Copa do Mundo de 2006: Todos os resultados
Relembre os placares, a cabeçada de Zidane e o tetra da Itália em 2006.

A décima sexta edição da história dos Mundiais retornou a uma das principais potências do futebol europeu em junho de 2006 para protagonizar um torneio de altíssima qualidade técnica e organização impecável. A Alemanha foi a nação escolhida para sediar a Copa do Mundo de 2006, estruturando o evento sob o célebre e acolhedor lema "O mundo entre amigos". Com doze estádios modernos e completamente reformados, o país viveu um verdadeiro conto de fadas climático, impulsionado por um verão ensolarado que contagiou os milhões de turistas estrangeiros.
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Os bastidores da Copa do Mundo de 2006 foram profundamente impactados pelo maior escândalo de manipulação de resultados da história do futebol italiano, o "Calciopoli", que estourou poucas semanas antes do apito inicial. Longe de desestabilizar o elenco, a pesada atmosfera de desconfiança uniu os jogadores da Itália em torno do técnico Marcello Lippi. Exibindo uma barreira defensiva intransponível comandada pelo zagueiro Fabio Cannavaro e pelo goleiro Gianluigi Buffon, a Azzurra utilizou a crise interna como combustível psicológico para construir uma caminhada heroica.
A nível estético e de gerações, a Copa do Mundo na Alemanha representou uma histórica e emocionante passagem de bastão no cenário internacional. O mundo testemunhou os primeiros passos em Copas de jovens talentos que dominariam o esporte nos anos seguintes, como o português Cristiano Ronaldo e o argentino Lionel Messi. Paralelamente, a competição serviu como o palco de despedida para ícones imortais dos gramados, tendo o francês Zinedine Zidane como o grande protagonista de uma jornada repleta de genialidade e drama.
Para a Seleção Brasileira, o torneio na Alemanha transformou-se em uma das maiores frustrações de sua história recente devido ao enorme abismo entre a expectativa e a realidade. Sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o Brasil badalou o chamado "Quadrado Mágico" (Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano), mas apresentou uma preparação caótica e festiva na Suíça. Sem o foco e o preparo físico ideais, a Amarelinha jogou um futebol burocrático e acabou eliminada nas quartas de final após um show tático e técnico de Zidane.
Com os favoritos caindo pelo caminho e os esquemas táticos defensivos ditando o ritmo das fases agudas do mata-mata, o equilíbrio europeu prevaleceu de forma absoluta nas semifinais. Partidas decididas nos minutos finais da prorrogação e muita imposição física marcaram os duelos decisivos pelo território alemão. Toda essa atmosfera de tensão máxima e espetáculo esportivo conduziu o torneio rumo à grande finalíssima em Berlim, um clássico de gigantes que entrou definitivamente para o folclore do futebol mundial.
Resultados da Copa do Mundo de 2006
Primeira fase - Grupo A
Os donos da casa comandaram as ações na chave de abertura, impulsionados pelo futebol ofensivo e vertical do jovem elenco montado por Jürgen Klinsmann. A Alemanha garantiu a liderança de forma invicta após um massacre sonoro sobre o Equador na rodada final. Os equatorianos surpreenderam os prognósticos europeus e carimbaram a segunda vaga, despachando Polônia e Costa Rica mais cedo.
- 9 de junho – Alemanha 4 x 2 Costa Rica – Estádio Allianz Arena (Munique)
- 9 de junho – Polônia 0 x 2 Equador – Estádio Veltins-Arena (Gelsenkirchen)
- 14 de junho – Alemanha 1 x 0 Polônia – Estádio Signal Iduna Park (Dortmund)
- 15 de junho – Equador 3 x 0 Costa Rica – Estádio AOL Arena (Hamburgo)
- 20 de junho – Equador 0 x 3 Alemanha – Estádio Olympiastadion (Berlim)
- 20 de junho – Costa Rica 1 x 2 Polônia – Estádio AWD-Arena (Hanôver)
Primeira fase - Grupo B
Esta chave caracterizou-se pelo amplo favoritismo e domínio técnico da seleção da Inglaterra, liderada pela excelente precisão nas bolas paradas do astro David Beckham. Os britânicos avançaram na liderança isolada e invicta do grupo. A forte e física equipe da Suécia confirmou os prognósticos e assegurou a segunda colocação, suportando o brio do estreante país de Trinidad e Tobago.
- 10 de junho – Inglaterra 1 x 0 Paraguai – Estádio Commerzbank-Arena (Frankfurt)
- 10 de junho – Trinidad e Tobago 0 x 0 Suécia – Estádio Signal Iduna Park (Dortmund)
- 15 de junho – Inglaterra 2 x 0 Trinidad e Tobago – Estádio Frankenstadion (Nuremberg)
- 15 de junho – Suécia 1 x 0 Paraguai – Estádio Olympiastadion (Berlim)
- 20 de junho – Suécia 2 x 2 Inglaterra – Estádio RheinEnergieStadion (Colônia)
- 20 de junho – Paraguai 2 x 0 Trinidad e Tobago – Estádio Fritz-Walter-Stadion (Kaiserslautern)
Primeira fase - Grupo C
Considerada a maior "chave da morte" da Copa do Mundo de 2006, reuniu potências tradicionais e entregou exibições plásticas memoráveis em campo. A Argentina desfilou categoria e anotou um dos gols coletivos mais bonitos da história moderna (após 26 passes contra a Sérvia) para liderar o grupo. A forte Holanda avançou de braços dados na segunda colocação, eliminando a briosa Costa do Marfim.
- 10 de junho – Argentina 2 x 1 Costa do Marfim – Estádio AOL Arena (Hamburgo)
- 11 de junho – Sérvia e Montenegro 0 x 1 Holanda – Estádio Zentralstadion (Leipzig)
- 16 de junho – Argentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro – Estádio Veltins-Arena (Gelsenkirchen)
- 16 de junho – Holanda 2 x 1 Costa do Marfim – Estádio Gottlieb-Daimler-Stadion (Stuttgart)
- 21 de junho – Holanda 0 x 0 Argentina – Estádio Commerzbank-Arena (Frankfurt)
- 21 de junho – Costa do Marfim 3 x 2 Sérvia e Montenegro – Estádio Allianz Arena (Munique)
Primeira fase - Grupo D
O Grupo D testemunhou a excelente e segura campanha construída pela seleção de Portugal, dirigida pelo técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari. Os portugueses venceram todos os seus três compromissos, exibindo grande equilíbrio tático para sobrar na liderança. O México oscilou bastante tecnicamente, mas garantiu a segunda vaga após uma disputa apertada contra a estreante e valente Angola.
- 11 de junho – México 3 x 1 Irã – Estádio Frankenstadion (Nuremberg)
- 11 de junho – Angola 0 x 1 Portugal – Estádio RheinEnergieStadion (Colônia)
- 16 de junho – México 0 x 0 Angola – Estádio AWD-Arena (Hanôver)
- 17 de junho – Portugal 2 x 0 Irã – Estádio Commerzbank-Arena (Frankfurt)
- 21 de junho – Portugal 2 x 1 México – Estádio Veltins-Arena (Gelsenkirchen)
- 21 de junho – Irã 1 x 1 Angola – Estádio Zentralstadion (Leipzig)
Primeira fase - Grupo E
Este grupo se consolidou como o ponto de partida ideal para a futura campeã da Copa do Mundo de 2006 ajustar o seu ritmo tático e defensivo. A Itália superou confrontos de imensa imposição física e avançou de forma invicta na liderança isolada da chave. A surpreendente e veloz seleção de Gana chocou os prognósticos internacionais ao bater a República Tcheca e os Estados Unidos para ficar com a segunda vaga.
- 12 de junho – Estados Unidos 0 x 3 República Tcheca – Estádio Veltins-Arena (Gelsenkirchen)
- 12 de junho – Itália 2 x 0 Gana – Estádio AWD-Arena (Hanôver)
- 17 de junho – República Tcheca 0 x 1 Gana – Estádio RheinEnergieStadion (Colônia)
- 17 de junho – Itália 1 x 1 Estados Unidos – Estádio Fritz-Walter-Stadion (Kaiserslautern)
- 22 de junho – República Tcheca 0 x 2 Itália – Estádio AOL Arena (Hamburgo)
- 22 de junho – Gana 2 x 1 Estados Unidos – Estádio Frankenstadion (Nuremberg)
Primeira fase - Grupo F
O grupo da Seleção Brasileira teve os gramados alemães como base e registrou uma classificação com 100% de aproveitamento em termos de pontos, mas sob intensas críticas ao futebol sonolento exibido em campo. O Brasil garantiu a liderança isolada da chave, batendo oponentes na base do brilhantismo individual. A forte e veloz Austrália garantiu a segunda vaga de forma inédita e dramática na rodada final.
- 12 de junho – Austrália 3 x 1 Japão – Estádio Fritz-Walter-Stadion (Kaiserslautern)
- 13 de junho – Brasil 1 x 0 Croácia – Estádio Olympiastadion (Berlim)
- 18 de junho – Japão 0 x 0 Croácia – Estádio Frankenstadion (Nuremberg)
- 18 de junho – Brasil 2 x 0 Austrália – Estádio Allianz Arena (Munique)
- 22 de junho – Japão 1 x 4 Brasil – Estádio Signal Iduna Park (Dortmund)
- 22 de junho – Croácia 2 x 2 Austrália – Estádio Gottlieb-Daimler-Stadion (Stuttgart)
Primeira fase - Grupo G
A chave caracterizou-se pelo futebol eficiente, equilibrado e de muita posse de bola da seleção da Suíça, que desbancou os favoritos para assegurar a liderança invicta. Os suíços entraram para a história ao avançarem sem sofrer um único gol. A badalada França oscilou com empates burocráticos nas primeiras rodadas, mas acordou a tempo de garantir a classificação na segunda colocação.
- 13 de junho – Coreia do Sul 2 x 1 Togo – Estádio Commerzbank-Arena (Frankfurt)
- 13 de junho – França 0 x 0 Suíça – Estádio Gottlieb-Daimler-Stadion (Stuttgart)
- 18 de junho – França 1 x 1 Coreia do Sul – Estádio Zentralstadion (Leipzig)
- 19 de junho – Togo 0 x 2 Suíça – Estádio Signal Iduna Park (Dortmund)
- 23 de junho – Togo 0 x 2 França – Estádio RheinEnergieStadion (Colônia)
- 23 de junho – Suíça 2 x 0 Coreia do Sul – Estádio AWD-Arena (Hanôver)
Primeira fase - Grupo H
A tradicional seleção da Espanha comandou as ações neste último grupo com extrema autoridade técnica, aplicando uma goleada sonora na estreia sob a batuta do jovem meio-campo do país. Os espanhóis avançaram com folga e 100% de aproveitamento. A boa e competitiva equipe da Ucrânia assimilou o baque da estreia e se recuperou rapidamente para carimbar o segundo passaporte da chave.
- 14 de junho – Espanha 4 x 0 Ucrânia – Estádio Zentralstadion (Leipzig)
- 14 de junho – Tunísia 2 x 2 Arábia Saudita – Estádio Allianz Arena (Munique)
- 19 de junho – Ucrânia 4 x 0 Arábia Saudita – Estádio AOL Arena (Hamburgo)
- 19 de junho – Espanha 3 x 1 Tunísia – Estádio Gottlieb-Daimler-Stadion (Stuttgart)
- 23 de junho – Arábia Saudita 0 x 1 Espanha – Estádio Fritz-Walter-Stadion (Kaiserslautern)
- 23 de junho – Ucrânia 1 x 0 Tunísia – Estádio Olympiastadion (Berlim)
Oitavas de final da Copa do Mundo de 2006
O início do mata-mata direto elevou as cargas dramáticas e físicas a níveis históricos. Portugal e Holanda travaram a violenta "Batalha de Nuremberg", partida com recorde de dezesseis cartões amarelos e quatro vermelhos. O Brasil despachou Gana com facilidade em Dortmund, quebrando o recorde de gols de Ronaldo em Copas, enquanto a Itália batia a Austrália com um pênalti polêmico no último segundo.
- 24 de junho – Alemanha 2 x 0 Suécia – Estádio Allianz Arena (Munique)
- 24 de junho – Argentina 2 x 1 México (Prorrogação) – Estádio Zentralstadion (Leipzig)
- 25 de junho – Inglaterra 1 x 0 Equador – Estádio Gottlieb-Daimler-Stadion (Stuttgart)
- 25 de junho – Portugal 1 x 0 Holanda – Estádio Frankenstadion (Nuremberg)
- 26 de junho – Itália 1 x 0 Austrália – Estádio de de Kaiserslautern
- 26 de junho – Suíça 0 x 0 Ucrânia (0 x 3 nos pênaltis) – Estádio RheinEnergieStadion (Colônia)
- 27 de junho – Brasil 3 x 0 Gana – Estádio Signal Iduna Park (Dortmund)
- 27 de junho – Espanha 1 x 3 França – Estádio AWD-Arena (Hanôver)
Quartas de final da Copa do Mundo de 2006
As quartas de final entraram em definitivo para a antologia do esporte com exibições individuais espetaculares. O mundo testemunhou uma das maiores exibições individuais da história das Copas, protagonizada por Zinedine Zidane, que destruiu o meio-campo brasileiro e serviu Henry para decretar a eliminação do Brasil. A Alemanha superou a Argentina nas penalidades máximas em meio a uma confusão generalizada.
- 30 de junho – Alemanha 1 x 1 Argentina (4 x 2 nos pênaltis) – Estádio Olympiastadion (Berlim)
- 30 de junho – Itália 3 x 0 Ucrânia – Estádio AOL Arena (Hamburgo)
- 1 de julho – Inglaterra 0 x 0 Portugal (1 x 3 nos pênaltis) – Estádio Veltins-Arena (Gelsenkirchen)
- 1 de julho – Brasil 0 x 1 França – Estádio Commerzbank-Arena (Frankfurt)
Semifinais da Copa do Mundo de 2006
As semifinais colocaram frente a frente quatro das escolas mais vitoriosas do futebol europeu em exibições dramáticas de alta intensidade tática. Itália e Alemanha travaram um duelo épico em Dortmund, decidido de forma heróica no último minuto da prorrogação com gols de Fabio Grosso e Alessandro Del Piero. Na outra chave, Zidane converteu um pênalti cirúrgico para carimbar a vaga francesa diante de Portugal.
- 4 de julho – Alemanha 0 x 2 Itália (Prorrogação) – Estádio Signal Iduna Park (Dortmund)
- 5 de julho – França 1 x 0 Portugal – Estádio Allianz Arena (Munique)
Disputa do terceiro lugar
O confronto de consolação serviu para coroar a honrosa, alegre e elogiada campanha construída pela seleção da Alemanha perante o seu povo inflamado. Em um duelo aberto e de excelente nível ofensivo na cidade de Stuttgart, o jovem meio-campista Bastian Schweinsteiger deu um show particular ao anotar dois gols potentes e garantir a medalha de bronze alemã.
- 7 de julho – Alemanha 3 x 1 Portugal – Estádio Gottlieb-Daimler-Stadion (Stuttgart)
Final da Copa do Mundo de 2006
A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 2006 reuniu Itália e França no imponente e completamente lotado Estádio Olímpico de Berlim perante mais de 69 mil espectadores em uma atmosfera eletrizante. O confronto começou em ritmo alucinante: aos sete minutos, Malouda foi derrubado na área e Zinedine Zidane cobrou um pênalti com cavadinha antológica, fazendo a bola beijar o travessão antes de entrar. Sem se abater com a desvantagem relâmpago, a Azzurra manteve a sua tradicional organização e buscou o empate aos 19 minutos, quando o zagueiro Marco Materazzi subiu mais alto que a retaguarda francesa após cobrança de escanteio para testar firme para as redes. A partir daí, o equilíbrio tático amarrou as ações, com a França criando as melhores chances ofensivas no segundo tempo, mas parando nas intervenções milagrosas de Buffon.
O drama alcançou níveis inacreditáveis durante a prorrogação e ficou eternizado pelo lance mais impactante da história moderna das finais de Copa. Aos cinco minutos do segundo tempo suplementar, após uma intensa troca de provocações verbais, Zidane perdeu o controle emocional e desferiu uma cabeçada violenta no peito de Materazzi. Flagrado pelo quarto árbitro, o craque francês recebeu o cartão vermelho direto, encerrando a sua brilhante carreira profissional de forma melancólica e deixando a França desestabilizada.
O placar de 1 a 1 persistiu até o apito final, forçando a definição do novo dono do planeta nas penalidades máximas. Exibindo uma frieza cirúrgica e perfeita, os italianos converteram todas as suas cinco cobranças, enquanto o atacante francês David Trezeguet carimbava o travessão. O lateral Fabio Grosso anotou o chute decisivo que decretou o placar de 5 a 3 nos pênaltis, consagrando a Itália como tetracampeã mundial.
- 9 de julho – Itália 1 x 1 França (5 x 3 nos pênaltis) – Estádio Olympiastadion (Berlim)
Classificação final da Copa do Mundo de 2006
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 2006, estruturada oficialmente pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols das nações:
- Itália (Campeã)
- França (Vice-campeã)
- Alemanha
- Portugal
- Brasil
- Argentina
- Inglaterra
- Ucrânia
- Espanha
- Suíça
- Holanda
- Equador
- Gana
- Suécia
- México
- Austrália
- Coreia do Sul
- Paraguai
- Costa do Marfim
- República Tcheca
- Polônia
- Croácia
- Angola
- Tunísia
- Irã
- Arábia Saudita
- Japão
- Togo
- Estados Unidos
- Trinidad e Tobago
- Sérvia e Montenegro
- Costa Rica
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