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Câncer, Barça e Liga dos Campeões: Abidal abre o coração para o LANCE!


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A temporada 2010-11 se desenhava como perfeita para Abidal, afinal o lateral-esquerdo fazia parte do Dream Team do Barcelona de Pep Guardiola e era um dos ícones da seleção francesa. Porém, um exame de rotina detectou um tumor no fígado e logo a necessidade urgente de operação. Começava ali um drama pessoal e uma linda história de superação de um homem determinado a vencer a doença para fazer o que ama e ficar ao lado das pessoas que ama. Eric Abidal passou por uma cirurgia em março de 2011, e no dia 28 de maio já estava em campo como titular do Barcelona na final da Liga dos Campeões contra o Manchester United, em Wembley.  Como forma de homenagem e reconhecimento pelo esforço e determinação, o então capitão culé Puyol ofereceu ao francês o posto de capitão para levantar a tão sonhada taça da Liga, a orelhuda.

- Foi um momento único. Sempre serei grato a Guardiola por ter confiado em mim nesse dia, e por ter me colocado para jogar.

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Final feliz? Abidal descreve como um sonho superar a doença e levantar a taça. E trata como pesadelo a volta do tumor, em 2013, já em estágio avançado. Era mais um drama, o maior da vida do francês. A luta não era mais só para voltar a jogar, era pela vida. Teria que passar por um transplante de fígado. Daniel Alves, um grande amigo de Eric, ofereceu parte do seu órgão para tentar salvar o francês. Um ano parado, uma recuperação dura e mais uma história de superação. Em entrevista ao LANCE!, Abidal abre o coração, fala do gesto do amigo brasileiro, do carinho pelo esporte, do amor pela família e de seu novo trabalho: uma fundação para ajudar crianças e jovens com câncer. Confira o que falou o último herói do Barcelona a levantar a orelhuda.


BATE-BOLA:

LANCE!: Como foi levantar a taça da Liga dos Campeões depois de superar o câncer?

R: Isso foi um desafio depois do tratamento e da recuperação. Quando acabou a partida e ganhamos, só um pouco antes de receber o troféu, o capitão Puyol me disse: "Abi, você que levantará a taça". E me disse que nesse momento era para esquecer tudo ao meu redor, porque só estariam a Copa e eu. E quando a peguei para levantar, assim aconteceu. Não escutava nada ao meu redor, por alguns segundos estava com a taça. Pensei na minha família, na minha mulher, nas minhas filhas. Em meu pai, que estaria orgulhoso de ver seu filho levantando uma Champions. E pensei em todos que haviam me ajudado durante os momentos mais difíceis, e que também disseram que era possível estar ali.

L!: E o diagnóstico? Você sentia alguma coisa, havia algum indício de que sofria um grave problema de saúde?

R: Eu me encontrava muito bem, estava jogando em grande nível, e me sentia muito bem. E um dia que teria que passar por um exame de rotina antes de me apresentar para  a seleção francesa, não fui. Então, em um dia livre, fui ao médico fazer o check up de rotina e ali viram algo no meu fígado. E depois me deram a notícia. A primeira coisa que pensei é que tinha que tirar esse mal de dentro de mim, que não queria esperar. Queria fazer o possível para retirar. No fim, passei por duas operações e a última foi um transplante. Foi duro, sofri muito... E minha família também. Mas eu sempre tentava ser positivo, por minhas filhas e minha mulher. Tinha muita fé. Se havia 0,1% de possibilidade de cura, tinha que acreditar que podia dar certo. Sempre tentei olhar adiante, inclusive nos momentos mais duros. Além disso, eu tinha o esporte, o futebol como meta. Queria voltar a jogar em alto nível. O futebol me ajudou e esforçar-me e lutei pelo que eu queria. A luta é o mais importante: pensar que é possível, e também deixar ser ajudado pelos médicos, claro.

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L!: Desde que você parou de jogar, em 2014 pelo Olympiacos, não apareceu mais ligado ao futebol. Tem ainda o objetivo de seguir no mundo da bola?

R: O futebol é minha paixão e com certeza estarei ligado para sempre. É a maneira como eu entendo a vida. Mas para trabalhar no futebol depois de ter sido jogador é preciso se preparar bem e encontrar o posto exato. Não vale tudo, porque o passo de um jogador sobre o campo e em outro posto é diferente.

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L!: O que é mais importante, ganhar a Champions League ou a Copa do Mundo? Para você só faltou o Mundial...

R: Ambos são importantes, mas a Champions é a recompensa máxima para os clubes. Enquanto a Copa do Mundo é o maior troféu que se pode ganhar com uma seleção. São diferentes, com valores diferentes. Eu pude experimentar a Champions, e posso afirmar que a emoção é muito intensa. Suponho que a Copa do Mundo também deve ser.

L!: A sua saída do Barcelona foi conturbada e polêmica. A imprensa espanhola apontou que o clube não te respeitou como deveria. Como ficou sua relação com o Barça?

R: Como sempre falei, eu queria seguir jogando no Barcelona, gostaria de ter continuado. Mas o clube encarava de outra maneira. Na vida não se pode ter tudo o que quer, e aceitei a decisão do clube. Sempre será um clube muito importante para mim, porque passei seis anos maravilhosos lá e também passei pela doença dentro do Barça. E lá foi outra família quando estive doente, todos se preocuparam muito e me apoiaram. Segui jogando no Monaco, meu primeiro clube profissional. E depois no Olympiacos, no qual pude seguir com o futebol em máximo nível, era o que eu queria.


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