Mayra Aguiar é hepta, e Brasil fatura 15 medalhas no Pan de judô
País levou sete ouros, cinco pratas e três bronzes no primeiro continental do ciclo olímpico

A brasileira Mayra Aguiar conquistou o hepta do Campeonato Pan-Americano de judô, em Lima, no Peru, e se tornou a atleta do país mais vitoriosa nesta competição. Ela venceu todas as lutas por ippon e mostrou que recuperou a forma depois da "ressaca" olímpica. Essa foi apenas sua segunda competição desde Tóquio e a primeira com medalha no peito.
- Eu não sabia que eram sete, não estava contando. Fico muito feliz, é um número bastante relevante. Estamos aí nessa caminhada faz anos, desde os 14 anos com a seleção brasileira, disputando títulos, competições. Então, estou muito feliz por mais esse ouro. Me motiva bastante. Foi minha segunda competição pós-Olimpíadas, não tinha competido já há bastante tempo. É muito bom poder chegar ao topo do pódio, anima bastante para as próximas competições do ano. Devo ter umas quatro ou cinco até o final e saio daqui bastante animada - avaliou Mayra, que tem 30 anos ainda e vai para o seu quinto ciclo olímpico.
'DOBRAS' VÃO AO PÓDIO
A Seleção Brasileira dominou o continental e fechou a disputa com 15 medalhas, sendo sete de ouro, cinco de prata e três de bronze, e manteve-se como principal força das Américas e Oceania, novidade para este ano. Foram seis medalhas na sexta, primeiro dia de disputa individual, e nove neste sábado, último dia de individual. Os atletas voltam ao tatame no domingo, para a competição por equipes mistas.
Todas as quatro "dobras" que a CBJ levou à Lima subiram ao pódio: Jéssica Lima (ouro) e Rafaela Silva (bronze) trouxeram o melhor resultado do 57kg desde 2013; Guilherme Schimidt (ouro) e Vinícius Panini (prata) fizeram o melhor resultado do Brasil no 81kg; Eric Takabatake (ouro) e Willian Lima (bronze), no pódio do 66kg; e Luana Carvalho (prata) e Maria Portela (bronze) dividindo o pódio do 70kg. Todos se enfrentaram nas chaves.
A novata Amanda Lima apareceu como grata surpresa, vencendo atletas mais experientes e se firmando como uma das principais da categoria ligeiro (48kg) no continente ao conquistar seu primeiro título pan-americano sênior. A última 48kg a subir no lugar mais alto do pódio no Pan foi Sarah Menezes, em 2016.
Os outros dois ouros vieram com Larissa Pimenta (52kg) e Beatriz Souza (+78kg), que já vêm dominando suas respectivas categorias e conquistaram, em Lima, o tricampeonato continental.
- Fiquei muito feliz com o resultado, com meu desempenho, com o foco que eu estava nas lutas, vim para defender meu título e saio daqui muito feliz de poder estar aqui representando o Brasil e trazendo essa medalha - resumiu Beatriz.
As pratas vieram com Panini (81kg), Marcelo Gomes (90kg), Rafael Buzacarini (100kg), Rafael Silva (+100kg) e Luana Carvalho (70kg). Marcelo caiu no ippon do vice-campeão mundial, Ivan Felipe Silva Morales, de Cuba; Buzacarini parou no canadense Shady Elnahas, número 3 do mundo; Baby parou em shidos controversos diante do cubano Andy Granda; Panini também perdeu nas punições, mas para o compatriota Schimidt; e Luana fez grande competição de estreia, parando na experiente Elvismar Rodriguez, da Venezuela, também nas punições.
Os bronzes foram conquistados por Rafaela Silva (57kg), Willian Lima (66kg) e por Maria Portela (70kg), que só perderam para adversários brasileiros. Rafa parou em Jéssica, Willian em Eric e Portela em Luana, todos nas semifinais.
O Brasil ainda teve Ryan Conceição (60kg), Ketleyn Quadros (63kg) e Daniel Cargnin (73kg) no tatame, na sexta. Ryan caiu na segunda luta e não avançou às disputas por medalhas em seu primeiro Pan. Já os medalhistas olímpicos começaram bem, com vitórias, mas terminaram em 5º lugar. Ketleyn caiu para Cindy Mera, da Colômbia, na disputa pelo bronze, e Daniel foi poupado da última luta depois de sofrer uma pancada na costela durante a semifinal com Alonso Wong (PER).
Equipe estreia contra Austrália
A equipe brasileira, atual campeã pan-americana, enfrentará a Austrália na primeira rodada válida pelas quartas de final. Em seguida, pode pegar República Dominicana ou México. Um possível confronto com Cuba só viria numa final, caso os dois países avancem em suas chaves. O Brasil vai escalar seus principais atletas para a disputa e ainda terá o reforço do peso pesado Juscelino Nascimento Jr, que só veio para a disputa por equipes.

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