Opinião: Brasil salva cinturão, mas vive fase de instabilidades no UFC
Mackenzie Dern derrotou canadense em primeira defesa de título neste sábado (15)

Por muitos anos, acompanhar o UFC significava quase sempre encontrar uma bandeira brasileira no topo. Em diferentes categorias, homens e mulheres construíram reinados, quebraram recordes e transformaram o país em uma das maiores potências da história da organização. Hoje, porém, o cenário é bem diferente, apesar do respiro no UFC 330 deste sábado (15).
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O Brasil chegou ao evento com apenas um cinturão entre as 11 categorias do Ultimate. E, por decisão dos juízes, não saiu sem nenhum. Mackenzie Dern entrou no octógono com a responsabilidade de manter o título do peso-palha (até 52,2 kg) em território brasileiro e conseguiu cumprir a missão diante de Gillian Robertson.
A vitória da campeã, portanto, merece ser celebrada. Mais do que defender o cinturão pela primeira vez, Dern impediu que o Brasil chegasse ao ponto de não ter nenhum campeão no UFC. O problema é que a necessidade de comemorar a manutenção de apenas um título também escancara o tamanho da queda.
Não faz tanto tempo que a realidade era completamente diferente. Anderson Silva, José Aldo, Amanda Nunes, Charles do Bronx e tantos outros fizeram do Brasil presença constante nas principais disputas da organização de Dana White. Em algumas épocas, tornou-se comum encontrar mais de um campeão brasileiro simultaneamente, algo que hoje parece distante.
A situação ficou ainda mais delicada depois das derrotas de Alexandre Pantoja e Alex Poatan. O primeiro perdeu o cinturão dos moscas (até 56,7 kg), enquanto o segundo deixou de ser campeão ao abandonar os meio-pesados (até 93 kg) para tentar a sorte na categoria mais pesada, mas foi derrotado para Ciryl Gane. Com isso, Dern passou a carregar sozinha uma responsabilidade que, historicamente, esteve dividida entre vários atletas.
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E não é como se faltassem nomes brasileiros capazes de mudar esse cenário. Pantoja terá sua oportunidade de revanche contra Joshua Van no dia 19 de setembro, quando está previsto o UFC 331. Carlos Prates também aparece como uma das principais esperanças no masculino, especialmente depois de construir uma sequência impressionante de vitórias nos meio-médios (até 77,1 kg).
Ainda sem garantidos de um futuro novamente vitorioso, a vitória de Mackenzie Dern no UFC 330 tem um peso maior do que parece. O cinturão continua brasileiro, mas a comemoração também serve como alerta: o país não pode depender de uma única campeã para manter viva uma tradição que já foi muito maior dentro do Ultimate.


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