São Paulo sofre com gols no segundo tempo, e Dorival precisa buscar soluções
Todos os gols sofridos pelo Tricolor com o treinador foram na segunda etapa, e cenário escancara desequilíbrio técnico e de concentração do time

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Dorival Jr. somou mais uma partida sem vitória no comando do São Paulo e tem um aproveitamento de apenas 29% desde o retorno ao Tricolor. Contra o Coritiba, no sábado (16), a equipe mira os três pontos para abrir distância da zona do rebaixamento no Brasileirão e precisará lutar contra uma estatística que assombra a torcida são-paulina em todos os tropeços da equipe desde a chegada do técnico. O desempenho nos segundos tempos tem sido determinante para a má fase do clube na temporada.
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Além de ter vencido apenas uma partida até aqui, Dorival não tem conseguido imprimir força ofensiva com o São Paulo e sofreu nove gols em oito partidas. E a coincidência negativa está justamente no fato de que 100% das vezes em que os rivais furaram a defesa tricolor foram na segunda etapa. O dado mostra que a inconsistência dentro das partidas impede a equipe de sustentar resultados positivos ou, no mínimo, manter o placar empatado, como aconteceu diante do Grêmio, na última rodada.
Contra o Tricolor gaúcho, o São Paulo sofreu o segundo gol após os 40 minutos do segundo tempo, que é exatamente o período dentro da partida mais letal para a defesa de Dorival Jr. Ao analisar cada tempo da partida em três partes, os 15 minutos iniciais da segunda etapa e os 15 minutos finais são os que mais geram gols aos adversários do Tricolor.
Essas faixas de tempo concentram oito dos nove gols sofridos pelo São Paulo sob o comando de Dorival. Outra partida em que a equipe sofreu nos últimos minutos foi diante do Remo, quando sofreu a derrota com gol aos 49 da etapa final, já nos acréscimos.
O único gol que a equipe levou fora desse recorte foi diante do Bolívar, no último compromisso pela Sul-Americana, que saiu aos 63 minutos de jogo. A minutagem entra como o "segundo terço" da segunda etapa, que vai dos 61 minutos até os 75.
Se os jogos contra Grêmio e Remo são exemplos da desatenção e queda de rendimento nos minutos finais, a virada sofrida pelo Athletico-PR em Bragança Paulista escancara a dificuldade do São Paulo logo após o retorno dos vestiários. O recorte que vai dos 46 aos 60 minutos de jogo também contra quatro gols, que foi o que aconteceu diante do Furacão. Abriu o placar no primeiro tempo e sofreu a virada antes dos dez minutos da etapa final. Após o jogo, Dorival chegou a citar um "apagão" de concentração da equipe.
Análise fornecida pelo Sofascore sobre os gols sofridos e marcados pelo São Paulo com Dorival Jr.
| Tempo de jogo | Gols sofridos | Gols marcados |
|---|---|---|
0-15 minutos (1º tempo) | 0 | 3 |
16-30 minutos (1º tempo) | 0 | 3 |
31-45 minutos (1º tempo) | 0 | 1 |
46-60 minutos (2º tempo) | 4 | 0 |
61-75 minutos (2º tempo) | 1 | 1 |
76-90 minutos (2º tempo) | 4 | 0 |
Ataque ineficiente
Os números da segunda etapa contrastam com o desempenho da primeira etapa. Isso porque o início de jogo do São Paulo tem sido "de manual", pelo menos na análise fria dos dados. Bem ou mal em campo, a defesa saiu zerada nos nove jogos com Dorival e marcou sete dos oito gols, sendo que seis deles saíram até os 30 minutos do primeiro tempo. Entretanto, o mesmo ataque que inicia as jornadas bem é ineficiente e não balançou as redes nos 15 minutos finais de nenhum confronto.
Importante ressaltar que a análise não passa o panorama exato de como o São Paulo tem jogado, já que questões subjetivas como o desempenho tático e outros fatores de "sorte", como defesas do goleiro Rafael e chances desperdiçadas pelo adversário, não são contabilizadas.
Mas os números ajudam a construir e explicar o cenário de dificuldade do São Paulo. Ao marcar e sair na frente do placar, o Tricolor não sabe como reagir à nova postura do rival, que naturalmente tende a mudar o comportamento em busca de empatar e virar a partida. As mudanças feitas pelo treinador rival têm surtido efeito, seja mais cedo ou mais tarde.
E se taticamente a equipe não tem correspondido às mudanças necessárias, o time não tem encontrado em suas peças individuais uma saída para vencer os jogos. A segunda etapa, por ser a mais frágil para a defesa, necessita de uma participação maior do sistema ofensivo para marcar e igualar o cenário ou voltar a colocar o São Paulo em vantagem. Mas é justamente nesse recorte que os gols têm "sumido".
O único jogo em que o São Paulo não sofreu gols foi contra o Boston River, pela última rodada da fase de grupos da Sul-Americana, em que o Tricolor já estava classificado ao mata-mata. Deixando de lado a péssima qualidade técnica do rival, vale ressaltar que o confronto foi o único sob o comando de Dorival em que a equipe conseguiu marcar dois gols em sequência, o que ainda abriu uma vantagem numérica no placar contra o adversário. Nas demais oportunidades, marcou um ou nenhum gol na partida.
Seja contra o Coritiba no sábado ou na próxima terça-feira contra o Bolívar, que vale vaga nas quartas de final da Sul-Americana, Dorival Jr. tem um ajuste claro e necessário a ser feito. Se o objetivo do São Paulo é ter mais protagonismo na temporada, não há como ter um desequilíbrio tão grande no desempenho defensivo dentro das mesmas partidas.
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