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Em ano de Mundiais de base da Seleção, formar novos talentos é o principal 'título'

Um time campeão não é feito da noite para o dia. A afirmação, que parece óbvia, é uma espécie de mantra entre os profissionais da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) que participam da preparação das seleções de base do Brasil, que tem em 2015 uma agenda recheada de desafios com os mundiais Sub-21 e Sub-19 no masculino, e Sub-20 e Sub-18 no feminino. Nesta sexta-feira, o Mundial Sub-18 Feminino terá início em Lima (PER), mas o Brasil estreia somente no sábado contra o Japão. Os dois times estão no Grupo D junto com Cuba, Itália e Turquia.

Manter o país como um celeiro de craques na modalidade é a missão que vai além de ciclos olímpicos. Até hoje o Brasil conquistou, somando as quatro categorias de base, um total de 41 medalhas (19 ouros, 15 pratas e 7 bronzes). Antônio Rizola Neto, gerente de seleções de quadra, participou da conquista de seis delas e afirma que o mais importante para os envolvidos nas equipes da base brasileira não são os números nem os pódios, mas o aproveitamento de atletas que passam pelo processo e chegam à equipe adulta.

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- O título que queremos é levar à seleção adulta os meninos e meninas que chegam à infanto-juvenil. Hoje temos um aproveitamento entre 80% e 90%. Dessa geração que ganhou ouro em Atenas, por exemplo, apenas o Anderson e o Serginho não tinham passado pela base. No caso do feminino, apenas a Fofão e a Fabi foram campeãs em Pequim sem terem sido campeãs na base - contou Rizola.

Renan Dal Zotto, Gerente de Seleções da CBV e medalhista olímpico (prata em Los Angeles 84), faz coro com Rizola. Ele, que passou por todas as categorias de seleções, afirma que descobrir e formar novos talentos é a questão principal, mas estar no rol dos times principais também está na pauta.

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- Este ano é repleto de mundiais de categorias de base, tanto no masculino como no feminino. Eles são disputados sempre de dois em dois anos. É importante, pois é nesses times que a renovação acontece e não podemos pensar em estar fora das principais equipes, embora ganhar e perder seja uma consequência. O foco é a formação de atletas - declarou Renan.

Tudo começa na escola

Para chegar a este nível de excelência o caminho é longo. O grupo que chega a uma competição mundial Sub-19 (ou Sub-18, no caso feminino) é formado ao longo de quatro anos. O primeiro passo é observar de perto os destaques dos Jogos Escolares, que formam uma seleção de atletas entre 12 e 14 anos, em um projeto com parceria do Comitê Olímpico do Brasil (COB). A partir daí integrantes das comissões técnicas das seleções brasileiras da categoria seguem monitorando as jovens promessas em competições regionais e nos clubes. Nesta missão, a CBV conta com o auxílio de técnicos olheiros.

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Hoje a CBV conta com pelo menos um observador em cada estado, que passam vídeos e relatórios sobre o desenvolvimento dos atletas. Os clubes também são importantes na formação dos jogadores, a seleção fica como o momento de lapidação. O trabalho feito nos estados também é bastante importante, pois é por meio dos Campeonatos Brasileiros de Seleções (CBS) que os treinadores das seleções brasileiras Infanto-Juvenil e Juvenil têm a oportunidade de observar de perto os jovens talentos. E graças a esta observação mais próxima são feitos os convites para as avaliações no ambiente do Centro de Desenvolvimento do Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ).

Saquarema é berço de excelência

E é no CDV que chegar à seleção deixa de ser um sonho e torna-se realidade. Em média, os atletas ficam entre 90 e 120 dias em treinamento ao longo do ano, intercalando momentos de folga. Os estudos também não ficam de fora. Os atletas que ainda estão no ensino fundamental ou no médio atendem a três horas de aula por dia de segunda a sábado, em uma parceria da CBV com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para que todos tenham reforço escolar e não percam o ano letivo.

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No tangente ao voleibol propriamente dito, a estrutura oferecida pela CBV às seleções de base é bastante similar ao que as equipes adultas dispõem. Cada grupo conta com dez profissionais entre técnico, auxiliares, fisioterapeuta, psicólogo, médico, preparador físico, nutricionista, fisiologista e estatístico. Todos eles mantêm uma interrelação com os pares da seleção principal.

Além da estrutura, importante também realizar intercâmbios, e por isso as seleções de base brasileiras encaram verdadeiras maratonas para chegarem aos mundiais no mesmo ritmo que os rivais europeus e asiáticos. Como preparação para os Mundiais, as seleções brasileiras de base realizam entre 20 e 25 jogos, contando o Sul-Americano e excursões pela Europa.

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Quadro de Medalhas de Mundial em base:

Juvenil-Masculino - 13 Medalhas (4 ouros/6 pratas/3 bronzes)
1977 (Brasil) - Bronze
1981 (EUA) - Prata
1989 (Grécia) - Bronze
1993 (Argentina) - Ouro
1995 (Malásia) - Prata
1997 (Malásia) - Prata
1999 (Tailândia) - Bronze
2001 (Polônia) - Ouro
2003 (Irã) - Prata
2005 (Índia) - Prata
2007 (Marrocos) - Ouro
2009 (Índia) - Ouro
2013 (Turquia) - Prata

Juvenil Feminino - 12 Medalhas (6 ouros/4 pratas/2 bronzes)
1987 (Coreia do Sul) - Ouro
1989 (Peru) - Ouro
1991 (Tchecoslovaquia) - Prata
1995 (Tailândia) - Prata
1999 (Canadá) - Prata
2001 (Rep Dominicana) - Ouro
2003 (Tailândia) - Ouro
2005 (Turquia) - Ouro
2007 (Tailândia) - Ouro
2009 (México) - Bronze
2011 (Peru) - Prata
2013 (Rep Tcheca) - Bronze

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Infanto-Juvenil Masculino - 7 Medalhas (6 ouros/1 prata)
1989 - (Emirados Árabes) - Ouro
1991 - (Portugal) - Ouro
1993 (Turquia) - Ouro
1995 (Porto Rico) - Ouro
2001 (Egito) - Ouro
2003 (Tailândia) - Ouro
2005 (Argélia) - Prata

Infanto-Juvenil Feminino - 9 Medalhas (3 ouros/4 pratas/2 bronzes)
1989 (Brasil) - Prata
1991 (Portugal) - Prata
1997 (Tailândia) - Ouro
1999 (Portugal) - Prata
2001 (Croácia) - Prata
2003 (Polônia) - Bronze
2005 (Macau) - Ouro
2009 (Tailândia) - Ouro
2013 (Tailândia) - Bronze

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