Quando faltou o hino, sobrou Oscar: a noite que o Brasil calou os EUA dentro de casa
Secretário-Geral da CBB, Carlos Fontenelle, recordou momento emblemático na vitória histórica da Seleção brasileira sobre os Estados Unidos

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" class="font-bold break-normal hover:underline" style="color:rgb(0,95,191)" target="_blank">A morte do eterno "Mão Santa", nesta última sexta-feira (17), trouxe à tona uma das histórias mais curiosas e simbólicas do esporte nacional. No dia 23 de agosto de 1987, quando a Seleção Brasileira de basquete operou o "milagre de Indianápolis" ao bater os Estados Unidos por 120 a 115, a organização foi pega de surpresa. Confiantes no título antecipado, os anfitriões não haviam disponibilizado o hino brasileiro para a cerimônia de premiação, pois não acreditavam na possibilidade de uma derrota.
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A revelação, resgatada em tom de saudade pelo Secretário Geral da CBB, Carlos Fontenelle, após o anúncio da partida de Oscar, ilustra o tamanho da façanha. Sem o áudio oficial nos alto-falantes da Market Square Arena, coube aos organizadores atrasar a cerimônia de premiação para buscar o hino no ginásio de futebol, selando a primeira derrota americana em solo nacional.
— E uma coisa interessante é que não tinha o Hino Nacional brasileiro no ginásio. Eles não esperavam perder para o Brasil. Tiveram que ir buscar o Hino Nacional para colocar no pódio com o nosso Oscar lá.
A explosão de Oscar e a revolução das cestas de três pontos
Se os organizadores ignoraram o hino, Oscar Schmidt tratou de garantir que eles nunca esquecessem o seu nome. Após uma primeira etapa discreta, com apenas 11 pontos, o ala explodiu no segundo tempo para anotar 35 dos seus 46 pontos totais. O Brasil, que perdia por 14 pontos no intervalo, buscou uma virada histórica baseada em cestas de três pontos, uma estratégia incomum para a época.
Com sete bolas de três pontos convertidas apenas por Oscar, o Brasil provou que o basquete internacional havia evoluído. O jogo ficou registrado como o início da "Revolução dos 3", mudando para sempre a dinâmica tática do esporte ao redor do globo.
— Aquele Pan-Americano de 1987 e aquela reação espetacular ajudaram a mudar o panorama do basquete mundial. Eles focaram nos arremessos de três pontos e conseguimos ganhar na casa dos Estados Unidos, de um time pelo qual todos passaram pela NBA. A partir daquela derrota dentro de casa, os profissionais da liga começaram a atuar pela seleção e tivemos o primeiro "Dream Team" em 1992 — relembrou Carlos Fontenelle.
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O nascimento do "Dream Team"
O impacto da vitória brasileira foi tão profundo que serviu de combustível para a criação do lendário Dream Team. David Robinson, pivô americano que sentiu o peso da derrota em 1987, admitiu anos depois que aquele revés foi o catalisador para a convocação de astros da NBA.
A escolha de Oscar por não jogar na liga norte-americana para seguir defendendo o Brasil, já que as regras da Fiba na época exigiam essa renúncia, encontrou seu auge naquele momento em Indianápolis. Para o "Mão Santa", o hino valia mais do que qualquer contrato milionário.
Legado imortal
Oscar Schmidt nos deixou aos 68 anos, vítima de uma parada cardíaca em sua residência, mas sua história permanece viva em cada arremesso do perímetro. Ele não apenas derrotou os gigantes do basquete; ele forçou um país inteiro a procurar, às pressas, a música de uma nação que acabara de conquistar o mundo.

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