Copa do Mundo de 1990: Todos os resultados
Relembre os placares, a campanha do Brasil e o tri da Alemanha em 1990.

A décima quarta edição da história dos Mundiais desembarcou na Península Itálica em junho de 1990 sob uma atmosfera de imensa badalação e sofisticação cultural. A Itália tornou-se a segunda nação a sediar o torneio por duas vezes, preparando um espetáculo grandioso que uniu o charme do design italiano, estádios modernizados com coberturas imponentes e a marcante trilha sonora "Un'estate italiana". No entanto, por trás de toda a festa e dos investimentos bilionários, a Copa do Mundo de 1990 ficaria marcada tecnicamente como uma das edições mais pragmáticas, truncadas e defensivas da história do futebol.
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Os bastidores táticos e regulamentares da competição refletiram uma forte tendência de preservação defensiva por parte da maioria dos treinadores. O medo de perder superou amplamente a ousadia ofensiva, resultando na menor média de gols de todos os tempos da história dos Mundiais (apenas 2,21 por partida) e em um número recorde de cartões vermelhos e disputas por pênaltis. Essa postura ultra-defensiva, caracterizada pelo excesso de passes recuados para os goleiros segurarem a bola com as mãos para gastar tempo, irritou profundamente os torcedores e forçou a FIFA a mudar as regras do esporte nos anos seguintes.
Apesar do cenário de forte prevalência dos esquemas táticos rígidos, o torneio na Itália foi palco de uma das histórias de simpatia e superação mais bonitas e contagiantes de todos os tempos. A seleção de Camarões, apelidada de "Leões Indomáveis", chocou o planeta logo na partida de abertura ao derrotar a atual campeã Argentina de Maradona. Liderados pelo carismático atacante Roger Milla, de 38 anos, os camaroneses encantaram o mundo com suas comemorações sambando na bandeira de escanteio e avançaram de forma inédita até as quartas de final, quebrando barreiras para o futebol africano.
Para a Seleção Brasileira, a jornada em solo italiano transformou-se em uma das campanhas mais melancólicas, criticadas e precoces de sua história na Copa do Mundo. Sob o comando técnico de Sebastião Lazaroni, o Brasil abandonou a sua tradicional identidade plástica ofensiva para adotar o contestado esquema tático 3-5-2, focado na força física e na destruição de jogadas. Mesmo avançando com três vitórias na fase inicial, a Amarelinha acabou eliminada nas oitavas de final pela rival Argentina em um clássico doloroso, marcado por chances perdidas e pela polêmica extracampo da "água batizada" oferecida ao lateral Branco.
Por outro lado, a grande e incontestável coroação daquela edição da Copa do Mundo premiou a regularidade, o poder coletivo e a imposição física da seleção da Alemanha Ocidental. Disputando o seu último torneio antes da unificação política do país, os alemães exibiram um futebol maduro, vertical e ultracompetitivo sob a liderança técnica do meio-campista Lothar Matthäus. Sob o comando do mestre Franz Beckenbauer, que buscava igualar a façanha de ser campeão como jogador e treinador, a equipe germânica superou dramas intensos e arbitragens polêmicas para marchar com autoridade rumo a uma revanche histórica.
Resultados da Copa do Mundo de 1990
Grupo A
O grupo de abertura da Copa do Mundo dos anfitriões italianos contou com o apoio ensurdecedor das arquibancadas de Roma para confirmar o favoritismo sem grandes sustos. A Itália avançou na liderança isolada e invicta graças ao surgimento do iluminado atacante Salvatore "Totò" Schillaci, que saiu do banco para virar o herói do país. A Tchecoslováquia garantiu a segunda colocação, exibindo excelente organização tática em campo.
- 9 de junho – Itália 1 x 0 Áustria – Estádio Olímpico (Roma)
- 10 de junho – Tchecoslováquia 5 x 1 Estados Unidos – Estádio Comunale (Florença)
- 14 de junho – Itália 1 x 0 Estados Unidos – Estádio Olímpico (Roma)
- 15 de junho – Áustria 0 x 1 Tchecoslováquia – Estádio Comunale (Florença)
- 19 de junho – Itália 2 x 0 Tchecoslováquia – Estádio Olímpico (Roma)
- 19 de junho – Áustria 2 x 1 Estados Unidos – Estádio Comunale (Florença)
Grupo B
Este grupo entrou para a história da Copa do Mundo como o cenário da monumental zebra camaronesa diante da Argentina na abertura em Milão. Camarões liderou a chave com um futebol físico e veloz, avançando ao lado da surpreendente seleção da Romênia. A atual campeã, Argentina, sofreu com lesões e avançou de fase de forma dramática, apenas como uma das melhores terceiras colocadas da competição.
- 8 de junho – Argentina 0 x 1 Camarões – Estádio San Siro (Milão)
- 9 de junho – União Soviética 0 x 2 Romênia – Estádio San Nicola (Bari)
- 13 de junho – Argentina 2 x 0 União Soviética – Estádio San Paolo (Nápoles)
- 14 de junho – Camarões 2 x 1 Romênia – Estádio San Nicola (Bari)
- 18 de junho – Argentina 1 x 1 Romênia – Estádio San Paolo (Nápoles)
- 18 de junho – Camarões 0 x 4 União Soviética – Estádio San Nicola (Bari)
Grupo C
A chave da Seleção Brasileira teve a cidade de Turim como base e registrou uma classificação com 100% de aproveitamento em termos de pontos, mas sob intensas vaias devido ao futebol burocrático. O Brasil avançou na liderança isolada batendo rivais europeus pelo placar mínimo. A estreante e surpreendente seleção da Costa Rica chocou o mundo ao vencer Escócia e Suécia para ficar com a segunda vaga.
- 10 de junho – Brasil 2 x 1 Suécia – Estádio Delle Alpi (Turim)
- 11 de junho – Costa Rica 1 x 0 Escócia – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
- 16 de junho – Brasil 1 x 0 Costa Rica – Estádio Delle Alpi (Turim)
- 16 de junho – Suécia 1 x 2 Escócia – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
- 20 de junho – Brasil 1 x 0 Escócia – Estádio Delle Alpi (Turim)
- 20 de junho – Suécia 1 x 2 Costa Rica – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
Grupo D
Considerada a chave mais vistosa e com melhor média de gols do torneio, testemunhou o futebol avassalador, vertical e dinâmico da Alemanha Ocidental. Os alemães atropelaram seus adversários para liderar de forma invicta sob a batuta de Matthäus. A forte e técnica Iugoslávia garantiu o segundo lugar com folga, e a Colômbia buscou um empate heroico na última rodada para avançar em terceiro.
- 9 de junho – Emirados Árabes Unidos 0 x 2 Colômbia – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)
- 10 de junho – Alemanha Ocidental 4 x 1 Iugoslávia – Estádio San Siro (Milão)
- 14 de junho – Iugoslávia 1 x 0 Colômbia – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)
- 15 de junho – Alemanha Ocidental 5 x 1 Emirados Árabes Unidos – Estádio San Siro (Milão)
- 19 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 1 Colômbia – Estádio San Siro (Milão)
- 19 de junho – Iugoslávia 4 x 1 Emirados Árabes Unidos – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)
Grupo E
Este grupo caracterizou-se pelo amplo domínio técnico de duas escolas tradicionais do continente europeu. A Espanha praticou um futebol consistente e de muita posse de bola para assegurar a liderança isolada e invicta da chave. A forte geração da Bélgica confirmou os prognósticos e carimbou a segunda vaga com facilidade, enquanto o Uruguai avançou de forma dramática nos acréscimos como terceiro colocado.
- 12 de junho – Bélgica 2 x 0 Coreia do Sul – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
- 13 de junho – Uruguai 0 x 0 Espanha – Estádio Friuli (Udine)
- 17 de junho – Bélgica 3 x 1 Uruguai – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
- 17 de junho – Espanha 3 x 1 Coreia do Sul – Estádio Friuli (Udine)
- 21 de junho – Espanha 2 x 1 Bélgica – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
- 21 de junho – Uruguai 1 x 0 Coreia do Sul – Estádio Friuli (Udine)
Grupo F
Certamente o grupo mais monótono e equilibrado da história das Copas do Mundo, registrando cinco empates em seis jogos disputados na Sardenha e na Sicília. A Inglaterra garantiu a liderança isolada ao vencer a única partida da chave diante do Egito. Irlanda e Holanda terminaram totalmente empatadas em tudo, exigindo um sorteio da FIFA para definir os irlandeses em segundo e os holandeses em terceiro.
- 11 de junho – Inglaterra 1 x 1 Irlanda – Estádio Sant'Elia (Cagliari)
- 12 de junho – Holanda 1 x 1 Egito – Estádio Favorita (Palermo)
- 16 de junho – Inglaterra 0 x 0 Holanda – Estádio Sant'Elia (Cagliari)
- 17 de junho – Irlanda 0 x 0 Egito – Estádio Favorita (Palermo)
- 21 de junho – Inglaterra 1 x 0 Egito – Estádio Sant'Elia (Cagliari)
- 21 de junho – Irlanda 1 x 1 Holanda – Estádio Favorita (Palermo)
Oitavas de final
O mata-mata direto elevou o drama com o clássico sul-americano, em que a Argentina eliminou o Brasil de Lazaroni em Turim após jogada genial de Maradona para Caniggia. A Alemanha Ocidental bateu a Holanda em um duelo elétrico e tenso em Milão, enquanto a Irlanda avançava nos pênaltis e Camarões brilhava na prorrogação com Roger Milla.
- 23 de junho – Camarões 2 x 1 Colômbia (Prorrogação) – Estádio San Paolo (Nápoles)
- 23 de junho – Tchecoslováquia 4 x 1 Costa Rica – Estádio San Nicola (Bari)
- 24 de junho – Brasil 0 x 1 Argentina – Estádio Delle Alpi (Turim)
- 24 de junho – Alemanha Ocidental 2 x 1 Holanda – Estádio San Siro (Milão)
- 25 de junho – Irlanda 0 x 0 Romênia (5 x 4 nos pênaltis) – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
- 25 de junho – Itália 2 x 0 Uruguai – Estádio Olímpico (Roma)
- 26 de junho – Espanha 1 x 2 Iugoslávia (Prorrogação) – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
- 26 de junho – Inglaterra 1 x 0 Bélgica (Prorrogação) – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)
Quartas de final
As quartas de final mantiveram o tom dramático e a forte imposição tática defensiva. O sonho de Camarões caiu de pé diante da Inglaterra em uma prorrogação emocionante decidida por pênaltis de Gary Lineker. A Argentina avançou novamente nas penalidades máximas graças às defesas do goleiro Sergio Goycochea, repetindo o feito dos italianos e alemães.
- 30 de junho – Argentina 0 x 0 Iugoslávia (3 x 2 nos pênaltis) – Estádio Comunale (Florença)
- 30 de junho – Itália 1 x 0 Irlanda – Estádio Olímpico (Roma)
- 1 de julho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Tchecoslováquia – Estádio San Siro (Milão)
- 1 de julho – Inglaterra 3 x 2 Camarões (Prorrogação) – Estádio San Paolo (Nápoles)
Semifinais da Copa do Mundo de 1990
As duas semifinais da Copa do Mundo foram decididas de forma dramática nas penalidades máximas após empates idênticos por 1 a 1. Em Nápoles, o goleiro Goycochea calou a torcida local ao eliminar a dona da casa Itália, transformando-se no carrasco da Azzurra. Em Turim, a Alemanha Ocidental superou a tradicional arquirrival Inglaterra nos pênaltis para carimbar o passaporte.
- 3 de julho – Argentina 1 x 1 Itália (4 x 3 nos pênaltis) – Estádio San Paolo (Nápoles)
- 4 de julho – Alemanha Ocidental 1 x 1 Inglaterra (4 x 3 nos pênaltis) – Estádio Delle Alpi (Turim)
Disputa do terceiro lugar
O confronto de consolação serviu para coroar a honrosa e elogiada campanha da seleção da Itália perante a sua torcida em Bari. Em um duelo aberto e de bom nível técnico contra os britânicos, o artilheiro isolado Salvatore "Totò" Schillaci converteu um pênalti no fim para garantir o triunfo italiano e assegurar a medalha de bronze.
- 7 de julho – Itália 2 x 1 Inglaterra – Estádio San Nicola (Bari)
Final da Copa do Mundo de 1990
A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1990 reuniu Alemanha Ocidental e Argentina no imponente Estádio Olímpico de Roma perante mais de 73 mil espectadores eletrizados. O confronto funcionou como uma revanche exata da final de 1986, mas apresentou um futebol extremamente truncado, tenso e amarrado pelas estratégias defensivas. Fragilizada por lesões e suspensões, a Argentina de Diego Maradona se trancou completamente na retaguarda, tentando arrastar o duelo para os pênaltis, enquanto os alemães atacavam de forma insistente, mas pecavam na pontaria. O clima nervoso explodiu em campo com as expulsões históricas de Monzón e Dezotti, fazendo da Argentina a primeira equipe a receber cartões vermelhos em uma final de Copa.
Aos 40 minutos da etapa complementar, o lance que definiu os rumos da história aconteceu quando o árbitro Edgardo Codesal marcou um pênalti altamente polêmico e contestado de Sensini sobre Rudi Völler dentro da área. Com o capitão Lothar Matthäus sem confiança devido a uma trava quebrada em sua chuteira, a responsabilidade monumental caiu sobre os ombros do lateral Andreas Brehme. Com extrema frieza e precisão milimétrica, Brehme chutou rasteiro de perna direita para vencer Goycochea e decretar o placar final de 1 a 0. O triunfo suado coroou a Alemanha Ocidental como tricampeã mundial, igualando as marcas de Brasil e Itália, e permitiu a Franz Beckenbauer entrar para o seleto grupo dos campeões como jogador e treinador.
- 8 de julho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Argentina – Estádio Olímpico (Roma)
Classificação final da Copa do Mundo de 1990
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1990, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols das nações:
- Alemanha Ocidental (Campeã)
- Argentina (Vice-campeã)
- Itália
- Inglaterra
- Iugoslávia
- Tchecoslováquia
- Camarões
- Irlanda
- Brasil
- Espanha
- Bélgica
- Romênia
- Costa Rica
- Colômbia
- Holanda
- Uruguai
- Áustria
- Escócia
- União Soviética
- Egito
- Suécia
- Coreia do Sul
- Estados Unidos
- Emirados Árabes Unidos
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