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Inter encara conhecidos, tenta esquecer passado e tem torcida de ex-Flu

Larry, ídolo do Inter (Foto: Alexandre Lops/Inter)
Larry, ídolo do Inter (Foto: Alexandre Lops/Inter)

Rafael Sobis, Abel Braga e Edinho estão acostumados a entrarem em campo no Estádio Beira-Rio. Claro, não como no confronto com o Inter nesta quarta-feira, às 21h50, pelas oitavas de final da Libertadores. Mas por terem passagens destacadas pelo clube, a intenção é que a torcida crie um clima hostil para os ídolos hoje.

Sobis tem dois títulos da Libertadores no Beira-Rio. Abel foi campeão da América e do Mundo em 2006. Edinho faturou, além dos mesmos títulos que o comandante, a Sul-Americana em 2008. Todos velhos conhecidos do clube, da torcida, e de jogadores importantes, como Tinga, Guiñazu, Bolívar, Índio e Renan, todos no elenco colorado.

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- Isso fica fora de campo, estamos focados em um grande objetivo e precisamos nos concentrar nisso. Dentro daquele espírito de Libertadores que nós trabalhamos aqui no Inter, de muita marcação, de dedicação. Claro que vamos dar aquele abraço antes do jogo, mas dentro do campo não existe isso, é marcação forte – disse Tinga em contato exclusivo com o LANCENET!.

Outro que foi companheiro do grupo, e que atua no setor de meio-campo é Guiñazu. O argentino parte no mesmo caminho de Tinga, e descarta qualquer relação amistosa em campo, durante o jogo. Ou seja, cariocas podem esperar as tradicionais 'pegadas' do camisa 5.

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- Acho que nós jogadores não temos que misturar isso. Perguntar ao torcedor, cada um terá o seu sentimento pelo Abel e os jogadores. Nós estamos preparados para a decisão, não tem aplausos, sorriso, nada. Claro, vai ter um abraço antes, são ex-colegas. Mas nada vai tirar o nosso foco. Na torcida, isso é de cada um. Mas em uma decisão assim não nos preocupamos com isso – defendeu Guiñazu.

A direção vermelha, no discurso, prepara um clima hostil aos ídolos. A intenção é que a torcida inflame só a parte gaúcha, sem gritos, aplausos e ovações, mesmo que os jogadores do Fluminense tenham a história entrelaçada com os feitos recentes do Inter. O presidente Giovanni Luigi foi às rádios gaúchas para apelar que a torcida não aplauda seus ídolos e foque no apoio. O volante Tinga não se importa muito com a questão.

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- É uma questão de opinião, quero deixar claro. Respeito a do presidente. Para mim, não tem diferença nesse sentido do clima. Isso é algo de fora do campo. Nós focamos totalmente no campo, são detalhes que não nos influenciam. Ficamos prestando mais atenção nos detalhes em campo – relatou um dos líderes do grupo.

Larry (falando) participou da festa de 103 anos do Inter com Claudiomiro e Fernandão (Foto: Alexandre Lops/Inter)

PERSONAGEM NA HISTÓRIA


O confronto entre cariocas e colorados chama a atenção de uma pessoa em especial. Ex-jogador de ambos os clubes, Larry Pinto de Faria foi vitorioso nas duas casas. Apesar de ser Flamengo, o atacante chamado de Cerebral se lançou no Fluminense, onde jogou quatro anos e ganhou entre outros títulos a Copa Rio, e depois foi para o Inter, de onde só saiu aposentado, cerca de nove anos depois e várias faixas no peito. Marcou quatro gols em um Gre-Nal vencido por 6 a 2 e fez dupla memorável nos anos 50 (jogou de 54 a 61) com Bodinho. Até os dias atuais, é torcedor vermelho.

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- Eu joguei no Fluminense quatro anos. Como queriam que eu jogasse dentro da área, e eu não conseguia, não era minha característica, me indicaram vir aqui pro Inter. Aqui me achei, joguei quase 10 anos, encontrei o meu lugar. No Fluminense fui campeão os quatro anos que fiquei lá. Aqui no Inter também ganhei vários títulos, mas a paixão é colorada, mesmo – disse.

Para o craque, que jogou pelo Brasil na Olimpíada de 1956, o jogo será decidido na superação. O ex-jogador abaliza a opinião de Tinga, que prevê um duelo muito equilibrado principalmente na dedicação.

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- Difícil fazer uma análise. O Inter perdeu o D'Alessandro, o grande cerebral do time, o pensador. Mas com um pouco menos de técnica, pode aumentar sua parte de doação, de transpiração. Transpiração é muito importante, isso é uma marca do futebol gaúcho. O Abel conhece isso aqui por ter passado, sabe como funciona. Tem que ser assim. Se o Fluminense é um pouco mais técnico, fazendo uma análise do time, o Inter pode ganhar nesse sentido, nesse estilo de jogo – afirmou.

Larry não sabe como será a reação dos jogadores conhecidos do Inter – Rafael Sobis e Edinho – e do técnico Abel Braga ao entrar no Beira-Rio e serem vaiados, se isso acontecer. Não conseguiu isso, já que depois que se estabeleceu no Beira-Rio, não quis mais sair – e olha que as propostas foram inúmeras. Mas imagina que isso não influencie no rendimento do Fluminense.

BATE-BOLA COM TINGA, MEIO-CAMPO DO INTER

Como será esse encontro de quarta com os ex-colegas?
Ah são grandes companheiros no futebol que jogamos juntos, tivemos essa oportunidade. Mas isso fica fora de campo, estamos focados em um grande objetivo e precisamos nos concentrar nisso. Dentro daquele espírito de Libertadores que nós trabalhamos aqui no Inter, de muita marcação, de dedicação. Claro que vamos dar aquele abraço antes do jogo, mas dentro do campo não existe isso, é marcação forte.

Será um jogo de priorizar a marcação, não por falta de qualidade, mas pelo momento?
Acreditamos que seja sim, um jogo de superação. Trabalhamos com uma ideia de Libertadores que a qualidade técnica é a ponta final, é o último lance apenas. Precisa de muito suor, muita dedicação em competições como essa, principalmente nestas fases de mata-mata.

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Como você vê essa iniciativa de pedir para que o torcedor vaie Sobis, Abel e Edinho? Mexe em campo?
Acho que isso não influencia não. Isso é algo de opinião, eu respeito a do presidente. A torcida tem algo especial por eles, tiveram uma história bacana no Inter. Para mim, não tem diferença nesse sentido do clima. Isso é algo de fora do campo. Nós focamos totalmente no campo, são detalhes que não nos influenciam. Ficamos prestando mais atenção nos detalhes em campo.

Há vantagem em jogar com conhecidos? Tipo saber para que lado o Sobis dribla, por exemplo?
Outra coisa que não acredito ser determinante também. No futebol brasileiro, todo mundo já se conhece, tem muitos meios, as equipes se enfrentam. Esperamos nos concentrar bastante e fazer um bom jogo independente disso.

BATE-BOLA COM LARRY, ÍDOLO DA HISTÓRIA DO INTER E EX-JOGADOR DO FLUMINENSE

Como você vê essa questão do reencontro do Sobis, Edinho e Abel com o Inter?
Eu quando enfrentei o Fluminense, ganhei deles pelo Inter. Sempre fui muito profissional contra eles, quando o jogador faz o gol, é isso que acontece, é o seu trabalho sendo feito. Gosto de identificação com os clubes, o Enciso jogou aqui em Porto Alegre contra o Grêmio com uma camiseta do Inter por baixo. Isso dignifica o jogador.

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E do jogo, o que pode se esperar?
Difícil fazer uma análise. O Inter perdeu o D'Alessandro, o grande cerebral do time, o pensador. Mas com um pouco menos de técnica, pode aumentar sua parte de doação, de transpiração. Transpiração é muito importante, isso é uma marca do futebol gaúcho. O Abel conhece isso aqui por ter passado, sabe como funciona. Tem que ser assim. Se o Fluminense é um pouco mais técnico, fazendo uma análise do time, o Inter pode ganhar nesse sentido, nesse estilo de jogo. É por aí o caminho.

Espera um jogo fechado, então?
Acho que vai ser um jogo de vários gols. Acho que serão muitas alternativas, o Inter se levar um gol vai se abrir, para fazer no mínimo dois. Aposto em placares como 2 a 1, 3 a 2. Acho que vai ser assim, até porque os dois técnicos jogam para cima, para frente, procuram isso. O Abel é um técnico guerreiro nesse sentido.

E a questão de vaia ao ídolo, que a diretoria do Inter pede. Pode atrapalhar?
Não acho que isso seja muito importante. O futebol hoje está com os estádios grandes, com gramados bons, os torcedores ficam longe do gramado. Na minha época o bafo era mais na nuca, agora é tudo bom de jogar, é bom jogar no Beira-Rio. A vaia pode influenciar, o jogador gosta de jogar com um motor atrás, que é a torcida. Mas isso do Sobis, do Edinho, não sei se faz tanta diferença. A vaia influencia o Inter, se os torcedores vaiarem a equipe por algum motivo, isso sim pode ser prejudicial pelo que representa.

Como você se sentiria na pele do Sobis, do Edinho e do Abel, enfrentando seu Inter?
Eu enfrentei o Fluminense algumas vezes, ganhei deles. Não enfrentei o Inter. Vou te falar que chegaram muitas propostas para mim, Vasco veio aqui, Palmeiras tentou três vezes, clubes mexicanos, os uruguaios, mas nunca quis deixar o Inter. Me encontrei, o coração passou a ser colorado (antes era Flamengo, por conta do meu irmão).

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