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Opinião – Renovação da Seleção começa na quarta, mas não espere revolução

Carlo Ancelotti precisa renovar o time, mas já avisou que manterá a base

PorMarcio DolzanRio de Janeiro (RJ)
03/09/2026 06:50
Carlo Ancelotti cruza os braços em treino do Brasil em Houston
Carlo Ancelotti começa a projetar Seleção do novo ciclo (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)

Carlo Ancelotti fará na próxima quarta-feira (9) a primeira convocação da Seleção Brasileira neste ciclo para a Copa do Mundo de 2030. E, como acontece a cada quatro anos desde 2006, todos pedem por uma renovação da equipe. Sobre isso, duas coisas: a primeira, é que é certo que ela virá; a segunda, é que dificilmente essa renovação será vista já agora, para os amistosos com Austrália e Índia.

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Ancelotti já disse que não irá mudar os 26 nomes, e nem há mesmo razão para isso. A despeito de o Brasil ter sido eliminado ainda nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, a Seleção teve, sim, seus destaques individuais. E, mesmo que todos tivessem sido medianos, não faria nenhum sentido iniciar o ciclo do zero, porque isso não seria renovação; seria terra arrasada.

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A CBF também já estabeleceu metas para este ciclo, e antes do Hexa Carlo Ancelotti terá a missão de levar o Brasil ao título da Copa América de 2028. Ou seja, o treinador precisará de um time pronto para daqui a dois anos, não quatro.

Assim, há de se esperar que a lista que será anunciada na semana que vem tenha nomes como o do capitão Marquinhos, do também zagueiro Gabriel Magalhães, do volante Bruno Guimarães e do atacante Vini Jr, para ficar em quatro dos titulares da última Copa do Mundo.

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Ancelotti durante o treino da Seleção no CT de Morristown
Ancelotti vai em busca de novas peças para a Seleção Brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Estêvão é um nome que Ancelotti certamente irá contar para este ciclo, assim como Endrick. A presença deles nesta primeira lista, contudo, vai depender mais do que o técnico conhece do potencial dos jogadores do que efetivamente eles têm feito nas últimas semanas, já que Estêvão tem sido reserva, e Endrick nem sequer jogou ainda porque se recupera de lesão — e talvez nem esteja recuperado ainda.

A renovação também não deverá ser tão profunda porque há também algumas questões práticas. Ancelotti só terá a tranquilidade necessária para trabalhar se o Brasil tiver bom desempenho e, sobretudo, bons resultados diante de Austrália e Índia. Os três jogos serão fora de casa, e dois deles contra uma equipe que disputou o último Mundial e avançou para a segunda fase. Não parece muito razoável enfrentar uma seleção da Austrália pronta como essa, fora de casa, com um elenco formado em sua maioria por novatos.

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Outra questão prática: é bem provável que a convocação da Seleção na próxima semana tenha em sua maioria atletas que atuam na Europa e, eventualmente, na Ásia — há selecionáveis na Arábia Saudita. Não nos esqueçamos que o fuso na Austrália é de 13 horas de diferença em relação ao horário de Brasília; Calcutá tem dez de diferença. São muitas horas de adaptação para quem atua no Brasil, tempo que cai para a metade para quem joga para aqueles lados.

Certo é que, a partir do dia 9 de setembro, Carlo Ancelotti poderá finalmente começar a preparar a Seleção Brasileira para uma Copa do Mundo com o tempo que a competição exige. O italiano terá a partir de agora um ciclo inteiro, algo que apenas Tite, entre 2018 e 2022, conseguiu desde que Dunga assumiu para sua primeira passagem como técnico da Seleção, depois do fracasso do Mundial de 2006. A ver se o desfecho, desta vez, será diferente.

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