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Ex-atleta da Seleção propõe solução para basquete feminino: mais base

Guilherme Giovannoni atribui resultados ruins a problemas estruturais, citando a falta de equipes e qualificação de técnicos no país

PorDavi Caldas•São Paulo (SP)
05/11/2026 10:36

Supervisionado porThiago Fernandes,
Damiris na marcação na partida entre Brasil e República Tcheca no Pré-Mundial de Basquete (Foto: CN-STR / AFP)
Damiris na marcação na partida entre Brasil e República Tcheca no Pré-Mundial de Basquete (Foto: CN-STR / AFP)

Neste ano, a Seleção Brasileira feminina de basquete não se classificou para o Mundial, e Guilherme Giovannoni vê o resultado como reflexo de um problema construído ao longo de anos nas categorias de base. Para o ex-jogador, a raiz da questão está na escassez de equipes que formam meninas no país.

"Eu acho que é um sintoma", disse Giovannoni em entrevista ao Lance!. "A gente precisa encarar com um olhar mais crítico o que estamos fazendo na categoria de base."

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O diagnóstico parte de uma experiência pessoal. Pai de uma menina que pratica basquete, o ex-jogador conta que, ao procurar times de base feminina na cidade de São Paulo, encontrou apenas um ou dois clubes. "É muito pouco em uma cidade desse tamanho", afirmou.

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A construção começa de baixo

A solução que ele propõe passa por dois eixos principais: ampliar a oferta de categorias de base femininas nos clubes e melhorar a qualificação dos treinadores que trabalham com jovens atletas. "Primeiro, ter as categorias de base feminina. Depois, obviamente, ajudar na melhora dos nossos técnicos de base. E, a partir daí, ir construindo", explicou.

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Giovannoni reconhece que a recuperação do basquete feminino brasileiro não tem prazo curto. "Não é uma coisa que você vai resolver daqui a dois anos, é uma coisa a longo prazo que tem que ser pensada. Dez anos é muito tempo, mas você começa uma hora e esses dez anos passam, e você pode colher esses resultados."

Alana recebe a marcação de Zhang Manman na derrota do Brasil para a China no Pré-Mundial de Basquete (Foto: CN-STR / AFP)
Alana recebe a marcação de Zhang Manman na derrota do Brasil para a China no Pré-Mundial de Basquete (Foto: CN-STR / AFP)

O masculino e o desafio de escalar

No basquete masculino, o cenário de base é mais desenvolvido em São Paulo, onde Giovannoni aponta a existência de pelo menos 24 times disputando competições sub-16 e sub-17. Mesmo assim, ele considera que ainda há espaço para melhorar os campeonatos de categoria de base no estado.

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O problema, para ele, é que esse modelo não se replica pelo país: "A gente precisaria que isso acontecesse em outros estados, porque o Brasil é muito grande. A gente tem material humano espetacular e precisamos achá-lo". A forma de encontrá-lo, segundo Giovannoni, é simples na formulação: levar mais crianças para as quadras e formar melhor os treinadores que as receberão. "Qualificando, com eles ensinando os meninos a jogarem; aí, o céu é o limite para o nosso país."

Conselho para as Olimpíadas

Questionado sobre o que recomendaria às seleções brasileiras de olho nos próximos Jogos Olímpicos, Giovannoni desviou do tecnicismo e focou no comportamento dos atletas dentro e fora das quadras. Para ele, o excesso de atenção às redes sociais representa um risco concreto à performance. "Hoje, com as redes sociais, todo mundo é um cronista esportivo. Então, se você ficar se atentando muito a isso, primeiro você pode enlouquecer, segundo você perde o foco."

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O conselho final resume sua visão sobre o que separa os atletas que performam nos momentos decisivos dos que ficam pelo caminho: "Fazer o trabalho, acreditar na linha do trabalho que o técnico, a comissão técnica está colocando ali, seguir, fazer o máximo que der e torcer para estar bem nos momentos decisivos."

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