Sem Neymar e poder de reação: Novo fiasco de uma esfacelada Seleção
Brasil chegou desmontado para a Copa América, não acertou o pé e não conseguiu sair das dificuldades que foram impostas nos Estados Unidos

Ser eliminada de uma competição continental por de um erro crasso de arbitragem está longe de ser o principal problema do Brasil e tampouco o primeiro item da lista de causas para a queda nos Estados Unidos. O terceiro vexame na terceira competição oficial disputada tem origem em uma série de questões, algumas delas que se arrastam desde a Copa América anterior.
Especificamente sobre a edição do centenário da Conmebol, a incerteza começou quando o melhor jogador brasileiro não foi convocado por opção da CBF: mediante exigência do Barcelona, Neymar só poderia jogar uma competição pela amarelinha no meio do ano, e a opção da CBF foi a busca pelo ouro na Olimpíada Rio-2016. Não só a referência técnica foi deixada de lado como também a liderança do capitão escolhido por Dunga. Tudo isso em um grupo com sete sub-23.
Só que, além de Neymar - que era a perda "programada" -, as baixas no grupo considerado ideal por Dunga não pararam por aí. A lista de cortes - principalmente por lesão - foi extensa. A começar por Ricardo Oliveira, que seria o substituto imediato do craque do Barcelona. Aí depois teve Douglas Costa, outro titular. O substituto dele? Kaká, que só entrou no amistoso contra o Panamá e também se machucou. Luiz Gustavo alegou problemas pessoas, sem contar nos "olímpicos": o goleiro Ederson e o meia Rafinha. Em três jogos, Dunga não usou todas as opções que trouxe como substitutos dos cortados. Ganso, por exemplo, foi "a passeio" para os Estados Unidos.
Com o clima desfavorável, o problema anterior da falta de entrosamento, padrão tático definido e jogadas trabalhadas se agravou. Dunga terminou a Copa América sem conseguir achar o nome para o ataque. Começou com Jonas, que não fez gol nem no Haiti, passou por Gabigol, que foi bem em alguns momentos, e terminou de forma melancólica com Hulk, atuando em uma posição que não é a dele - centralizado.
A questão ofensiva foi preponderante, já que o Brasil só balançou as redes contra o fraco Haiti. O time passou em branco contra Equador e Peru. Se não fosse os erros de arbitragem, a equação teria valor negativo, ou seja, eliminação do mesmo jeito - lembrando que o empate com o Equador foi um "brinde" do bandeira que deu equivocadamente saída de bola em um chute sem ângulo que virou frango de Alisson.
Os dois jogos contra os adversários sul-americanos tiveram roteiros similares no que diz respeito a quanto o Brasil mostrou de potencial no primeiro tempo e quanto foi frustrante o resultado final por causa de uma queda vertiginosa de produção no segundo tempo. Ou seja, os adversário conseguiram se ajustar durante o intervalo e um contra-ataque não conseguiu vir do banco brasileiro ou mesmo de dentro de campo - o tal improviso.
Apesar das formações diferentes entre estreia e terceiro jogo (o duelo contra o Haiti foi um hiato, praticamente um treinamento com árbitro oficial e transmissão de TV), a Seleção começou ambas as partidas com toque de bola, dinamismo, propondo o jogo. Neste item, com mais eficiência maior no terceiro do que no primeiro compromisso.
Mas foi o adversário mexer nas peças ou na postura... Acabou o Brasil. Time sem saída, previsível, cometendo erros e sem tranquilidade e precisão nas conclusões a gol. A mesma coisa já tinha sido vista pelas Eliminatórias, contra o Uruguai, após o Brasil fazer, talvez, a melhor meia hora desta segunda Era Dunga como treinador.
O saldo da aventura nos Estados Unidos? Quatro pontos, uma derrota, um empate e uma vitória. Terceiro colocado em uma chave vista como - teoricamente - fácil antes da competição. Mais uma eliminação em competição oficial. E, do jeito que está, a lista tem tudo para crescer.

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