Copa do Mundo: rivais do Brasil vão ao 'mercado' em busca de reforços para o Mundial
Marrocos, Escócia e Haiti intensificam contatos com jovens talentos para o Mundial

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O sonho de disputar uma Copa do Mundo move gerações de jogadores — e, às vésperas do torneio de 2026, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, ele também mobiliza federações. Rivais do Brasil na fase de grupos, as seleções de Marrocos, Escócia e Haiti têm atuado fora das quatro linhas em uma corrida por reforços que compartilham uma característica comum: raízes fora do país de nascimento.
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A estratégia, amparada pelas regras de elegibilidade da Fifa, tornou-se uma tendência na última década e, em 2026, promete ser ainda mais marcante.
O caso de Marrocos: olho em Bouaddi
Entre os africanos, Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos, é o novo alvo de Marrocos. Nascido em Senlis, na França, o volante do Lille é filho de pais marroquinos e pode optar por defender o país norte-africano. Desde o ano passado, o técnico Walid Regragui e dirigentes da federação mantêm diálogo com o jogador e sua família.
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Por ora, Bouaddi ainda veste azul: vem sendo convocado para seleções de base da França e, recentemente, foi integrado ao time sub-21. O técnico da França, Didier Deschamps, acenou com a possibilidade de convocação para a seleção principal. Mas enquanto não atua pela equipe principal em jogo oficial, ele segue livre para mudar de nacionalidade — algo que Marrocos já fez recentemente com nomes como Brahim Díaz e Eliesse Ben Seghir.
O sucesso no Mundial de 2022, quando chegou à semifinal, ampliou o poder de atração dos Leões do Atlas, que sonham com mais um time competitivo em 2026.
Haiti busca talento na diáspora
No caminho do Brasil também estará o Haiti, que tenta mudar seu status de "azarão" recrutando jogadores da diáspora caribenha — em especial os franco-haitianos.
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Jean Baptiste Gorby, volante do Braga, em Portugal, foi sondado. Nascido em Paris e com nacionalidade haitiana herdada dos pais, Gorby admite o orgulho em representar o país de origem da família, mas prefere adiar a decisão.
- O que o Haiti conseguiu é histórico. Vestir essa camisa seria um orgulho, mas meu foco agora é o Braga - declarou o jovem meio-campista.
Além dele, o técnico Sébastien Migné tenta convencer o atacante Wilson Isidor, do Sunderland, e o experiente Odsonne Édouard, hoje no Lens, a se juntarem ao elenco. Ambos nasceram na França e jogaram pelas seleções de base dos Bleus, mas nunca estrearam pelo time principal — o que os torna elegíveis para defender o Haiti.
- O importante é o comprometimento. Quero jogadores que realmente queiram estar aqui, não apenas pela vitrine de uma Copa - reforçou Migné em entrevista recente.

Escócia tenta convencer Harvey Barnes
O terceiro rival do Brasil, a Escócia, também aposta no poder da ascendência para ampliar seu elenco. Harvey Barnes, meia-atacante do Newcastle, que disputou um amistoso pela seleção sub-20 da Inglaterra, nasceu em Burnley, mas tem avós escoceses — o que o torna elegível para defender o time britânico sob as regras da Fifa. Steve Mclaren, treinador da Escócia, insiste que qualquer novo nome precisa demonstrar "real vontade" de vestir a camisa escocesa antes da convocação para o Mundial.
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Casos como o de Barnes não são raros. Jogadores como Che Adams, Angus Gunn e Lyndon Dykes também nasceram fora da Escócia, mas foram integrados à seleção graças à herança familiar.
As regras da Fifa e a corrida por talentos
Pelas normas da Fifa, um jogador pode representar uma seleção se cumprir ao menos uma das condições abaixo:
- Ter nascido no país;
- Ter pai ou mãe nascido no país;
- Ter avô ou avó nascido no país;
- Ter residido por cinco anos no país após completar 18 anos.
Mesmo assim, as trocas têm limites. Quem já atuou em partidas oficiais de seleções principais (como eliminatórias ou Copa) não pode mudar de bandeira. Mas os que jogaram apenas amistosos ou competições de base podem pedir uma "mudança única de associação" — algo que abriu espaço para fenômenos como o dos "naturalizados de ascendência".
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