Mirando candidatura à presidência do São Paulo, Caboclo carrega acusações de assédio
Caboclo foi o primeiro nome que se manifestou mirando candidatura

Rogério Caboclo oficializou que se coloca à disposição para ser candidato à presidência do São Paulo. Com as eleições para acontecer no final do ano, Caboclo é o primeiro candidato confirmado na disputa. Porém, o passado e histórico do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol têm gerado um mal-estar entre membros do conselho e da cúpula tricolor.
A polêmica principal remete à acusação de assédio sexual enfrentada por Caboclo quando ainda estava no comando da CBF, em 2021. Lance! reviu documentos e arquivos sobre o caso e entrou em contato com fontes para entender a temperatura e como as polêmicas têm ressoado internamente.
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Quem é Rogério Caboclo e como foi a acusação?
Rogério Caboclo é advogado, administrador e dirigente esportivo brasileiro, conhecido por ter presidido a CBF entre 2019 e 2021. Eleito em 2018 para um mandato que iria até 2023, deixou o cargo após ser afastado em meio a denúncias de assédio moral e sexual, além de ter enfrentado processos relacionados às acusações. No São Paulo, Caboclo é conselheiro vitalício desde 1998 e já ocupou cargos na diretoria do clube, como diretor financeiro e diretor-adjunto de marketing, no início dos anos 2000.
Os episódios de assédio envolvendo Rogério Caboclo vieram a público em junho de 2021, quando ele ocupava a presidência da CBF. A acusação partiu de uma funcionária, que trabalhava com Caboclo na entidade à época. Trechos de áudios gravados por ela foram divulgados pelo programa "Fantástico", da TV Globo. As gravações tinham sido feitas em 16 de março de 2021, na sala da presidência da entidade.
Em um dos trechos, Caboclo conversa com a funcionária e faz perguntas sobre a vida pessoal e sexual dela. A conversa começa com o dirigente questionando se ela tinha algum envolvimento com dois funcionários da CBF, chamados pelos apelidos de "Cabeção" e "Pilotão". A funcionária responde que não estava interessada em nenhum dos dois e afirma que conseguia ficar bem sozinha.
Na sequência, Caboclo oferece uma taça de vinho e pergunta se pode fazer uma pergunta sobre a vida sexual dela. A funcionária tenta interromper o assunto e afirma que não quer se envolver na vida pessoal do dirigente e de sua esposa. Caboclo, então, deixa claro que a pergunta seria sobre a vida dela. Ele questiona se ela conseguia "resistir" a um colega de trabalho que, segundo ele, dava em cima dela diariamente. A funcionária responde que os dois eram amigos e explica que ambos dividiam o apartamento, mas dormiam em cômodos diferentes.
Mesmo após a resposta, Caboclo insiste no assunto e, depois de perguntar novamente se poderia fazer outra pergunta, questiona diretamente: "Você se masturba?". A funcionária encerra a conversa, diz que não quer falar sobre aquilo e avisa que comunicaria o episódio a um diretor da CBF.
Além dos áudios, a denúncia apresentada ao Comitê de Ética da CBF relatou outro episódio, classificado como assédio moral, ocorrido cerca de uma semana antes da gravação. Segundo o relato, durante uma jornada de trabalho na casa de Caboclo, em São Paulo, o dirigente, após consumir bebida alcoólica, passou a chamar a funcionária de "cadelinha". Em determinado momento, teria oferecido a ela biscoitos destinados a cães e, após ser repreendido, passou a imitar latidos na frente da funcionária.
Os áudios e os relatos apresentados pela funcionária foram utilizados no processo instaurado dentro da CBF. O caso resultou no afastamento de Rogério Caboclo da presidência da entidade, além de desdobramentos nas esferas esportiva e judicial.
Em contato com a reportagem, na oficialização da candidatura, o documento que registrou a confirmação da candidatura de Rogério Caboclo alegou que "as acusações apresentadas contra Rogério Caboclo durante sua passagem pela CBF foram analisadas pela Justiça e não resultaram em condenação criminal. Em um dos casos, o Ministério Público propôs uma transação penal, posteriormente homologada pela Justiça. O acordo não representou reconhecimento de culpa e determinou a destinação de R$ 100 mil a duas organizações não governamentais, uma voltada ao combate à violência contra a mulher e outra dedicada ao cuidado de animais abandonados". No mais, o processo existiu e foi comprovado com os áudios na justiça.
A liminar foi concedida em janeiro de 2024.

Apoio de diretora de futebol feminino tem incomodado
Nos últimos dias, Rogério Caboclo organizou um jantar com membros da cúpula tricolor, como Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo, conselheiros e uma figura que tem gerado uma certa revolta e barulho nos bastidores: a presença da diretora de futebol feminino, Cleo Prado. De acordo com algumas fontes ouvidas pelo Lance!, parte deste incômodo é pela dirigente ser representante de "um espaço feminino" e apoiar Caboclo, mesmo com todo histórico de assédio contra uma mulher. Outras pessoas entendem que é como se Cléo, que faz parte da gestão atual de Harry Massis, tivesse rompido com essa chapa.
O Lance! teve acesso a um documento que indica que, mesmo presente, Cléo ainda não teria demonstrado se iria apoiar ou não.
O vídeo foi vazado na última semana. Em nota, Olten Ayres de Abreu oficializou que deve apoiar Caboclo também, alegando que seria "uma posição política legítima".
Próximos passos
Caboclo se colocou à disposição, mas ainda não lançou uma chapa oficialmente, precisando do apoio de 55 vitalícios. No mais, foi o único nome que se manifestou até então. Mais movimentações devem surgir nas próximas semanas. As eleições serão no final do ano.
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