Copa do Mundo de 1998: Todos os resultados
Relembre os placares, locais e o primeiro título mundial da França em 1998.

A décima quinta edição da história dos Mundiais retornou à sua vertente europeia em junho de 1998 para consolidar a maior expansão estrutural da história contemporânea do futebol. A França foi a nação escolhida pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 1998, exatamente sessenta anos após ter abrigado o torneio pela primeira vez. Como grande símbolo dessa nova era de globalização e modernidade e para receber condignamente o jogo de abertura e a grande decisão, o comitê organizador local projetou e construiu nos arredores de Paris o icônico Stade de France, uma arena monumental.
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Os bastidores regulamentares da competição trouxeram a maior e mais impactante modificação no formato de disputa desde a década de 1982. Pela primeira vez, o número de seleções participantes saltou de 24 para 32 países finalistas, permitindo uma distribuição geográfica muito mais justa e inclusiva entre os continentes. O regulamento reorganizou o torneio em oito grupos de quatro integrantes na fase inicial, extinguindo o sistema de classificação dos melhores terceiros colocados e decretando que apenas os dois primeiros de cada chave avançariam para as oitavas de final.
A nível técnico e disciplinar, a FIFA introduziu novidades severas para tentar coibir a violência física e incentivar propostas de jogo ofensivas nos gramados franceses. A principal inovação foi a criação do sistema de "Gol de Ouro" (a antiga morte súbita) durante a prorrogação das fases eliminatórias da Copa do Mundo, em que o primeiro time a marcar no tempo extra encerraria o confronto imediatamente. Além disso, as arbitragens receberam ordens rigorosas para punir com cartão vermelho direto as faltas cometidas por trás, visando preservar a integridade dos atletas mais talentosos.
Para a Seleção Brasileira, a jornada na Copa do Mundo em território europeu representou uma verdadeira montanha-russa de emoções técnicas, individuais e psicológicas sob o comando do veterano Zagallo. Defendendo o título mundial de 1994, o Brasil se uniu em torno do brilhantismo genial do jovem atacante Ronaldo, eleito o melhor jogador do planeta na época e apelidado de "O Fenômeno". A Amarelinha superou partidas dramáticas e repletas de gols contra Dinamarca e Holanda, alcançando a sua segunda final consecutiva sob imensa expectativa popular.
Contudo, os momentos prévios à grande decisão guardaram o maior drama médico e psicológico da história das Copas, desestabilizando completamente o elenco brasileiro horas antes do apito inicial. Ronaldo sofreu uma misteriosa crise convulsiva no hotel da concentração, o que gerou imensa confusão na escalação oficial e abateu emocionalmente o grupo de atletas em campo. Beneficiando-se do cenário e liderada de forma inspirada por Zinedine Zidane, a França desfilou categoria perante o seu povo para conquistar o seu inédito título da Copa do Mundo.
Resultados da Copa do Mundo de 1998
Primeira fase - Grupo A
O grupo de abertura da Copa do Mundo contou com o favoritismo natural da Seleção Brasileira, que estreou vencendo os escoceses no Stade de France. O Brasil garantiu a liderança de forma antecipada com uma goleada sobre o Marrocos, permitindo-se poupar titulares na rodada final. A Noruega aproveitou a oportunidade para buscar uma vitória heroica e tardia de virada sobre a Amarelinha, carimbando a segunda vaga da chave.
- 10 de junho – Brasil 2 x 1 Escócia – Stade de France (Saint-Denis)
- 10 de junho – Marrocos 2 x 2 Noruega – Stade de la Mosson (Montpellier)
- 16 de junho – Brasil 3 x 0 Marrocos – Stade de la Beaujoire (Nantes)
- 16 de junho – Noruega 1 x 1 Escócia – Stade Parc Lescure (Bordeaux)
- 23 de junho – Brasil 1 x 2 Noruega – Stade Vélodrome (Marselha)
- 23 de junho – Marrocos 3 x 0 Escócia – Stade Geoffroy-Guichard (Saint-Étienne)
Primeira fase - Grupo B
Esta chave caracterizou-se pelo amplo equilíbrio tático europeu e sul-americano e por partidas decididas nos minutos finais. A Itália confirmou o favoritismo e avançou na liderança isolada sob a batuta de Roberto Baggio. A surpreendente seleção do Chile, impulsionada pelos gols da dupla ofensiva formada por Ivan Zamorano e Marcelo Salas, empatou todos os seus três compromissos e assegurou a segunda vaga.
- 11 de junho – Itália 2 x 2 Chile – Stade Parc Lescure (Bordeaux)
- 11 de junho – Camarões 1 x 1 Áustria – Stade de Toulouse (Toulouse)
- 17 de junho – Chile 1 x 1 Áustria – Stade Geoffroy-Guichard (Saint-Étienne)
- 17 de junho – Itália 3 x 0 Camarões – Stade de la Mosson (Montpellier)
- 23 de junho – Itália 2 x 1 Áustria – Stade de France (Saint-Denis)
- 23 de junho – Chile 1 x 1 Camarões – Stade de la Beaujoire (Nantes)
Primeira fase - Grupo C
Os donos da casa comandaram as ações neste grupo com imensa autoridade técnica, empurrados por arquibancadas inflamadas em Marselha e Paris. A França venceu todos os seus três compromissos com extrema facilidade e solidez defensiva, avançando com 100% de aproveitamento. A boa seleção da Dinamarca confirmou os prognósticos e carimbou a segunda vaga da chave sem sofrer grandes sustos.
- 12 de junho – Arábia Saudita 0 x 1 Dinamarca – Stade Félix Bollaert (Lens)
- 12 de junho – França 3 x 0 África do Sul – Stade Vélodrome (Marselha)
- 18 de junho – África do Sul 1 x 1 Dinamarca – Stade de Toulouse (Toulouse)
- 18 de junho – França 4 x 0 Arábia Saudita – Stade de France (Saint-Denis)
- 24 de junho – França 2 x 1 Dinamarca – Stade de Gerland (Lyon)
- 24 de junho – África do Sul 2 x 2 Arábia Saudita – Stade Parc Lescure (Bordeaux)
Primeira fase - Grupo D
Considerada a maior "chave da morte" da Copa do Mundo de 1998, reuniu potências tradicionais e registrou a precoce e surpreendente eliminação da badalada Espanha. A física e veloz seleção da Nigéria chocou os espanhóis na estreia e liderou o grupo com um futebol muito vertical. O Paraguai exibiu uma barreira defensiva intransponível comandada pelo goleiro José Luis Chilavert para garantir a segunda colocação.
- 12 de junho – Paraguai 0 x 0 Bulgária – Stade de la Mosson (Montpellier)
- 13 de junho – Espanha 2 x 3 Nigéria – Stade de la Beaujoire (Nantes)
- 19 de junho – Nigéria 1 x 0 Bulgária – Stade Parc des Princes (Paris)
- 19 de junho – Espanha 0 x 0 Paraguai – Stade Geoffroy-Guichard (Saint-Étienne)
- 24 de junho – Espanha 6 x 1 Bulgária – Stade Parc des Princes (Paris)
- 24 de junho – Nigéria 1 x 3 Paraguai – Stade de Toulouse (Toulouse)
Primeira fase - Grupo E
Este grupo se caracterizou pelo extremo equilíbrio tático e pela enorme quantidade de empates entre as equipes europeias e norte-americanas. A Holanda praticou um futebol consistente de muita posse de bola e velocidade para assegurar a liderança pelo saldo de gols favorável. O México demonstrou imensa valentia e poder de reação para buscar empates heroicos na raça e carimbar a segunda vaga.
- 13 de junho – Holanda 0 x 0 Bélgica – Stade de France (Saint-Denis)
- 13 de junho – Coreia do Sul 1 x 3 México – Stade de Gerland (Lyon)
- 20 de junho – Holanda 5 x 0 Coreia do Sul – Stade Vélodrome (Marselha)
- 20 de junho – Bélgica 2 x 2 México – Stade Parc Lescure (Bordeaux)
- 25 de junho – Holanda 2 x 2 México – Stade Geoffroy-Guichard (Saint-Étienne)
- 25 de junho – Bélgica 1 x 1 Coreia do Sul – Stade Parc des Princes (Paris)
Primeira fase - Grupo F
A chave sediada em Paris e Lyon ficou marcada pelo histórico, tenso e emblemático confronto diplomático entre as seleções dos Estados Unidos e do Irã. Em campo, os iranianos venceram o duelo político por 2 a 1 sob enorme clima de desportividade. A Alemanha Ocidental usou sua tradicional imposição física para liderar a chave de forma invicta, avançando de braços dados com a forte Iugoslávia.
- 14 de junho – Iugoslávia 1 x 0 Irã – Stade Geoffroy-Guichard (Saint-Étienne)
- 14 de junho – Alemanha 2 x 0 Estados Unidos – Stade Parc des Princes (Paris)
- 21 de junho – Alemanha 2 x 2 Iugoslávia – Stade Parc des Princes (Paris)
- 21 de junho – Estados Unidos 1 x 2 Irã – Stade de Gerland (Lyon)
- 25 de junho – Alemanha 2 x 0 Irã – Stade de la Mosson (Montpellier)
- 25 de junho – Estados Unidos 0 x 1 Iugoslávia – Stade de la Beaujoire (Nantes)
Primeira fase - Grupo G
A tradicional seleção da Romênia comandou as ações neste grupo com imensa autoridade tática, vencendo seus compromissos principais de forma segura. O momento icônico da chave ocorreu quando todos os jogadores romenos descoloriram o cabelo após garantirem a vaga. A Inglaterra contou com o surgimento do jovem e veloz atacante Michael Owen para assegurar a segunda colocação.
- 15 de junho – Inglaterra 2 x 0 Tunísia – Stade Vélodrome (Marselha)
- 15 de junho – Romênia 1 x 0 Colômbia – Stade de Gerland (Lyon)
- 22 de junho – Colômbia 1 x 0 Tunísia – Stade de la Mosson (Montpellier)
- 22 de junho – Romênia 2 x 1 Inglaterra – Stade de Toulouse (Toulouse)
- 26 de junho – Romênia 1 x 1 Tunísia – Stade de France (Saint-Denis)
- 26 de junho – Colômbia 0 x 2 Inglaterra – Stade Félix Bollaert (Lens)
Primeira fase - Grupo H
O último grupo testemunhou a excelente, histórica e surpreendente campanha da estreante seleção da Croácia no cenário internacional. Os croatas avançaram na segunda colocação praticando um futebol dinâmico sob a batuta de Davor Šuker. A Argentina sobrou na liderança com 100% de aproveitamento técnico e sem sofrer gols, aplicando uma goleada sonora sobre a estreante Jamaica.
- 14 de junho – Argentina 1 x 0 Japão – Stade de Toulouse (Toulouse)
- 14 de junho – Jamaica 1 x 3 Croácia – Stade Félix Bollaert (Lens)
- 20 de junho – Japão 0 x 1 Croácia – Stade de la Beaujoire (Nantes)
- 21 de junho – Argentina 5 x 0 Jamaica – Stade Parc des Princes (Paris)
- 26 de junho – Argentina 1 x 0 Croácia – Stade Parc Lescure (Bordeaux)
- 26 de junho – Japão 1 x 2 Jamaica – Stade de Gerland (Lyon)
Oitavas de final da Copa do Mundo de 1998
O início do mata-mata direto elevou a voltagem dramática com confrontos repletos de rivalidade. O Brasil despachou o Chile com facilidade e show de Ronaldo e César Sampaio em Paris. A França necessitou do primeiríssimo "Gol de Ouro" da história das Copas, anotado pelo zagueiro Laurent Blanc, para quebrar a resistência do Paraguai. Argentina e Inglaterra travaram um clássico épico decidido nos pênaltis.
- 27 de junho – Itália 1 x 0 Noruega – Stade Vélodrome (Marselha)
- 27 de junho – Brasil 4 x 1 Chile – Stade Parc des Princes (Paris)
- 28 de junho – França 1 x 0 Paraguai (Prorrogação - Gol de Ouro) – Stade Félix Bollaert (Lens)
- 28 de junho – Nigéria 1 x 4 Dinamarca – Stade de France (Saint-Denis)
- 29 de junho – Alemanha 2 x 1 México – Stade de la Mosson (Montpellier)
- 29 de junho – Holanda 2 x 1 Iugoslávia – Stade de de Toulouse (Toulouse)
- 30 de junho – Romênia 0 x 1 Croácia – Stade Parc Lescure (Bordeaux)
- 30 de junho – Argentina 2 x 2 Inglaterra (4 x 3 nos pênaltis) – Stade de Gerland (Lyon)
Quartas de final da Copa do Mundo de 1998
As quartas de final entraram em definitivo para a antologia do esporte com partidas decididas nos detalhes técnicos. A Holanda eliminou a Argentina com um gol antológico de Dennis Bergkamp nos acréscimos em Marselha. A grande surpresa da rodada foi a Croácia, que surpreendeu as previsões e triturou a favorita Alemanha por 3 a 0, enquanto o Brasil superava a forte Dinamarca em Nantes.
- 3 de julho – Itália 0 x 0 França (3 x 4 nos pênaltis) – Stade de France (Saint-Denis)
- 3 de julho – Brasil 3 x 2 Dinamarca – Stade de la Beaujoire (Nantes)
- 4 de julho – Alemanha 0 x 3 Croácia – Stade de Gerland (Lyon)
- 4 de julho – Holanda 2 x 1 Argentina – Stade Vélodrome (Marselha)
Semifinais da Copa do Mundo de 1998
As semifinais colocaram frente a frente propostas táticas muito bem estruturadas em exibições dramáticas de alta intensidade física. O Brasil buscou a classificação para a final nas penalidades máximas após empate por 1 a 1 com a Holanda, contando com as defesas do goleiro Taffarel. A França buscou uma virada heroica contra a Croácia com dois gols inéditos do lateral Lilian Thuram.
- 7 de julho – Brasil 1 x 1 Holanda (4 x 2 nos pênaltis) – Stade Vélodrome (Marselha)
- 8 de julho – França 2 x 1 Croácia – Stade de France (Saint-Denis)
Disputa do terceiro lugar
O confronto de consolação serviu para coroar a campanha mais bonita, surpreendente e elogiada da história recente do futebol croata perante o mundo. Enfrentando uma Holanda visivelmente abatida pelo trauma da eliminação anterior, a Croácia impôs sua velocidade e garantiu a medalha de bronze, consagrando o atacante Davor Šuker como o artilheiro isolado da competição.
- 11 de julho – Holanda 1 x 2 Croácia – Stade Parc des Princes (Paris)
Final da Copa do Mundo de 1998
A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1998 colocou frente a frente a atual campeã mundial, Seleção Brasileira, e a dona da casa, França, no majestoso e completamente lotado Stade de France, perante mais de 80 mil espectadores em uma atmosfera ensurdecedora. O confronto começou sob profundo clima de instabilidade emocional do lado brasileiro devido ao colapso médico sofrido por Ronaldo na concentração. Escalado de última hora e nitidamente debilitado em campo, o Fenômeno não conseguiu ditar o ritmo das ações ofensivas. A seleção da França soube aproveitar perfeitamente o abatimento psicológico do adversário para dominar o gramado parisiense desde o primeiro minuto. Aos 27 minutos da etapa inicial, Zinedine Zidane subiu mais alto que a retaguarda brasileira após cobrança de escanteio e cabeceou com precisão para abrir o placar. Nos acréscimos do primeiro tempo, em um lance idêntico de bola parada, Zidane testou firme novamente para ampliar a vantagem antes do intervalo, inflamando a torcida local.
Na etapa complementar, o técnico Zagallo promoveu alterações táticas tentando lançar o Brasil ao ataque na base do brio e do desespero. As esperanças brasileiras aumentaram consideravelmente quando o zagueiro francês Marcel Desailly recebeu o cartão vermelho e foi expulso de campo, deixando os anfitriões com um atleta a menos. No entanto, a sólida barreira defensiva montada pelo técnico Aimé Jacquet barrou todas as investidas aéreas de Denílson, Bebeto e Rivaldo. Nos minutos derradeiros, aproveitando os imensos espaços cedidos na retaguarda brasileira, a França engrenou um contra-ataque veloz que culminou no gol rasteiro de Emmanuel Petit. O placar categórico de 3 a 0 encerrou o confronto de forma incontestável, coroando a França como campeã mundial pela primeira vez em sua história e explodindo a festa multicultural pelas ruas do país.
- 12 de julho – França 3 x 0 Brasil – Stade de France (Saint-Denis)
Classificação final da Copa do Mundo de 1998
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1998, estruturada oficialmente pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados ao longo de todas as etapas e saldo de gols das nações:
- França (Campeã)
- Brasil (Vice-campeão)
- Croácia
- Holanda
- Itália
- Argentina
- Alemanha
- Dinamarca
- Inglaterra
- Iugoslávia
- Romênia
- Nigéria
- Paraguai
- Chile
- México
- Noruega
- Espanha
- Marrocos
- Bélgica
- Irã
- Colômbia
- Jamaica
- Áustria
- África do Sul
- Camarões
- Tunísia
- Japão
- Arábia Saudita
- Coreia do Sul
- Bulgária
- Estados Unidos
- Escócia
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