(DP caso Santos)

4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia fica no centro de São Paulo, na sede do DHPP (Foto: Ana Canhedo/Lancepress!) 

Ana Canhedo
20/04/2018
14:21
São Paulo (SP)

A Polícia Civil de São Paulo espera pelo depoimento de Ricardo Marco Crivelli, o Lica, em até duas semanas. Afastado do cargo de coordenador das categorias de base do Santos, Lica é acusado de abuso sexual por Ruan Pétrick, jovem de 19 anos, que alega ter sido molestado quando tinha apenas 11 anos e almejava uma vaga na base santista. O caso está entregue à 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, que fica na sede do DHPP, no centro de São Paulo. 

Até agora, os investigadores tem em mãos o depoimento de Ruan e de mais uma testemunha, que confirmou a primeira versão do caso e disse ainda ter negado as investidas de Lica, que também teria tentado lhe abusar. O caso, como todos que envolvem pedofilia, é mantido em segredo de Justiça.

A Polícia agora tenta colher mais provas e testemunhos para, assim, colher o depoimento do acusado. Como o abuso teria ocorrido em 2010, há oito anos, será difícil alguma prova material mais concreta do que testemunhos, na visão de pessoas ligadas à investigação, o que pode dificultar a sentença.  

Entenda o caso
​Ruan Pétrick alega ter sido abusado em 2010, quando almejava uma vaga na base do Santos. Na noite do suposto abuso, teria dormido na casa de Luciano Pereira, o Belém, um antigo amigo de seu pai, Régis, e responsável por apresentar Lica ao garoto. Nesta casa, o hoje coordenador e antes olheiro do Peixe teria acariciado as partes íntimas de Ruan e lhe feito sexo oral. Dias depois, o garoto teria conseguido a vaga no clube.  

Antes de chegar à casa de Belém, porém, Ruan, segundo consta no Boletim de Ocorrência, teria passado alguns dias em dormitório em São Paulo. Vindo do Pará, o garoto de 11 anos foi recebido por Ronildo Borges de Souza, que hoje cumpre pena de oito anos em regime fechado por cárcere privado de menores. Ali, teria acontecido o primeiro abuso. Não de Lica. Mas de Ronildo.

Quando Ruan foi liberado da casa de Ronildo, pediu ajuda a seu pai, Régis, sem lhe contar que havia sido molestado. Régis acionou Belém, um antigo amigo. Então, o garoto de apenas 11 anos foi parar na casa de Belém.

Régis, pai de Ruan, só ficou sabendo dos supostos abusos, tanto de Lica, quanto de Ronildo, na semana passada, após depoimento de seu filho à Polícia. O caso veio à tona depois de Ruan, que nunca conseguiu se firmar como jogador de futebol, ter tentado fazer novo teste no Santos e ter tomado conhecimento da presença de Lica no clube. 

- Meu filho desistiu de fazer o teste e tentar entrar no Santos quando soube que era Lica quem ainda estava no clube. Eu comecei a achar estranho, fui me encontrar com ele e aí ele me contou toda a história. É muito triste, me sinto perturbado. Não quero que ninguém tenha pena de nós, mas não quero que tentem desqualificar meu filho, o que aconteceu é muito grave, muito triste - disse Régis, por telefone, ao LANCE!

Enquanto a defesa de Ruan espera pelo desdobramento do caso, a defesa de Lica, alega ter provas que desmentem a versão do garoto e convicção que o coordenador será absolvido.