'O Corinthians merece isso': o processo do Timão à semifinal inédita do NBB
Em entrevistas exclusivas, Cauê Borges e Guilherme Teichmann comentam sobre o resultado histórico e o legado do Corinthians no basquete

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O basquete do Corinthians teve início em 1928, logo após a inauguração do Parque São Jorge. Desde então, são 14 Campeonatos Paulistas, quatro Campeonatos Brasileiros (1965, 1966, 1969 e 1996) e três Campeonatos Sul-Americanos (1965, 1966 e 1969).
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Já no NBB, o Corinthians faz história na temporada atual. Pela primeira vez, a equipe se classificou para as semifinais da competição.
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História do Corinthians no basquete
A era de ouro do Timão foi na década de 1960, quando Wlamir Marques (que hoje carrega o nome do ginásio do Corinthians) chegou ao time. Além dos títulos da época, o Corinthians venceu o bicampeão europeu, Real Madrid, em 1965, e foi vice-campeão do primeiro Mundial Interclubes, em 1966. Na década de 1990, foi a vez de Oscar Schmidt escrever sua parte na história do clube.
Mas mesmo com a história vitoriosa, o Corinthians ficou anos sem uma equipe profissional de basquete, reativando a modalidade no fim de 2017. Em entrevista ao Lance!, Cauê Borges, ala do Corinthians, destaca o peso de vestir uma camisa com tanta tradição no esporte.
- Se a gente está lá hoje, é por causa deles: Wlamir Marques, Oscar Schmidt, todas as pessoas que tiveram passagem por lá, fizeram as pessoas do Corinthians conhecerem o esporte e foram campeões. Não é à toa que a nossa quadra tem o nome do Wlamir. É uma honra e muito gratificante fazer parte desse time.
Cauê ainda explica que esses ídolos do passado foram importantes não só para o legado, mas também para construir a emoção do público pelo basquete no clube. Alguns desses ex-atletas, como Pixulé, que faleceu este ano, também foram sócios do clube e iam assistir a diversas partidas no ginásio do Parque São Jorge.
Em outra exclusiva, Guilherme Teichmann, ex-pivô do Corinthians, também comenta sobre a camisa pesada do clube. Segundo o ex-jogador, o Timão se destaca não só pelo legado, mas também pela instituição em si e pela torcida apaixonada.
- O próprio Wlamir Marques esteve várias vezes nos jogos. Ele ia ao ginásio e acompanhava. Então, era sempre bem legal seguir essa tradição que o clube criou lá atrás e que ficou parada por muito tempo.
O último título do Corinthians foi em 2018, na primeira tentativa do clube de chegar ao NBB. Na ocasião, o Corinthians fez uma campanha de destaque na Copa Ouro e foi campeão, resultado que garantiu a vaga na maior liga de basquete do Brasil.
Guilherme Teichmann foi um dos reforços do time para a primeira temporada no NBB, logo após a conquista da Copa Ouro. O atleta destacou que, desde o início, o Corinthians montou um elenco competitivo e experiente.
- Eu lembro que foi até cogitado nós fazermos um jogo na pré-temporada com a NBA naquela época. Então, o caminho da evolução é natural. A questão é manter isso, manter os bons resultados, manter a equipe em um patamar competitivo. Acho que o Corinthians fez muito bem.
Em 2019, o Timão ainda chegou às finais da Sul-Americana, mas perdeu para o Botafogo. Apesar de vencer o jogo de ida no Rio de Janeiro, a equipe paulista perdeu os dois jogos em casa. Na época, Cauê Borges estava na equipe carioca e foi eleito MVP do torneio. Jece Leite, treinador do Corinthians, também estava no Botafogo como auxiliar de Léo Figueiró. "Foi um baque bem forte para a gente, mas muito mérito da equipe do Botafogo", comentou Teichmann.
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Semifinal inédita do NBB
Para Guilherme Teichmann, além da amizade entre o elenco, a principal identidade do time de 2018 era a ligação com a torcida. Em 2026, isso não mudou. Cauê Borges destacou a Fiel Torcida no terceiro jogo das semifinais do NBB contra o Pinheiros, que lotou o Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques.
A partida contou com 8.171 torcedores, o que representa o recorde de público do Corinthians no NBB. Na visão de Cauê, a demonstração de apoio da torcida pode ser importante não só para o restante da série, mas também para afastar os rumores de fim da modalidade no clube, que ocorreram no final do ano passado.
- O último jogo foi muito marcante pra mim, em um ginásio com oito mil pessoas. A torcida do Corinthians gritando o tempo todo e apoiando, independente do placar. 15 pontos atrás e eles não paravam de cantar, não paravam de motivar a gente. Foi uma coisa muito legal e fico muito contente de ter vivido esse momento.
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Outro ponto que deve afastar a concretização do rumor sobre o fim da modalidade no Corinthians é a própria classificação do time para uma semifinal inédita no NBB. Cauê Borges, na equipe desde 2022, acredita que o principal fator para a campanha foi a continuidade do projeto.
- Do ano em que eu cheguei até esse ano, já teve três técnicos. Acho que isso acaba atrapalhando. Do ano passado para esse, mantiveram o Jece e a maioria dos jogadores. Então, o time conseguiu dar uma continuidade e isso ajuda bastante para ter um grupo mais sólido.

Guilherme Teichmann também acredita que o ponto principal do projeto atual foi a continuidade. O ex-jogador destaca o trabalho do treinador Jece Leite e o processo de montagem do elenco, e acredita que o próximo passo seja buscar investimentos e patrocinadores para desviar das dificuldades financeiras no basquete do clube.
Um dos nomes de liderança do time, Cauê Borges se sentiu emocionado por participar da campanha histórica do time. Segundo o jogador, o Corinthians melhora suas estruturas ano a ano e está no caminho certo para a busca por títulos.
- Fico muito contente de estar jogando pelo Corinthians e de ter conseguido colocar o time onde ele merece, que é uma semifinal, uma final, um título. O Corinthians merece isso.
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