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No dia dela, mãe de Tite esbanja amor e fé em 'presente' do filho

Kleber - Treino do Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)
Kleber - Treino do Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

– Mãe, bênção.
– Deus o abençoe, meu filho.

O ritual de Tite com a mãe Ivone, antes de todas as partidas, garantiu o primeiro presente do treinador do Corinthians a ela no Dia das Mães. De Caxias do Sul (RS), a senhora de 76 anos pediu ao filho e a Deus, na última quarta-feira, paz e sabedoria diante do Emelec nas oitavas de final da Libertadores.

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– Eu disse para ele: "Adenor, o presente vai ser para o Dia das Mães. Não para mim, mas para todas as mães". Mas a mãe dele é a mãe dele, dei sorte, ganhei o presente (risos) – disse Ivone, em entrevista ao LANCE!, por telefone.

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E por que não pede também o título inédito da Libertadores?

– Olha... eu gostaria. Mas calma, ainda é primário, cuidado, vamos devagar, a gente gostaria muito. Não pela mãe, mas por ele. Ele trabalha direito, trabalha muito!

Na conversa com a reportagem, por cerca de 40 minutos, Ivone Bachi emocionou-se por diversas vezes. Porque é chorona, como a própria confidenciou. Mas principalmente pelos sentimentos misturados que vivenciou nas últimas décadas.

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Sofrimento, ao recordar-se das dificuldades que passou na criação dos filhos, como contar o dinheiro para Tite poder comer e treinar com os juvenis do Caxias. Orgulho, por vê-lo com saúde e bem-sucedido. E saudades, do ex-marido Genor, falecido em 2009 – e com quem passou a vida por cerca de 60 anos –, e de Tite, que está longe na maioria das vezes, pela rotina da vida do futebol. O último encontro dos dois foi apenas na época do Natal do ano passado.

– Ele é um filho abençoado, se preocupa muito, ainda mais quando perdeu o pai. Toda hora está ligando. "Mãe, come! Mãe, não trabalha! Mãe, se cuida!". Ele se preocupa muito comigo, muito mesmo! – afirmou.

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– Eu não ligo muito porque não dá. Está para lá e para cá sempre, é um incômodo, né?! Eu sempre espero que ele me ligue. Ele é um filho que toda mãe (emocionou-se)... Nunca deu trabalho, só deu alegria. É uma pessoa de se admirar, é um filho que toda a mãe gostaria de ter. Todos os filhos são queridos, mas esse daí (choro)... Estou com muitas saudades dele! – completou a mãe.

Apesar de torcer pelo filho e vestir a camisa, literalmente, ela não assiste mais aos jogos do Corinthians pela televisão. É pelo rádio ou pelo filho caçula Ademir, o Miro, que ela se informa se o resultado foi positivo.

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– Estou sempre com o meu rádio embaixo do travesseiro. Não assisto aos jogos dele, não dá. Parece que falta o ar, não dá. Boto o radinho embaixo do travesseiro e fico acompanhando o resultado depois. Quarta eu liguei para o Miro depois, ele deu aquela risada, contou, falou "Vamos acender uma vela". É a felicidade deles, são irmãos que se gostam muito, nunca vi coisa igual. Só tenho de agradecer a Deus. E depois eu até liguei para a minha nora (Rosmari), não aguentei (risos) – revelou.

A mãe é tão coruja que desconversa quando é questionada se o filho aprontava muito na infância. Tite, no entanto, faz a mea-culpa e revela que não escapou de levar surras...

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– Levei, sim, levei sim (risos)! Essa característica que tenho agora foi muito trabalhada, fiz muita besteira, arrumei muita briga, encarei muito desafio, falei muito palavrão, às vezes sai... (risos). É do jogo. Eu sempre tive esse lado da competição. A minha infância não foi das mais tranquilas para a mãe, não – afirmou.

Histórias da Dona Ivone...

Palavrão permitido
Desde que se soltou no Corinthians, Tite não segura os palavrões nas entrevistas, principalmente o "P... que o pariu". Sua mãe, por incrível que pareça, incentiva: "Pode falar, bota para fora, Adenor. O que sente, acha, bota para fora. Eu sou uma mulher que se criou com vestido comprido, sem festa, sem nada". Tite se diverte: "Eu não sei quem falou uma vez que ia falar com a minha mãe. Eu só respondi 'Você vai falar com ela, ela vai te mandar para o quinto dos infernos também' (risos)", brincou o técnico.

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Tite? Não! Ade!
A mãe, ao contrário da maioria, não chama o filho de Tite. É Adenor ou Ade. "Ele sempre diz: 'Mãe, eu não gosto de ouvir a senhora dizer Tite. Eu fui batizado por Adenor, então a senhora diz Adenor ou Ade' (risos)", disse Ivone.

Por que Adenor?
Apesar da insistência da mãe, o pai de Tite, Genor, não permitiu que o filho fosse batizado com o seu nome. "Eu queria tanto o nome do meu marido, mas ele não aceitou. Ele falava 'Por que o meu nome? O meu é meu!'. Uma prima disse para eu trocar uma letra por outra e foi indo... Ficou Adenor (risos)".

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Feijão da Nona
Quando Tite visita a mãe em Caxias do Sul (RS), o cardápio já está decidido. "Feijão, arroz, carne moída e carne de panela. É sagrado, é a grande marca que tenho da infância, da criação que tive", afirmou o treinador do Timão. "Ele chega e fala 'Mãe, apronta o feijão!'. Eles convidavam os amigos, sempre falavam do feijão da Dona Ivone, todos os amigos comendo o feijão da Nona (risos)", diverte-se Ivone.

Bate Bola com Tite - Técnico do Corinthians, em entrevista exclusiva ao LANCE!

'A Libertadores seria uma grande homenagem'

LANCENET!: A justiça que você tem com os jogadores e o caráter como pessoa, vêm da educação familiar?
Tite: Tenho na figura da minha mãe e do meu pai dois grandes educadores. Sou um cara agressivo na hora da competição, uma coisa é educação, a outra é momento de competir. Eu não abro mão daquilo que é justo a meu favor. Não quero ter vantagem, mas não admito que alguém retire aquilo que é justo com o que eu trabalho, dos atletas que eu comando, da minha posição. Mas não sendo a qualquer custo.

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LNET!: Qual foi a importância da Dona Ivone para você virar jogador?
T: Nossa família foi criada com dificuldade financeira. Saímos da roça muito cedo. Para eu ir para o Caxias treinar, eu tinha de pagar o ônibus e o lanche. E isso era um ônus para a família. Ela é e era costureira, pegava o dinheiro e colocava no meu bolso. Quando ia para o treino, excessivamente cansado e sem comer, não tinha força para treinar. Esse marco, essa imagem, ela me dando alimentação para eu treinar com 16, 17 anos nas categorias de base do Caxias e do Juventude, foi a impulsão para que eu pudesse iniciar minha carreira de jogador.

LNET!: E se a mãe pedir o título da Libertadores de presente também?
T: Do outro lado tem tantas outras mães, pessoas trabalhando da mesma forma. A gente quer ser merecedor, do meu trabalho, minha conduta, Corinthians, atletas, direção, torcida... Lá no fundo eu quero ter o discernimento que a gente tenha toda a competência para passar pelo Vasco nessa oportunidade. Seria sim, confesso, motivo de orgulho familiar muito grande. Não só para mãe, mas para o pai em memória também. Era uma pessoa que falava muito pouco, mas tinha muito orgulho dos filhos e da conduta deles. Seria uma homenagem para ela e para o pai muito grande.

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Com a palavra - Ivone Bachi - Mãe de Tite, em entrevista exclusiva ao LANCE!

'Ele não era de levar desaforo para casa'

Adenor não era de levar desaforo para casa. Não aguentava, mas não aprontava, não brigava. Ficava ele e o Miro juntos, nunca vi coisa igual. Eu tenho 13 irmãos, mas não vi coisa igual de se querer tão bem. Eles sentavam na escada conversando, quando criança, eles eram gremistas, né?! Eles sentavam na escada, os dois chorando, quando o Grêmio perdia. Porque perdeu, porque não sei o que...eles tinham um chaveiro. Eles iam dormir, com a beliche torta, e com o chaveiro do Grêmio nas mãos. Eles não me incomodaram, eu só tenho de dizer obrigado Meu Senhor e nada mais.

Como o Adenor, não existe. Eu sempre digo, ele é o meu pastor! Eu falei para os meus filhos, vocês são os meus pastores que não deixam faltar nada para a mãe. Só quero dizer que ele continue a ser a pessoa que ele é, com a mãe, com os irmãos e com todo mundo. Que Deus dê paz para ele. Presente não precisa. É amor, alegria, só!

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