Como o São Paulo garimpa os garotos que Dorival tem usado?
Scout do Tricolor encontrou promessas que entraram no radar de Dorival

A janela de transferências do São Paulo foi mais limitada que o normal. Com o caixa limitado, o time começou a buscar soluções caseiras, em Cotia. Desde a sua primeira passagem, Dorival Júnior sempre demonstrou que gosta de trabalhar com a base. Nos últimos meses, Dorival Júnior relacionou João Pedro, Igor Felisberto, Osório, Isac, Nicolas, Djhordney, Pedro Ferreira, Tetê, Ryan Francisco, Lucca e Gustavo Santana. Porém, alguns destes nomes - inclusive destaques como Gustavo Santana -, foram encontrados pelos profissionais de scout de Cotia.
O atacante de 20 anos assumiu a vaga de Jonathan Calleri durante a lesão do argentino e marcou na vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, no Morumbis, que encerrou uma sequência de dez jogos sem vitória no Brasileirão. Antes de chegar ao São Paulo, ele tinha sido comprado pelo Cuiabá, treinado com o profissional e não emplacado sequência. Estava, em termos de mercado, disponível e barato. Além dele, Isac e Djhordney, que também ganharam espaço no profissional, também foram "achados" neste processo.
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Luan Henrique Faria Carillo, coordenador de Mercado e Captação do São Paulo, conversou com o Lance! e explicou este processo.
- Tudo parte de duas portas de entrada: a indicação externa, quando alguém de fora aponta um jogador, e a indicação interna, vinda da nossa própria estrutura. A partir daí, fazemos uma análise prévia — o atleta pode seguir para monitoramento ou ser descartado logo ali, dependendo do encaixe com o que buscamos - explicou Luan.
Entenda como o scout encontrou e trabalhou com Isac, Djhordney e Gustavo Santana
No caso de Djhordney, o clube não acompanhou apenas o atleta, mas também o cenário contratual. O volante pertencia ao Novorizontino e estava emprestado ao Palmeiras. O departamento monitorou de perto o vínculo e identificou a possibilidade de devolução. A partir disso, se antecipou aos concorrentes e conseguiu primeiro o empréstimo sem custos e, posteriormente, a compra do jogador.
Com Gustavo Santana, o caminho foi diferente. O São Paulo apostou em um jogador que havia perdido espaço no mercado. Destaque na Copa São Paulo de 2024, o atacante não conseguiu ter sequência no Cuiabá. Os indicadores internos, porém, apontavam potencial, e o clube optou por uma operação de baixo risco, inicialmente por empréstimo, antes de efetivar a compra. Hoje, se tornou um dos "queridinhos" de Dorival Júnior e saiu na frente de outros nomes até mais experientes, como André Silva.

Já a situação de Isac exigiu uma postura mais agressiva. Com passagens pelas seleções de base e já relacionado pelo profissional do Red Bull Bragantino, o jogador começou a despertar o interesse de outros clubes. Para evitar que a concorrência avançasse, o São Paulo se antecipou e investiu cerca de R$ 1 milhão na contratação.
O trabalho também não está restrito a esses três jogadores. Lucyan e Matheus Ferreira já vêm aparecendo nos treinamentos do elenco profissional e aguardam uma oportunidade. Além dele, outro nome tem chamado atenção internamente: Marvin Ávila, que veio da Guatemala e também está no radar. Segundo Luan, os dois apresentam indicadores considerados consistentes e podem, no futuro, gerar retorno esportivo e financeiro ao clube.
A ideia do departamento, portanto, é evitar que essas movimentações sejam tratadas como apostas isoladas. Segundo Luan, existe um processo que passa por observação constante, análise de dados e decisões tomadas em conjunto. Em alguns casos, isso permite ao São Paulo agir antes que o jogador desperte a atenção de outros clubes.
- Todos passaram pelo mesmo funil: observação constante, dados organizados e decisão colegiada no momento certo, o que muitas vezes agindo antes da concorrência, com base em informação e não em impulso. É exatamente essa disciplina de processo que buscamos manter em cada movimento do departamento - concluiu.
Essa linha de trabalho é aplicada pelo São Paulo desde o Sub-15 até o Sub-20. Nas categorias mais jovens, do Sub-9 ao Sub-14, o processo funciona principalmente por meio de uma captação ativa, com observações em projetos, competições regionais, escolas do São Paulo e outros espaços.
Além disso, existe uma integração constante com o departamento de mercado do profissional, com reuniões presenciais e on-line para compartilhar informações e aproximar os processos da base e da equipe principal.
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