Copa do Mundo de 1990: Todos os resultados

Relembre os placares, a campanha do Brasil e o tri da Alemanha em 1990.

PorLance!São Paulo (SP)
10/06/2026 14:16
O capitão Lothar Matthäus levanta a Taça da Copa do Mundo de 1990 após a Alemanha Ocidental vencer a Argentina na grande final em Roma, coroando uma campanha brilhante e invicta. (FIFA)
O capitão Lothar Matthäus levanta a Taça da Copa do Mundo de 1990 após a Alemanha Ocidental vencer a Argentina na grande final em Roma, coroando uma campanha brilhante e invicta. (FIFA)
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A Copa do Mundo de 1990 ocorreu na Itália, marcada por um futebol defensivo e pragmático.
A Seleção Brasileira, sob Sebastião Lazaroni, foi eliminada nas oitavas de final pela Argentina em um clássico conturbado.
A Alemanha Ocidental venceu a Argentina por 1 a 0 na final, conquistando seu terceiro título mundial.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A décima quarta edição da história dos Mundiais desembarcou na Península Itálica em junho de 1990 sob uma atmosfera de imensa badalação e sofisticação cultural. A Itália tornou-se a segunda nação a sediar o torneio por duas vezes, preparando um espetáculo grandioso que uniu o charme do design italiano, estádios modernizados com coberturas imponentes e a marcante trilha sonora "Un'estate italiana". No entanto, por trás de toda a festa e dos investimentos bilionários, a Copa do Mundo de 1990 ficaria marcada tecnicamente como uma das edições mais pragmáticas, truncadas e defensivas da história do futebol.

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Os bastidores táticos e regulamentares da competição refletiram uma forte tendência de preservação defensiva por parte da maioria dos treinadores. O medo de perder superou amplamente a ousadia ofensiva, resultando na menor média de gols de todos os tempos da história dos Mundiais (apenas 2,21 por partida) e em um número recorde de cartões vermelhos e disputas por pênaltis. Essa postura ultra-defensiva, caracterizada pelo excesso de passes recuados para os goleiros segurarem a bola com as mãos para gastar tempo, irritou profundamente os torcedores e forçou a FIFA a mudar as regras do esporte nos anos seguintes.

Apesar do cenário de forte prevalência dos esquemas táticos rígidos, o torneio na Itália foi palco de uma das histórias de simpatia e superação mais bonitas e contagiantes de todos os tempos. A seleção de Camarões, apelidada de "Leões Indomáveis", chocou o planeta logo na partida de abertura ao derrotar a atual campeã Argentina de Maradona. Liderados pelo carismático atacante Roger Milla, de 38 anos, os camaroneses encantaram o mundo com suas comemorações sambando na bandeira de escanteio e avançaram de forma inédita até as quartas de final, quebrando barreiras para o futebol africano.

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Para a Seleção Brasileira, a jornada em solo italiano transformou-se em uma das campanhas mais melancólicas, criticadas e precoces de sua história na Copa do Mundo. Sob o comando técnico de Sebastião Lazaroni, o Brasil abandonou a sua tradicional identidade plástica ofensiva para adotar o contestado esquema tático 3-5-2, focado na força física e na destruição de jogadas. Mesmo avançando com três vitórias na fase inicial, a Amarelinha acabou eliminada nas oitavas de final pela rival Argentina em um clássico doloroso, marcado por chances perdidas e pela polêmica extracampo da "água batizada" oferecida ao lateral Branco.

Por outro lado, a grande e incontestável coroação daquela edição da Copa do Mundo premiou a regularidade, o poder coletivo e a imposição física da seleção da Alemanha Ocidental. Disputando o seu último torneio antes da unificação política do país, os alemães exibiram um futebol maduro, vertical e ultracompetitivo sob a liderança técnica do meio-campista Lothar Matthäus. Sob o comando do mestre Franz Beckenbauer, que buscava igualar a façanha de ser campeão como jogador e treinador, a equipe germânica superou dramas intensos e arbitragens polêmicas para marchar com autoridade rumo a uma revanche histórica.

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Resultados da Copa do Mundo de 1990

Grupo A

O grupo de abertura da Copa do Mundo dos anfitriões italianos contou com o apoio ensurdecedor das arquibancadas de Roma para confirmar o favoritismo sem grandes sustos. A Itália avançou na liderança isolada e invicta graças ao surgimento do iluminado atacante Salvatore "Totò" Schillaci, que saiu do banco para virar o herói do país. A Tchecoslováquia garantiu a segunda colocação, exibindo excelente organização tática em campo.

  • 9 de junho – Itália 1 x 0 Áustria – Estádio Olímpico (Roma)
  • 10 de junho – Tchecoslováquia 5 x 1 Estados Unidos – Estádio Comunale (Florença)
  • 14 de junho – Itália 1 x 0 Estados Unidos – Estádio Olímpico (Roma)
  • 15 de junho – Áustria 0 x 1 Tchecoslováquia – Estádio Comunale (Florença)
  • 19 de junho – Itália 2 x 0 Tchecoslováquia – Estádio Olímpico (Roma)
  • 19 de junho – Áustria 2 x 1 Estados Unidos – Estádio Comunale (Florença)

Grupo B

Este grupo entrou para a história da Copa do Mundo como o cenário da monumental zebra camaronesa diante da Argentina na abertura em Milão. Camarões liderou a chave com um futebol físico e veloz, avançando ao lado da surpreendente seleção da Romênia. A atual campeã, Argentina, sofreu com lesões e avançou de fase de forma dramática, apenas como uma das melhores terceiras colocadas da competição.

  1. 8 de junho – Argentina 0 x 1 Camarões – Estádio San Siro (Milão)
  2. 9 de junho – União Soviética 0 x 2 Romênia – Estádio San Nicola (Bari)
  3. 13 de junho – Argentina 2 x 0 União Soviética – Estádio San Paolo (Nápoles)
  4. 14 de junho – Camarões 2 x 1 Romênia – Estádio San Nicola (Bari)
  5. 18 de junho – Argentina 1 x 1 Romênia – Estádio San Paolo (Nápoles)
  6. 18 de junho – Camarões 0 x 4 União Soviética – Estádio San Nicola (Bari)

Grupo C

A chave da Seleção Brasileira teve a cidade de Turim como base e registrou uma classificação com 100% de aproveitamento em termos de pontos, mas sob intensas vaias devido ao futebol burocrático. O Brasil avançou na liderança isolada batendo rivais europeus pelo placar mínimo. A estreante e surpreendente seleção da Costa Rica chocou o mundo ao vencer Escócia e Suécia para ficar com a segunda vaga.

  • 10 de junho – Brasil 2 x 1 Suécia – Estádio Delle Alpi (Turim)
  • 11 de junho – Costa Rica 1 x 0 Escócia – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
  • 16 de junho – Brasil 1 x 0 Costa Rica – Estádio Delle Alpi (Turim)
  • 16 de junho – Suécia 1 x 2 Escócia – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
  • 20 de junho – Brasil 1 x 0 Escócia – Estádio Delle Alpi (Turim)
  • 20 de junho – Suécia 1 x 2 Costa Rica – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)

Grupo D

Considerada a chave mais vistosa e com melhor média de gols do torneio, testemunhou o futebol avassalador, vertical e dinâmico da Alemanha Ocidental. Os alemães atropelaram seus adversários para liderar de forma invicta sob a batuta de Matthäus. A forte e técnica Iugoslávia garantiu o segundo lugar com folga, e a Colômbia buscou um empate heroico na última rodada para avançar em terceiro.

  1. 9 de junho – Emirados Árabes Unidos 0 x 2 Colômbia – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)
  2. 10 de junho – Alemanha Ocidental 4 x 1 Iugoslávia – Estádio San Siro (Milão)
  3. 14 de junho – Iugoslávia 1 x 0 Colômbia – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)
  4. 15 de junho – Alemanha Ocidental 5 x 1 Emirados Árabes Unidos – Estádio San Siro (Milão)
  5. 19 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 1 Colômbia – Estádio San Siro (Milão)
  6. 19 de junho – Iugoslávia 4 x 1 Emirados Árabes Unidos – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)

Grupo E

Este grupo caracterizou-se pelo amplo domínio técnico de duas escolas tradicionais do continente europeu. A Espanha praticou um futebol consistente e de muita posse de bola para assegurar a liderança isolada e invicta da chave. A forte geração da Bélgica confirmou os prognósticos e carimbou a segunda vaga com facilidade, enquanto o Uruguai avançou de forma dramática nos acréscimos como terceiro colocado.

  • 12 de junho – Bélgica 2 x 0 Coreia do Sul – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
  • 13 de junho – Uruguai 0 x 0 Espanha – Estádio Friuli (Udine)
  • 17 de junho – Bélgica 3 x 1 Uruguai – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
  • 17 de junho – Espanha 3 x 1 Coreia do Sul – Estádio Friuli (Udine)
  • 21 de junho – Espanha 2 x 1 Bélgica – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
  • 21 de junho – Uruguai 1 x 0 Coreia do Sul – Estádio Friuli (Udine)

Grupo F

Certamente o grupo mais monótono e equilibrado da história das Copas do Mundo, registrando cinco empates em seis jogos disputados na Sardenha e na Sicília. A Inglaterra garantiu a liderança isolada ao vencer a única partida da chave diante do Egito. Irlanda e Holanda terminaram totalmente empatadas em tudo, exigindo um sorteio da FIFA para definir os irlandeses em segundo e os holandeses em terceiro.

  1. 11 de junho – Inglaterra 1 x 1 Irlanda – Estádio Sant'Elia (Cagliari)
  2. 12 de junho – Holanda 1 x 1 Egito – Estádio Favorita (Palermo)
  3. 16 de junho – Inglaterra 0 x 0 Holanda – Estádio Sant'Elia (Cagliari)
  4. 17 de junho – Irlanda 0 x 0 Egito – Estádio Favorita (Palermo)
  5. 21 de junho – Inglaterra 1 x 0 Egito – Estádio Sant'Elia (Cagliari)
  6. 21 de junho – Irlanda 1 x 1 Holanda – Estádio Favorita (Palermo)

Oitavas de final

O mata-mata direto elevou o drama com o clássico sul-americano, em que a Argentina eliminou o Brasil de Lazaroni em Turim após jogada genial de Maradona para Caniggia. A Alemanha Ocidental bateu a Holanda em um duelo elétrico e tenso em Milão, enquanto a Irlanda avançava nos pênaltis e Camarões brilhava na prorrogação com Roger Milla.

  1. 23 de junho – Camarões 2 x 1 Colômbia (Prorrogação) – Estádio San Paolo (Nápoles)
  2. 23 de junho – Tchecoslováquia 4 x 1 Costa Rica – Estádio San Nicola (Bari)
  3. 24 de junho – Brasil 0 x 1 Argentina – Estádio Delle Alpi (Turim)
  4. 24 de junho – Alemanha Ocidental 2 x 1 Holanda – Estádio San Siro (Milão)
  5. 25 de junho – Irlanda 0 x 0 Romênia (5 x 4 nos pênaltis) – Estádio Luigi Ferraris (Gênova)
  6. 25 de junho – Itália 2 x 0 Uruguai – Estádio Olímpico (Roma)
  7. 26 de junho – Espanha 1 x 2 Iugoslávia (Prorrogação) – Estádio Marcantonio Bentegodi (Verona)
  8. 26 de junho – Inglaterra 1 x 0 Bélgica (Prorrogação) – Estádio Renato Dall'Ara (Bolonha)

Quartas de final

As quartas de final mantiveram o tom dramático e a forte imposição tática defensiva. O sonho de Camarões caiu de pé diante da Inglaterra em uma prorrogação emocionante decidida por pênaltis de Gary Lineker. A Argentina avançou novamente nas penalidades máximas graças às defesas do goleiro Sergio Goycochea, repetindo o feito dos italianos e alemães.

  1. 30 de junho – Argentina 0 x 0 Iugoslávia (3 x 2 nos pênaltis) – Estádio Comunale (Florença)
  2. 30 de junho – Itália 1 x 0 Irlanda – Estádio Olímpico (Roma)
  3. 1 de julho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Tchecoslováquia – Estádio San Siro (Milão)
  4. 1 de julho – Inglaterra 3 x 2 Camarões (Prorrogação) – Estádio San Paolo (Nápoles)

Semifinais da Copa do Mundo de 1990

As duas semifinais da Copa do Mundo foram decididas de forma dramática nas penalidades máximas após empates idênticos por 1 a 1. Em Nápoles, o goleiro Goycochea calou a torcida local ao eliminar a dona da casa Itália, transformando-se no carrasco da Azzurra. Em Turim, a Alemanha Ocidental superou a tradicional arquirrival Inglaterra nos pênaltis para carimbar o passaporte.

  1. 3 de julho – Argentina 1 x 1 Itália (4 x 3 nos pênaltis) – Estádio San Paolo (Nápoles)
  2. 4 de julho – Alemanha Ocidental 1 x 1 Inglaterra (4 x 3 nos pênaltis) – Estádio Delle Alpi (Turim)

Disputa do terceiro lugar

O confronto de consolação serviu para coroar a honrosa e elogiada campanha da seleção da Itália perante a sua torcida em Bari. Em um duelo aberto e de bom nível técnico contra os britânicos, o artilheiro isolado Salvatore "Totò" Schillaci converteu um pênalti no fim para garantir o triunfo italiano e assegurar a medalha de bronze.

  1. 7 de julho – Itália 2 x 1 Inglaterra – Estádio San Nicola (Bari)

Final da Copa do Mundo de 1990

A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 1990 reuniu Alemanha Ocidental e Argentina no imponente Estádio Olímpico de Roma perante mais de 73 mil espectadores eletrizados. O confronto funcionou como uma revanche exata da final de 1986, mas apresentou um futebol extremamente truncado, tenso e amarrado pelas estratégias defensivas. Fragilizada por lesões e suspensões, a Argentina de Diego Maradona se trancou completamente na retaguarda, tentando arrastar o duelo para os pênaltis, enquanto os alemães atacavam de forma insistente, mas pecavam na pontaria. O clima nervoso explodiu em campo com as expulsões históricas de Monzón e Dezotti, fazendo da Argentina a primeira equipe a receber cartões vermelhos em uma final de Copa.

Aos 40 minutos da etapa complementar, o lance que definiu os rumos da história aconteceu quando o árbitro Edgardo Codesal marcou um pênalti altamente polêmico e contestado de Sensini sobre Rudi Völler dentro da área. Com o capitão Lothar Matthäus sem confiança devido a uma trava quebrada em sua chuteira, a responsabilidade monumental caiu sobre os ombros do lateral Andreas Brehme. Com extrema frieza e precisão milimétrica, Brehme chutou rasteiro de perna direita para vencer Goycochea e decretar o placar final de 1 a 0. O triunfo suado coroou a Alemanha Ocidental como tricampeã mundial, igualando as marcas de Brasil e Itália, e permitiu a Franz Beckenbauer entrar para o seleto grupo dos campeões como jogador e treinador.

  • 8 de julho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Argentina – Estádio Olímpico (Roma)

Classificação final da Copa do Mundo de 1990

Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1990, estruturada oficialmente de forma retroativa pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols das nações:

    1.
  1. Alemanha Ocidental (Campeã)
  2. 2.
  3. Argentina (Vice-campeã)
  4. 3.
  5. Itália
  6. 4.
  7. Inglaterra
  8. 5.
  9. Iugoslávia
  10. 6.
  11. Tchecoslováquia
  12. 7.
  13. Camarões
  14. 8.
  15. Irlanda
  16. 9.
  17. Brasil
  18. 10.
  19. Espanha
  20. 11.
  21. Bélgica
  22. 12.
  23. Romênia
  24. 13.
  25. Costa Rica
  26. 14.
  27. Colômbia
  28. 15.
  29. Holanda
  30. 16.
  31. Uruguai
  32. 17.
  33. Áustria
  34. 18.
  35. Escócia
  36. 19.
  37. União Soviética
  38. 20.
  39. Egito
  40. 21.
  41. Suécia
  42. 22.
  43. Coreia do Sul
  44. 23.
  45. Estados Unidos
  46. 24.
  47. Emirados Árabes Unidos

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