Entenda por que Oscar Schmidt disse 'não' à NBA
Nesta sexta (17), a lenda do basquete faleceu após ir ao hospital em São Paulo por decorrência de um mal-estar

O basquete brasileiro perdeu hoje sua maior referência. Oscar Schmidt faleceu na tarde desta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana de Parnaíba (SP). O ex-ala havia sido internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana após apresentar um mal-estar, mas não resistiu. Com uma carreira marcada por recordes e pelo amor incondicional ao Brasil, o "Mão Santa" deixa um legado de 49.737 pontos e uma história de lealdade à camisa verde-amarela que atravessou gerações.
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O dilema de 1984: Seleção ou NBA?
A oportunidade de ouro surgiu no emblemático Draft de 1984, o mesmo que revelou Michael Jordan e Charles Barkley. Selecionado pelo New Jersey Nets (hoje Brooklyn Nets), Oscar enfrentou um obstáculo burocrático da época: as regras da FIBA impediam que atletas da liga norte-americana defendessem suas seleções nacionais.
Diante da encruzilhada, o "Mão Santa" não hesitou. "Não ia trocar nunca a seleção brasileira por um time da NBA. Só faltava essa. Jogar na seleção se joga pelo país", declarou o craque em entrevista ao podcast Ticaracatica em 2023. A escolha rendeu frutos históricos, como o título do Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos, onde Oscar anotou 46 pontos na épica vitória sobre os americanos.
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O segundo convite e a frieza do ídolo
A chance de atuar nos Estados Unidos bateu à porta novamente após os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Naquela altura, a proibição da FIBA já havia caído — permitindo o nascimento do "Dream Team" —, mas o brasileiro voltou a recusar o convite. O motivo, desta vez, foi a autocrítica severa sobre sua forma física.
"Não fui porque não queria fazer vexame. Não quero fazer vexame em lugar nenhum", revelou ao programa Bola da Vez. Em 2007, Oscar reafirmou que jamais se arrependeu da decisão, priorizando sua imagem de alto nível e sua história com a Amarelinha.
Um legado imortal
A ausência nas quadras americanas não diminuiu seu prestígio na terra do basquete. Em 2013, o brasileiro foi introduzido no Hall da Fama do Basquete nos Estados Unidos, uma honraria reservada aos imortais do esporte. Considerado pela FIBA um dos 50 maiores jogadores de todos os tempos, Oscar Schmidt provou que não precisou da NBA para que o mundo se curvasse ao seu talento; bastaram sua mão santa e seu amor pelo Brasil.

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