Verônica saboreia pratas após quase perder Parapan devido aos tumores
Velocista teve mobilidade comprometida e ganho de peso devido ao tratamento, e quase ficou fora dos Jogos de Lima: 'Foi tudo muito maluco, mas eu queria brigar pela medalha'

A brasileira Verônica Hipólito tenta aproveitar ao máximo a pista de atletismo do Estádio de atletismo de Videna. A velocista de 23 anos, que quase ficou fora dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, devido a mais um capítulo na luta incansável contra os tumores que seu corpo produz, não cansa de valorizar as pratas que conquistou na competição até o momento.
Nesta terça-feira, a paulista chegou em segundo lugar nos 100m T37, com o tempo de 14s17. A americana Jaleen Roberts, que correu para 13s78, faturou o ouro. No dia anterior, Verônica havia conquistado o mesmo resultado nos 200m classe T37, também vencido por Roberts.
Em maio de 2018, a brasileira passou por mais uma das tantas cirurgias na vida e enfrentou dificuldades para retornar à melhor forma. Até hoje, já superou 200 tumores, um AVC, que levou a uma paralisia no lado direito do corpo, aos 14 anos e a retirada de 90% do intestino grosso.
Ela, que virou destaque no Mundial de atletismo paralímpico de Lyon, na França, em 2013, e chegou ao topo do pódio no Parapan de Toronto, em 2015, precisou se afastar das pistas naquele ano, após descobrir 200 pólipos, lesões com potencial de se tornarem um câncer maligno, no intestino grosso. Já precisou se submeter a quatro operações.
Devido ao sucesso no tratamento, conseguiu ganhar uma prata nos 100m T38 e um bronze nos 400m T38 nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Mas o tumor havia retornado e ela não pôde disputar o Mundial de 2017, em Londres.
Em abril de 2018, Verônica retirou a glândula da hipófise em novo um capítulo de sua batalha. A recuperação foi desafiadora, afinal, ela precisava repor hormônios. O tratamento levou à perda de mobilidade e ao ganho de peso, graças aos corticoides e ao hipotireoidismo.
Consequentemente, a atleta precisou mudar da classe T38, que reúne atletas com paralisia só de um membro do corpo, para a T37. No esporte paralímpico, quanto menor o número, maior é o grau da deficiência. Por pouco, não ficou fora do Parapan.
- Tinha tudo para dar errado! Este ano, ainda estava com dificuldades para andar. No ano passado, foi pneumonia, cirurgia, fístula. Quase tirei o músculo da perna para fazer o enxerto na cabeça, doença de Addison... Mas para quem trabalha duro e acredita, dá certo. Deu certo - disse a velocista, que teve a preparação comprometida para suas provas na competição.
- Estou conseguindo treinar pouquinho a pouquinho. Está difícil, mas tem muitas competições pela frente e vou até o final. Esperava entrar na casa dos 13s, mas, vou correr atrás. Consegui minha vaga aos 45 do segundo tempo, na última competição e na última prova possível. Foi tudo muito maluco. Mas eu queria brigar pela medalha - afirmou Verônica.
O índice nos 100m T37 para o Mundial de Doha, no Qatar, que acontece entre 27 de setembro e 6 de outubro, é de 13s38. A meta da atleta é correr na casa dos 13s60. Verônica ainda correrá o revezamento 4x100m em Lima nesta terça-feira, às 20h46 (de Brasília).
Nos 400m T20, Daniel Martins conquistou o ouro com 47s58 e cravou o novo recorde do Parapan.
No ciclismo de pista, o Brasil assegurou sua única medalha, com o ouro de Lauro Chaman. Ele confirmou o favoritismo na perseguição individual de 4.000m classes C 4-5 e levou a melhor sobre o colombiano Diego Dueñas.
No vôlei sentado, o Brasil venceu a Colômbia por 3 sets a 0 e avançou à decisão. Anderson Rodrigues foi o maior pontuador, com 12 acertos. Invicta, a Seleção brigará pelo ouro com os Estados Unidos, nesta quarta-feira, às 19h (de Brasília). Na fase de classificação, os brasileiros venceram por 3 a 1.
* O repórter viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)

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