O 'fator' Vanderlei Luxemburgo no novo Grêmio

Desde que foi apresentado pelo Grêmio, dia 23 de fevereiro de 2012, Vanderlei Luxemburgo foi cercado de expectativa. Tanto torcedor quanto imprensa gostariam de conhecer melhor o maior vencedor de campeonatos brasileiros, que nunca tinha treinado um time no Rio Grande do Sul. Pouco menos de um mês após sua chegada ao Olímpico, já se pode dizer que o Tricolor, que neste domingo visita o Veranópolis, às 16h, no Antônio David Farina, em jogo válido pela terceira rodada da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho, tem a cara do técnico.
Logo após a sua chegada, uma série de mudanças, até certo ponto sutis, já aconteceram fora de campo, ajustando os ponteiros entre clube e Luxa. Dentro de campo, no entanto, a maior delas. Com seu estilo de cobrança, o treinador conseguiu a marca de três vitórias consecutivas, o que o Grêmio ainda não havia alcançado na temporada.
Taticamente, o time gaúcho se acertou com a repetição e relocação das peças feitas por Luxemburgo – que iniciou, diga-se de passagem, com o interino Roger Machado. Marco Antônio foi movido para o vértice mais ofensivo de um losango do meio-campo. Com Caio Júnior, era um dos apoiadores, pela ponta da direita na figura geométrica. O próprio jogador, em entrevista exclusiva para o LANCENET!, admite que está mais familiarizado com a função atual.
A partir da mudança, virou decisivo. O ex-meia da Portuguesa tem participações em sete de 15 gols nas últimas seis partidas, entre assistências e gol marcado por ele.
– É porque eu vinha há dois anos jogando nessa função, na ponta do losango. É uma questão de adaptação. Jogo nos dois lados também atrás – explicou Marco.
Se o Grêmio ganhou um pensador em campo, ganhou também um disciplinador fora dele. Não são poucas as vezes que os jogadores gremistas destacaram a importância da cobrança de Vanderlei Luxemburgo. O meia coloca uma grande parte da situação boa do Grêmio atualmente na conta do treinador.
– Eu cobro muito, quero que eles treinem com afinco. O Fernando, cobro muito. A cobrança é boa. Não quero focar no Gabriel, eu vi a entrevista que ele. Eu sou chato com todo mundo – disse Luxa na última sexta-feira.
– Tem bastante do Luxemburgo. Estamos assimilando rápido o que ele quer. E um grupo forte tem que ser assim, tem que ter a cara do treinador, ser o que o treinador é – destacou.
Parece que este foi o principal ganho com a presença do renomado comandante. Caio Júnior tinha um estilo diferente, com menos cobrança no dia a dia. Além disso, os jogadores ressaltam o conhecimento tático de Luxa, que explica e demonstra muito o que quer dos seus times, tanto o titular quanto o reserva.
Mudanças também fora de campo
Além do comportamento em campo, há ainda pequenas questões fora dos gramados que modificaram um pouco o dia a dia do clube com o novo comandante. A principal delas a presença de dois preparadores físicos renomados, em parceria, e que se revezam para participar dos jogos. Antônio Mello, integrante da comissão técnica do carioca, se junto a Paulo Paixão.
– Tudo acontece basicamente junto. Não tem divisão. Nós comandamos a preparação física de um clube e temos qualidade para tal. É uma honra trabalhar com o Paixão, tão qualificado, com títulos. E tenho certeza que para ele é uma honra, também – explicou Mello em contato com o LANCENET!
Além disso, Mello afirmou que o planejamento já elaborado por Paixão está sendo seguido à risca, apenas com alguns ajustes que ele sugeriu e que foram discutidos internamente por ambos.
Outras duas mudanças foram vistas: sempre foi praxe os treinador darem entrevistas coletivas dois dias: terça e sexta-feira. Com Luxa, um destes dias caiu: conversa com a imprensa, só na sexta. Além disso, Vanderlei pede que um fisioterapeuta acompanhe as partidas no banco de reservas, para auxiliar os médicos em um possível primeiro atendimento no campo.
BATE-BOLA
Antônio Mello
Preparador físico do Grêmio
Como está sendo o trabalho com o Paulo Paixão?
Está tudo caminhando normalmente. O Vanderlei Luxemburgo veio ao Grêmio com o nome Vanderlei, forte, para iniciar uma era vencedora. Eu vim como integrante destacomissão técnica junto com o Antônio Lopes Júnior. Nós agregamos valor ao que o clube já tinha aqui, no meu caso o professor Paixão. Nós tínhamos uma amizade, já havíamos trabalhado junto no Vasco da Gama, e seguimos carreiras vitoriosas. Distintas, eu como o meu trabalho, ele com o dele, mas ambas vitoriosas. Nosso estilo é muito parecido, temos muito em comum.
E a logística dos trabalhos?
Tudo acontece basicamente junto. Não tem divisão. Nós comandamos a preparação física de um clube e temos qualidade para tal. É uma honra trabalhar com o Paixão, tão qualificado, com títulos. E tenho certeza que para ele é uma honra, também.
O planejamento anterior foi alterado?
Foram feitos apenas ajustes ao planejamento que ele já tinha. Encontramos aqui um planejamento físico muito bom feito por ele, e fizemos ajustes pela maneira com que gostamos de trabalhar (Vanderlei, eu e Júnior) e para o que o Vanderlei quer. Mas nada muito diferente, inserimos uma ou outra coisa que eu sugeri ao Paixão e o mesmo digo eu, inseri algumas coisas que ele me passou.
E essa parceria, vai ser boa para o Grêmio?
Um diretor do Palmeiras até me ligou quando acertamos: "Pô, juntaram os dois melhores preparadores físicos do Brasil. Isso vai dar título, hein". É algo muito gratificante escutar isso.
BATE-BOLA
Marco Antônio
Apoiador do Grêmio ao LANCENET!
Já está há alguns meses em Porto Alegre agora, como está sendo a adaptação?
Adaptação é sempre complicado, até se ambientar e conhecer as pessoas. Fui muito bem recebido por todo mundo aqui. Vinha buscando essa regularidade nos jogos, e agora é dar continuidade para poder melhorar.
Qual é a principal mudança para você se tornar decisivo?
Confiança. A confiança que o Gre-Nal trouxe, a atuação que a equipe teve. Com as mudanças, você tem que se adaptar rápido à nova realidade. Mas acho que partiu mesmo de mim comigo mesmo, de me sentir mais seguro para jogar, me sentir mais tranquilo para jogar. E entrosamento com a equipe, que é inevitável citar.
Talvez a adaptação tenha ajudado neste sentido...
Pode ser sim. Sou um cara que para estar bem, preciso me sentir à vontade. Não que não me deixassem a vontade, mas é uma mudança. Estava a três anos na Portuguesa, você troca, são novos ares, novas pessoas. Isso é natural, leva um tempo para se adaptar.
A mudança para ser o meia mais avançado também te ajudou?
É porque eu vinha há dois anos jogando nessa função, na ponta do losango. É uma questão de adaptação. Jogo nos dois lados também atrás. Mas estava acostumado. E o Luxemburgo sabe disso, estou a disposição para jogar e fazer o melhor independente da função. O Grêmio está fortalecendo um grupo, criando uma cara, tem que estar a disposição para quando o Luxa quiser, precisar, poder contar, mudar esquema, fazer o que ele bem entender e nós correspondermos.
Essa tua versatilidade pode ser importante para te garantir como titular no ano?
É bom sim. Em um grupo você ter jogadores que fazem várias funções dá mais opções para os treinadores. Eu quero estar bem, me aprimorar fisicamente e tecnicamente, para ficar a disposição do Luxemburgo e ele me usar onde bem entender, e eu render o quanto ele espera
Quanto tem do Luxemburgo na fase atual do Grêmio?
Bastante. Estamos assimilando rápido o que ele quer. E um grupo forte tem que ser assim, tem que ter a cara do treinador, ser o que o treinador é, em campo. Estamos procurando fazer isso no dia a dia, é uma mudança de estilo e preparação, e estamos entendendo bem. A evolução se deve a esse entendimento
A cobrança é maior que no comando anterior?
É, são estilos, né. São estilos diferentes. Tipos de treinamentos diferentes, e a gente precisa estar pronto. Não precisamos dizer qual é o melhor ou o pior, mas aceitar e entender rápido o que ele quer para o trabalho render rápido e o time crescer.
A característica do Luxa é cobrança, mesmo?
Ele é um treinador acostumado a ganhar. Tenho certeza que não vai ser diferente aqui. Temos que incorporar isso, e buscar título a todo custo.
No treinamento, o que é diferente?
Taticamente temos visto uma diferença muito legal. O treinamento tático de ontem de grupo foi muito bom, visando às duas equipes. Isso faz com que o grupo cresça e todo mundo esteja ligado na sua função quando solicitado
Para ir lá contra o Veranópolis e ganhar, algo que ninguém ainda fez no Gauchão, o que é preciso?
Continuar jogando como Grêmio. Encarando cada jogo como se fosse um passo grande para uma conquista. Temos que nos impor como Grêmio. Jogar para cima, marcando, como é característico da equipe até agora
E na Copa do Brasil, qual o maior adversário?
Difícil citar só um time. Copa do Brasil é imprevisível, mata-mata é difícil prever. As grandes equipes são sempre cotadas a títulos. Mas é difícil cravar alguém. O primeiro difícil é matar o rival em casa, depois o Ipatinga. Primeiro ganhar do River Plate (SE), e assim vem a sequência.

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