores. A distância entre Canadá (que tem times disputando a MLS) e Argentina, por exemplo, é grande. Para efei-
to de comparação, um time russo que precise jogar na Inglaterra (a maior distância na Liga) faz a viagem de 2.508 km em 3h de voo. Uma
viagem Montreal-Buenos Aires (8.996 km) é feita num voo de 11h.Há também um problema de calendário. A temporada nos EUA se inicia em abril, enquanto a Libertadores tem seus primeiros jogos ainda em janeiro. E aí, vale a pena?

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OPINIÕES
Vale a pena trazer o futebol dos Estados Unidos para a Libertadores?

"Não. Sou a favor de eles terem a própria hegemonia. Até porque a vinda dos americanos enfraqueceria o futebol em países da América Central, que precisam se desenvolver"
Tim Vickery, da "BBC" (ING)

"Sim. Os times americanos podem ajudar na massificação do torneio. Equipes como o Galaxy de Beckham ajudariam a valorizarm o nome da Libertadores"
Patricio de la Barra, da Rádio Cooperativa do Chile

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"Sou contra o convite a clubes dos Estados Unidos. Eles não acrescentariam nada tecnicamente e a Conmebol, do jeito que é hoje, não aproveitaria o potencial de marketing"
Demián Meltzer, do "Olé" (ARG)

"É algo que tem que ser visto com muito cuidado. Sou a favor de trazerem os americanos, mas que eles possam ter todos os direitos e não se faça como fazemos com os mexicanos"
Gabriel Cazenave, da "ABC COLOR" (PAR)

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PRÓS E CONTRAS:

Pontos positivos:

Marketing
Os americanos sabem fazer marketing como poucos. Astros como Beckham e Henry ajudariam a encher estádios. Outros veteranos conhecidos devem ir para os Estados Unidos em breve.

Mercado
Com a inclusão da MLS, abre-se um mercado importante, não só de americanos, mas com latinos residentes nos Estados Unidos, apaixonados por futebol.

Pontos negativos

Distância
Uma viagem para os Estados Unidos, a exemplo do México, é muito longa e desgastante. A organização teria de acertar o calendário para minimizar a distância.

Benefício
Para ajudar a atrair os clubes norte-americanos, a Libertadores não pode dar os mesmos benefícios aos mexicanos. É uma punição desportiva que os times do México sejam proibidos de ter vaga no Mundial via Liberta.

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Números da MLS

Média de público
Estudo da "Deloitte" surpreendeu ao expor os números de média de público da MLS. A liga americana tem média superior ao Brasileirão (17.872
contra 14.976). Além de superar a Série A, a MLS também chegou a ficar na frente da NBA (basquete) e da NHL (hóquei), que tiveram temporadas regulares com médias de público abaixo de 17.500.

Direitos de TV
Em 2005, a Fifa assinou um contrato milionário para transmitir jogos da MLS de 2007 a 2014. A organização mundial pagou aos americanos 425
milhões de dólares (quase R$ 1 bilhão na cotação da época) pelos direitos de transmissão nesse período. Outros contratos têm sido mais modestos, com a Liga assinando um compromisso recente de 30 milhões de dólares (R$ 57 milhões) por três anos. A chegada de Beckham ao
Galaxy permitiu que a negociação de direitos mais lucrativos.. Mesmo assim, os valores são modestos se comparados ao do Brasileirão.

Mercado de latinos
Além de mostrar números em crescimento, a Major League Soccer ainda tem um mercado pouco explorado pelo futebol: o de latinos residentes nos Estados Unidos. De acordo com o especialista em marketing esportivo Amir Somoggi, há cerca de 70 milhões de latinos que consomem futebol nos Estados Unidos.

– Há um expoente muito grande de latinos que gostam de esportes. Dentre esse mix, a nacionalidade mais forte é a mexicana, que tem uma cultura muito ligada ao futebol. Com isso, clubes como Flamengo, Santos, Corinthians, Boca Juniors poderiam invadir esse mercado, ativar ainda
mais o interesse dos latinos no futebol e também "converter" americanos que antes não se interessavam pelo "soccer".

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Para Somoggi, o modelo igualitário da MLS significa que os clubes sul-americanos são mais ricos e, portanto, têm mais capacidade de conseguir "novos" torcedores:

– Na MLS tudo é negociado pela Liga e dividido de forma muito igualitária. Os valores ainda são modestos. Dessa forma, um clube com a força do Corinthians ou do Flamengo poderia até criar uma franquia por lá. É claro que não vale a pena, mas a Libertadores seria uma porta de entrada nesse mercado ainda pouco explorado. Os fãs de futebol veriam os times sul-americanos ao vivo e poderiam se tornar torcedores ou consumir produtos do clube.

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Colaboraram Raphael Martins e Thiago Correia

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