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Em busca de respeito na Seleção Brasileira, Diego Tardelli avisa: 'Não preciso provar mais nada'

Diego Tardelli trocou o Atlético-MG pelo Shandong Luneng (CHI) no início de janeiro deste ano e, desde então, se afastou dos holofotes no outro lado mundo. Não para Dunga, não para Seleção Brasileira. Mesmo atuando no milionário, porém "desconhecido" futebol chinês, o atacante se manteve em alta com o treinador e hoje figura entre os 23 jogadores que iniciarão nesta segunda-feira a preparação na Granja Comary para disputar a Copa América no Chile.

Cobrado na China para ser o "estrangeiro que precisa resolver", Tardelli se vê agora como o camisa 9 que tem a dura missão de ajudar a readquirir a confiança e a moral da Seleção depois do vergonhoso fracasso na Copa do Mundo de 2014. Ele não só está preparado para colaborar, como também está ansioso para triunfar, conquistar respeito e fazer história.

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LANCE!: Você teve muitas dificuldades logo quando chegou ao futebol da China. O que aconteceu?
Diego Tardelli: No começo foi mais complicado para mim, porque logo no meu segundo jogo na Liga eu acabei me machucando, fiquei um mês e meio parado. Voltei a jogar tem sete ou oito jogos. Foi um começo complicado. A gente deixa o Brasil para vir para uma liga totalmente diferente, com outra qualidade técnica. A nossa técnica (no Brasil) é mais avançada, mas o futebol na China não é ruim. Na verdade, é bem disputado e você precisa se adaptar rapidamente. Agora que me adaptei, já me sinto mais à vontade, jogando direto, fazendo bons jogos, marcando gols... Foi a lesão que me atrapalhou mesmo. Também de olho na Seleção, fiz de tudo para treinar forte, treinei até em três períodos e na folga. Estou 100% e bem diferente de quando cheguei na China.

LANCE!: Os salários na China são altos. Mas a cobrança também é alta?
Diego Tardelli: Aqui eles cobram muito, exigem muito de você. Por isso preciso provar jogo a jogo, os estrangeiros precisam chegar aqui e fazer a diferença. O estrangeiro precisa ser a contratação certa (limite de quatro por clube na China), precisa desequilibrar. Eu preciso estar bem sempre.

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LANCE!: Não é estranho ver uma convocação da Seleção Brasileira com um jogador na China (Diego Tardelli, Shandong Luneng) e outro nos Emirados Árabes (Everton Ribeiro, Al-Ahli)?
Diego Tardelli: Não, não... Vejo que o Dunga foi coerente, ele fez o que já vinha fazendo nas últimas convocações. Eu, atuando no Brasil, sempre fui convocado por ele. Vim para o futebol chinês e sigo convocado. Fui convocado (para a Copa América) pelo que eu fiz dentro da Seleção. Independentemente do país ou da divisão que você joga, o importante é o que você mostrou e mostra dentro da Seleção. Estive lá várias vezes, fui bem nos amistosos e deixei uma boa impressão. É por isso que ele segue me convocando. É um orgulho enorme ter esse reconhecimento.

LANCE!: Acha que esteja escondido na China? Alguém da CBF te acompanha ou conversa contigo com frequência?
Diego Tardelli: Hoje o jogador não fica mais escondido. A CBF e a mídia sabem o que acontece aqui ou em qualquer outro lugar, tanto é que você sabe como eu estou aqui, o que eu tenho feito ou não. A CBF me acompanha, tenho certeza, ela tem ferramentas para observar os meus jogos na China. Tenho certeza que estão me vendo. Não tenho falado com ninguém da CBF, mas, volto a dizer, tenho certeza que eles estão me acompanhando.

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LANCE!: Você acredita que é o companheiro ideal de ataque para o Neymar?
Diego Tardelli: Me sinto preparado para jogar na Seleção, seja do lado do Neymar ou não. Quero estar no bolo, isso é o mais importante. Quero ser convocado sempre. Mas quem decide é o Dunga. E eu preciso respeitar o Robinho, o Firmino... Deixa a responsabilidade para o Dunga. O mais importante é estar preparado e corresponder na hora certa.

LANCE!: Você se considera um dos grandes atacantes do mundo hoje? Apesar de jogar na China, você é titular da Seleção Brasileira...
Diego Tardelli: Estou trabalhando muito para ser titular da Seleção. Quero me tornar um dos grandes jogadores da Seleção, quero fazer história. Sei da minha qualidade, sei que posso corresponder, já provei isso. Só depende de mim agora. Não adianta me comparar com outros grandes jogadores, esses aí já têm histórias nos clubes e nas seleções. Estou tendo a minha chance agora. O que mais quero é ser igual aos grandes atacantes de hoje do futebol mundial, ser lembrado e ser respeitado dentro da minha seleção. Sou muito respeitado no Brasil, sei disso, mas agora quero ser respeitado na Seleção. Preciso ir bem na Copa América, sei o quanto esse título é importante para a Seleção e, principalmente, para a minha sequência.

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LANCE!: Acha que terá fôlego e futebol para manter a sequência e disputar a Copa do Mundo de 2018? Você já vai estar com 33 anos...
Diego Tardelli: Meu foco é esse, disputar uma Copa do Mundo, é o meu sonho. Vou estar com 33 anos, é verdade, mas ainda me sinto muito bem fisicamente. Me sinto no auge da minha carreira. Vou fazer de tudo para seguir na Seleção, porque eu sonho com o Mundial. E só vai depender de mim. Ainda penso em jogar mais cinco ou seis anos...

LANCE!: Hoje, com 30 anos, como você lembra daquele Diego Tardelli que teve problemas disciplinares no começo da carreira no São Paulo?
Diego Tardelli: Era adolescente, normal, me empolguei e fiz coisas que qualquer garoto de 16 ou 17 anos faz. Mas nem gosto de falar isso. Mudei meu pensamento. Eu mudei e minha família me ajudou a mudar. Coloquei na cabeça que eu não poderia desperdiçar as oportunidades no futebol. Coloquei a cabeça no lugar com 18, 19 anos. Acredito que sou muito respeitado hoje, talvez não precise provar mais para para ninguém, por conta de tudo o que fiz dentro do Brasil. Agora preciso provar e fazer história dentro da Seleção. Já conquistei o carinho do torcedor, mas quero muito mais. Hoje ninguém mais lembra daquele Diego Tardelli do início de carreira, hoje todos lembram do Diego Tardelli dos títulos, dos gols, das jogadas bonitas. Sou outro jogador.

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LANCE!: Você, na China, recebe um alto salário. No Brasil, alto salário quase sempre é sinônimo de atraso. Os jogadores estão pedindo cada vez mais ou os clubes estão cada vez mais desorganizados?
Diego Tardelli: Não tem meio termo. Se o jogador é valorizado, ele merece receber o que pede. O clube precisa pagar isso para ele. Não adianta um clube investir apenas em moleques de 16 e 17 anos. Se o jogador é bom, faz gols e dá retorno, óbvio que ele precisa ter um bom salário. Ele é um investimento. Mesmo de longe, espero que o Brasil melhore logo e possa ser mais organizado em relação a salários em dia.

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