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Crise no futebol aumenta pressão política no São Paulo às vésperas da eleição

Tricolor tem eleições marcadas para o final do ano

PorIzabella GiannolaSão Paulo (SP)
28/08/2026 06:45
Elenco do São Paulo reunido contra a Chapecoense
São Paulo vive crise em todas as instâncias (Foto: Liamara Polli/AGIF/Folhapress)

A crise esportiva vivida pelo São Paulo tem cada vez mais ultrapassado os limites do campo e a ganhado peso dentro da política do clube. A sequência de dez jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro, os atrasos nos direitos de imagem e as dificuldades encontradas pela diretoria para reforçar o elenco passaram a fazer parte das discussões entre os diferentes grupos que se movimentam para a eleição presidencial de dezembro.

Embora, por parte de muitos treinadores que passaram no comando neste ano, a conversa era de blindar o elenco destes assuntos, os acontecimentos recentes mostram que existe sim um tipo de influência. Um dos exemplos foi a ida da Independente, principal organizada do São Paulo, ao SuperCT para conversar com jogadores e lideranças.

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O momento é especialmente delicado porque o São Paulo atravessa, ao mesmo tempo, uma disputa por mudanças na estrutura política e de governança do clube. A reforma estatutária, que previa alterações na distribuição de poderes e na fiscalização, foi rejeitada pelo Conselho Deliberativo nesta quinta-feira (27).

A reforma era defendida como uma forma de descentralizar o poder da presidência e diminuir a dependência do Conselho Deliberativo em decisões importantes. Entre os pontos discutidos estavam mudanças no Conselho de Administração, a presença de membros independentes e mecanismos de fiscalização sobre contratos e decisões financeiras. A proposta, porém, não avançou diante do peso dos votos dos grupos que compõem a situação.

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Participação Tricolor, Legião Tricolor, Sempre Tricolor, Vanguarda Tricolor e Somos São Paulo formam parte importante dessa base política. A avaliação entre os grupos que votaram contra a reforma era de que houve pouco tempo para discutir o conteúdo das mudanças e que o tema deveria ser tratado posteriormente, com mais espaço para debate. A maioria numérica acabou sendo determinante para a rejeição de todos os tópicos que estavam em discussão.

Massis assistindo coletiva pelo São Paulo
Grupos da gestão atual foram maioria em votação (Foto: Renato Gizzi/E.Fotografia/Folha Press)

Torcidas também têm se movimentado

Fora do Conselho, isso também refletiu. Desde o começo da semana, as discussões estavam crescendo e se alastrando entre a torcida. As organizadas, por sua vez, divergindo. A Independente, maior torcida organizada do São Paulo, se posicionou publicamente contra a reforma estatutária e passou a fazer cobranças mais diretas aos grupos políticos do clube. O movimento acontece justamente em um momento em que a insatisfação com o futebol também aumentou, depois da derrota por 1 a 0 para a Chapecoense, lanterna do Brasileirão, que levou a equipe a dez partidas consecutivas sem vitória na competição.

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A torcida já prepara novos atos para o próximo sábado, quando o São Paulo recebe o Bragantino, no Morumbis. Independente e Falange divulgaram uma programação que começa às 13h, com um protesto no clube social. A previsão é de que sejam utilizadas faixas e bandeiras, tudo como forma de protesto - mas direcionados a este setor mais político, e não somente o futebol.

Torcida do São Paulo protesta antes da partida contra o Ceará no Morumbis
Torcida deve fazer protesto na frente do Morumbis neste sábado (Foto: Jota Erre/AGIF/ Folhapress)

A programação continua às 17h, com a recepção do ônibus do elenco, e às 19h, quando está prevista uma união das baterias que acompanham as arquibancadas. A ideia é ampliar a mobilização antes do confronto pelo Campeonato Brasileiro e transformar o entorno do estádio em um espaço de manifestação também contra a condução política do clube.

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A Dragões da Real não assinou o manifesto divulgado contra a reforma estatutária. Segundo o que o Lance! ouviu, no entanto, a torcida - até então -, deve participar dos atos programados para sábado. O movimento, portanto, não se restringe apenas à cobrança pelo desempenho da equipe e passa também pela insatisfação com decisões tomadas na esfera política.

Direitos de imagem entram no debate

Dentro do elenco, outro assunto que ganhou força nos últimos dias são os atrasos nos direitos de imagem. O Lance! apurou que existem jogadores com pelo menos três meses de pagamentos pendentes, enquanto há casos em que o período é ainda maior. A situação varia de atleta para atleta porque os direitos de imagem não seguem necessariamente o mesmo calendário dos salários.

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Os pagamentos são estabelecidos nos contratos e, em muitos casos, divididos em parcelas bimestrais ou trimestrais. Por isso, o atraso não significa necessariamente que determinado jogador esteja sem receber a parcela correspondente a cada mês. Ainda assim, a pendência se arrasta há alguns meses e voltou a ser discutida internamente.

Antes do agravamento da situação, o São Paulo tinha acordos com jogadores para organizar esses pagamentos. A reportagem ouviu que esse modelo já vinha sendo debatido internamente e que o assunto não surgiu apenas agora. Durante o período em que Hernán Crespo comandava a equipe, por exemplo, a questão dos direitos de imagem já era conhecida e também atingia integrantes da comissão técnica.

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São Paulo em campo
São Paulo em campo (Foto: Liamara Polli/AGIF/Folhapress)

Eleição de dezembro entra no radar

Todo esse cenário acontece a poucos meses da eleição presidencial do São Paulo. A oposição começa a se organizar em torno de Marcelo Portugal Gouvêa, nome que ganhou força nos últimos dias e é visto internamente como uma alternativa capaz de reunir diferentes setores. Do outro lado, a situação ainda procura um candidato para representar os grupos que atualmente sustentam a estrutura política do clube.

O ambiente esportivo inevitavelmente passou a fazer parte dessa disputa. A avaliação de conselheiros e integrantes dos grupos políticos sobre a atual administração também é influenciada pelo desempenho do futebol.

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A reforma estatutária acrescentou mais uma camada à disputa. Para a oposição, a rejeição da proposta mostra a dificuldade de alterar uma estrutura na qual a situação possui maioria no Conselho. O Lance! ouviu que mesmo se trocar o comando por um nome da oposição, existe uma "necessidade percebida entre esse grupo quanto a necessidade de também reformar o Conselho".

O jogo contra o Bragantino, neste sábado, será disputado dentro desse contexto. Além da necessidade de interromper a sequência sem vitórias, será um grande medidor da temperatura das próximas semanas - tanto dentro quanto fora das quatro linhas.

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