Dorival é 'copeiro'? Veja comparação entre mata-mata e Brasileiro
Tricolor volta a olhar para o Brasileirão no final de semana

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Dorival Júnior foi provocado, na coletiva após a vitória sobre o Bolívar, pela Copa Sul-Americana, sobre a fama de técnico mais competente em mata-mata do que no Campeonato Brasileiro. A pergunta tocou num ponto sensível. O técnico do São Paulo tem, ao longo da carreira, um rendimento visivelmente superior nas copas do que em pontos corridos. O Lance! analisou seus aproveitamentos.
Mas, antes, é preciso entender o que está por trás da resposta do técnico. Dorival optou por justificá-lo pela circunstância. Segundo o treinador, em boa parte da carreira ele comandou equipes com estrutura para brigar por título em mais de uma frente.
— Isso de copeiro é muito relativo. Tive uma oportunidade com o Vasco, fui duas vezes vice-campeão brasileiro. Eu também conheço os caminhos de uma competição desse tipo. É que, na maioria das vezes, eu sempre tive um time que me deu possibilidade de buscar títulos de outra forma, e nunca abri mão disso. Não quer dizer que priorizei esse tipo de campeonato. No Flamengo, em 2002, quando ninguém mais acreditava, saímos da 16ª colocação para a vice-liderança, ganhamos a Copa do Brasil e a Libertadores. Naquele momento, tive que fazer uma opção. Quando é assim, vamos optar. Nesse momento, não temos essa condição. Temos que estar focados no Brasileiro. E vocês vão perceber que tenho essa aptidão. Eu também sei ganhar em Campeonato Brasileiro — explicou Dorival Júnior.

Entenda os números: a distância entre mata-mata e Brasileirão é real
A carreira de Dorival Júnior sustenta, com dados, a percepção que ele tenta relativizar. Na Copa do Brasil, o técnico soma 87 jogos, com 56 vitórias, 16 empates e 15 derrotas, em aproveitamento de 70,9%, o mais alto entre as três competições analisadas. Na Copa Sul-Americana, foco atual do Tricolor, são 27 partidas, com 16 vitórias, seis empates e cinco derrotas, para 67,9%. No Brasileirão, a amostra salta para 539 jogos, mas o aproveitamento cai para 55,9%, com 216 vitórias, 142 empates e 181 derrotas.
O detalhe é que a diferença entre a melhor e a pior marca não é pequena. Ao todo, são 15 pontos percentuais separando o rendimento de Dorival na Copa do Brasil e no Brasileirão ao longo de toda a carreira. Ou seja, a fama de "copeiro" vem de estatística também.
A produção ofensiva segue o mesmo padrão. Na Copa do Brasil, Dorival marcou 171 gols em 87 jogos, média de 1,97 gol por partida. Na Sul-Americana, são 43 gols em 27 jogos, média de 1,59. Já no Brasileirão, apesar de somar o maior número absoluto de gols da carreira (749), a média cai para 1,39 gol por jogo, a mais baixa das três competições. Os dados são todos do Sofascore.
No São Paulo, os números também chamam atenção
Se na carreira geral a diferença já é expressiva, pelo São Paulo ela se torna ainda mais evidente. Na Copa do Brasil, Dorival tem 77,8% de aproveitamento em 12 jogos, nove vitórias, um empate e duas derrotas, com 17 gols marcados e sete sofridos, saldo positivo de dez gols em apenas 12 partidas. É a mesma competição que rendeu ao técnico o título de 2023, o primeiro do São Paulo na Copa do Brasil.
Na Copa Sul-Americana, o aproveitamento é de 64,9% em 12 jogos, com sete vitórias, três empates e duas derrotas. Os números ofensivos também impressionam. São 20 gols marcados contra apenas seis sofridos, média de 1,67 gol marcado por partida e apenas 0,5 gol sofrido, e a defesa mais sólida entre as três competições disputadas por Dorival à frente do Tricolor.

Enquanto isso, no Brasileirão, em 69 jogos, são 24 vitórias, 23 empates e 22 derrotas. Os 80 gols marcados e 79 sofridos resultam em saldo positivo de apenas um gol em quase 70 partidas, média de 1,16 gol marcado e 1,14 sofrido por jogo.
A conta fecha de forma direta: a diferença de aproveitamento entre a Copa do Brasil e o Brasileirão pelo São Paulo chega a 27,1 pontos percentuais, a maior distância entre todas as passagens de Dorival analisadas nesta comparação.
Fechamento: Chapecoense cobra virada de chave urgente
A vitória sobre o Bolívar garante ao São Paulo a sequência na Copa Sul-Americana, mas não resolve o problema estatístico que a própria fala de Dorival expôs. O Tricolor volta as atenções ao Brasileirão neste domingo (23), diante da Chapecoense, em confronto que acontece fora de casa.
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