Jornalistas europeus avaliam carreira de Seedorf como superior a de Deco

O clássico deste sábado entre Fluminense e Botafogo colocará frente a frente os meias Deco e Seedorf. Antes de migrarem para o futebol tupiniquim, o luso-brasileiro e o holandês tiveram carreiras brilhantes na Europa, com passagens por clubes de ponta e muitos títulos. Para ampliar o debate sobre qual deles foi melhor no Velho Continente, o L!NET conversou com diversos jornalistas estrangeiros.
A maioria deles considerou que Seedorf permaneceu em alto nível por mais tempo, foi mais criativo e estabeleceu feitos maiores. Por outro lado, houve quem ressaltasse o peso do poder de mídia dos clubes que cada um defendeu nessa questão. Mas todos concordaram num ponto: ainda se tratam de jogadores diferenciados no cenário mundial.
- Ambos foram magnifícos jogadores na Espanha. Tiveram carreiras espetaculares. Os dois ganharam a Liga dos Campeões, por Real Barcelona e Real Madrid, respectivamente. Seedorf deixou uma grande recordação na torcida madridista. Já Deco foi um dos pilares do time de Rijkaard - ressaltou José Luis Guerrero, repórter do "Diário As" (ESP), e que acompanhou a trajetória do meia luso-brasileiro e do holandês nos dois gigantes espanhóis.
Antes de desembarcar na Catalunha, Deco teve uma passagem brilhante pelo Porto (POR), entre 1998 e 2004. Lá, ele foi foi tricampeão da Liga Sagres (equivalente ao nosso Brasileirão), faturou a Taça Uefa (atual Liga Europa), em 2003, e foi um dos principais responsáveis pela heroica conquista da Liga dos Campeões de 2004. Porém, para alguns, o meia não teve o merecido destaque por esses troféus e outros porque os obteve atuando em um clube médio da Europa.
- Apesar de Deco ter feito muito e conquistado tudo pelo Porto, não foi um clube com o impacto midiático dos que Seedorf defendeu. As marcas que eles deixaram na Europa estão diretamente relacionadas aos clubes que representaram. O Porto não tem a mesma dimensão que o Milan (ITA), por exemplo - opinou Duarte Baião, repórter do "Jornal 24 Horas" (POR).

No meio de 2004, o atual camisa 20 do Flu se transferiu para o Barcelona. Ao lado de craques como Xavi e Eto'o e, com maior brilho, Ronaldinho Gaúcho, Deco foi bicampeão espanhol e conquistou novamente a Liga dos Campeões, em 2006. Mas depois disso e da chegada do técnico Pep Guardiola, ele começou a perder espaço no Camp Nou e foi para o Chelsea (ING), onde, infelizmente, iniciou o convívio com as lesões.
Enquanto isso, Seedorf integrou um Milan (ITA) bicampeão europeu, em 2003 e 2007. Isso após brilhantes passagens por Ajax (HOL) e Real Madrid, clubes pelos quais também faturou a Liga dos Campões, em 1995 e 1998, respectivamente (houve também um período de três anos na Inter de Milão). O holandês só deixou a Itália este ano, quando acertou com o Botafogo. Essa diferença de regularidade pesa a favor do atual camisa 10 do Glorioso.
- Acredito que Seedorf teve maior continuidade na Europa, mais anos em primeiro nível. Jogou em equipes de ponta, como Real Madrid, Milan e Inter. É um exemplo de profissionalidade e aguentou um nível físico muito exigente, até depois de 35 anos. Seedorf fez mais do que Deco na Europa. Em termos de técnica, é complicado de opinar. Eu colocaria o Seedorf com um pouco de vantagem em relação ao Deco na Europa - comentou Aritz Gabillondo, também repórter do "Diário As".
'Seedorf mais brasileiro do que Deco'
Deco e Seedorf também representaram bem suas seleções. O primeiro participou das Eurocopas de 2004 (foi vice-campeão, em casa) e 2008, além das Copas do Mundo de 2006 e 2010. Já o segundo disputou a principal competição de seleções do Velho Continente em 2000 e 2004, e o Mundial de 1998. Um tem de fato raízes brasileiras, enquanto que o outro estreitou seus laços com esse país ao longo dos anos. Mas no tira-teima de quem possui mais o nosso estilo de jogador futebol, o holandês leva a melhor. Pelo menos, essa é a opinião de Massimo Basile, editor do Corriere dello Sport (ITA).
- O Seedorf é mais brasileiro do que o Deco. O Deco é um jogador muito equilibrado, balanceado, um atleta que se encontrou muito bem no futebol da Europa. Penso que Seedorf tem uma criatividade maior. Para mim, sempre pensei o Seedorf como o brasileiro da Europa. Tem a capacidade de criar futebol onde ninguém enxergar, muita imaginação. O Deco foi um número 8. O verdadeiro número 10 deste jogo entre eles é o Seedorf. Ele pensa em si como um 10, sempre gostou desse número. Como torcedor, gostaria de ver sempre Seedorf no meu time. Mas como treinador preferiria o Deco - afirmou Massimo Basile.
Hoje, com seus nomes já consolidados no futebol mundial, os dois são as principais referências dos meio-campos de Fluminense e Botafogo, respectivamente. Apesar da idade avançada deles (Deco tem 35, e Seedorf, 36), eles ainda podem fazer a diferença no clássico deste sábado. É o que espera Ernest Land Heer, repórter da revista 'Voetbal International' (HOL).
- Deco foi, por um tempo, absolutamente brilhante no Barcelona e, somente naquele momento, melhor do que Seedorf. No entanto, Deco também teve alguns problemas fora de campo que podem ter lhe custado um auge maior do que teve. Seedorf não só teve uma carreira fantástica, mas o número de temporadas em que ele jogou em alta classe é realmente grande e não pode ser comparado a Deco. Entre os dois, meu voto é para Clarence Seedorf. Sobre o jogo, ambos ainda têm a capacidade de fazer a diferença - afirmou o jornalista holandês.
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