Copa do Mundo de 1970: Todos os resultados
Relembre os placares, os cinco camisas 10 e o tricampeonato do Brasil em 1970.

A nona edição da história dos Mundiais desembarcou na América do Norte em maio de 1970 para se consagrar como uma das páginas mais bonitas do esporte. O México foi a nação escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1970, enfrentando o desafio de organizar as partidas sob o forte calor do meio-dia local e a elevada altitude de suas cidades. Apesar dos receios físicos iniciais, o torneio transformou-se em um marco tecnológico global, sendo o primeiro transmitido ao vivo e totalmente em cores para televisores de diversos continentes do planeta.
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Os bastidores técnicos da Copa do Mundo também registraram inovações cruciais que modernizaram a dinâmica do jogo e a própria disciplina em campo. Foi em solo mexicano que a FIFA introduziu de forma pioneira a utilização dos cartões amarelos e vermelhos para punir as infrações dos atletas, além de permitir oficialmente a realização de duas substituições por equipe ao longo dos 90 minutos. Essas medidas preservaram a integridade física dos jogadores técnicos e reduziram drasticamente a violência que havia manchado as edições anteriores.
No aspecto competitivo, a Copa do Mundo reuniu 16 seleções nacionais qualificadas com propostas táticas muito bem estruturadas e ofensivas. A atual campeã Inglaterra trouxe um elenco fortíssimo para defender seu título, enquanto a Alemanha Ocidental buscava revanche e a Itália exibia a rigidez defensiva do seu tradicional sistema de jogo. Pela primeira vez na história recente, o continente africano ganhou representação direta garantida com a presença do Marrocos, elevando o caráter verdadeiramente global da disputa.
Para a Seleção Brasileira, o torneio no México representou o ápice estético e técnico do chamado "Futebol Arte" e do encanto popular. Sob o comando do jovem treinador Zagallo, a comissão técnica brasileira promoveu uma engenharia tática ousada e genial: escalou cinco atletas que vestiam a camisa 10 em seus respectivos clubes (Pelé, Gérson, Tostão, Rivellino e Jairzinho) para atuarem juntos no mesmo time titular. O resultado foi uma sinfonia coletiva de passes, dribles e jogadas memoráveis que assombrou os espectadores.
A caminhada brasileira em direção à glória máxima foi perfeita, coroando o futebol dinâmico de um elenco que venceu absolutamente todos os compromissos disputados desde as Eliminatórias. Liderado pelo Rei Pelé em sua última e mais brilhante Copa, e impulsionado pelos gols históricos de Jairzinho, o "Furacão", o Brasil marchou firme rumo à grande decisão na Cidade do México. O duelo de gigantes contra os italianos decidiria quem ficaria em definitivo com a cobiçada Taça Jules Rimet.
Resultados da Copa do Mundo de 1970
Grupo 1
Sediado na imponente capital mexicana, o grupo de abertura da Copa do Mundo contou com o apoio massivo e barulhento dos torcedores locais nas arquibancadas do Azteca. A União Soviética demonstrou enorme consistência coletiva e avançou na liderança da chave graças ao saldo de gols favorável. O México garantiu a festa de seu povo ao carimbar a segunda vaga de forma invicta, enquanto Bélgica e El Salvador se despediram mais cedo.
- 31 de maio – México 0 x 0 União Soviética – Estádio Azteca (Cidade do México)
- 3 de junho – Bélgica 3 x 0 El Salvador – Estádio Azteca (Cidade do México)
- 6 de junho – União Soviética 4 x 1 Bélgica – Estádio Azteca (Cidade do México)
- 7 de junho – México 4 x 0 El Salvador – Estádio Azteca (Cidade do México)
- 10 de junho – União Soviética 2 x 0 El Salvador – Estádio Azteca (Cidade do México)
- 11 de junho – México 1 x 0 Bélgica – Estádio Azteca (Cidade do México)
Grupo 2
Esta chave se caracterizou pelo extremo equilíbrio tático, forte prevalência dos sistemas defensivos e uma escassez notável de gols ao longo das rodadas. A Itália confirmou o favoritismo de forma bastante econômica, avançando na liderança marcando apenas um gol em três partidas. O Uruguai sofreu intensamente com o forte calor, mas assegurou a segunda vaga nos critérios técnicos diante de Suécia e Israel.
- 2 de junho – Uruguai 2 x 0 Israel – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)
- 3 de junho – Itália 1 x 0 Suécia – Estádio Luis Dosal (Toluca)
- 6 de junho – Uruguai 0 x 0 Itália – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)
- 7 de junho – Suécia 1 x 1 Israel – Estádio Luis Dosal (Toluca)
- 10 de junho – Suécia 1 x 0 Uruguai – Estádio Cuauhtémoc (Puebla)
- 11 de junho – Itália 0 x 0 Israel – Estádio Luis Dosal (Toluca)
Grupo 3
Considerada a grande "chave da morte" do torneio, reuniu a Seleção Brasileira e a atual campeã mundial Inglaterra na charmosa cidade de Guadalajara. O Brasil jogou um futebol encantador, superando os ingleses em um duelo histórico marcado pela lendária defesa de Gordon Banks em cabeçada de Pelé. A Amarelinha sobrou na liderança com 100% de aproveitamento, avançando ao lado dos briosos britânicos.
- 3 de junho – Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 3 de junho – Inglaterra 1 x 0 Romênia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 7 de junho – Brasil 1 x 0 Inglaterra – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 10 de junho – Romênia 2 x 1 Tchecoslováquia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 10 de junho – Brasil 3 x 2 Romênia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 11 de junho – Inglaterra 1 x 0 Tchecoslováquia – Estádio Jalisco (Guadalajara)
Grupo 4
A chave sediada em León testemunhou exibições ultra-ofensivas e um verdadeiro festival de gols comandado pela excelente Alemanha Ocidental. O artilheiro alemão Gerd Müller desfilou sua pontaria impecável para garantir a liderança isolada de sua equipe. A surpreendente e técnica seleção do Peru, dirigida pelo mestre brasileiro Didi, encantou o público com um futebol vertical e carimbou a segunda vaga.
- 2 de junho – Peru 3 x 2 Bulgária – Estádio Nou Camp (León)
- 3 de junho – Alemanha Ocidental 2 x 1 Marrocos – Estádio Nou Camp (León)
- 6 de junho – Peru 3 x 0 Marrocos – Estádio Nou Camp (León)
- 7 de junho – Alemanha Ocidental 5 x 2 Bulgária – Estádio Nou Camp (León)
- 10 de junho – Alemanha Ocidental 3 x 1 Peru – Estádio Nou Camp (León)
- 11 de junho – Bulgária 1 x 1 Marrocos – Estádio Nou Camp (León)
Quartas de final da Copa do Mundo
A fase eliminatória de mata-mata entregou confrontos espetaculares de alta intensidade emocional e física por todo o território mexicano. A Alemanha Ocidental buscou uma revanche épica ao eliminar a Inglaterra de virada na prorrogação. Paralelamente, o Brasil superou o valente Peru em um duelo aberto de muitos gols, enquanto a Itália despachava os donos da casa com autoridade.
- 14 de junho – Alemanha Ocidental 3 x 2 Inglaterra (Prorrogação) – Estádio Nou Camp (León)
- 14 de junho – Brasil 4 x 2 Peru – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 14 de junho – Itália 4 x 1 México – Estádio Luis Dosal (Toluca)
- 14 de junho – Uruguai 1 x 0 União Soviética (Prorrogação) – Estádio Azteca (Cidade do México)
Semifinais
As semifinais entraram definitivamente para a antologia do esporte com duas exibições dramáticas e inesquecíveis. O Brasil exorcizou o fantasma histórico de 1950 ao bater o Uruguai de virada com gols de Clodoaldo, Jairzinho e Rivelino. Na outra chave, Itália e Alemanha travaram o "Jogo do Século" no Azteca, um embate épico de sete gols decidido na prorrogação com vitória italiana.
- 17 de junho – Brasil 3 x 1 Uruguai – Estádio Jalisco (Guadalajara)
- 17 de junho – Itália 4 x 3 Alemanha Ocidental (Prorrogação) – Estádio Azteca (Cidade do México)
Disputa do terceiro lugar
O confronto de consolação reuniu duas das escolas mais fortes e competitivas do futebol europeu no período na capital mexicana. Demonstrando imensa dedicação coletiva e contando com mais um gol do artilheiro isolado Gerd Müller, a Alemanha Ocidental superou o desgaste físico e bateu o Uruguai para assegurar a medalha de bronze.
- 20 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Uruguai – Estádio Azteca (Cidade do México)
Final da Copa do Mundo de 1970
A grande finalíssima da Copa do Mundo de 1970 colocou frente a frente Brasil e Itália no superlotado Estádio Azteca perante mais de 100 mil espectadores eletrizados. O confronto começou em ritmo alucinante e com forte imposição técnica de ambos os lados. Pelé abriu o placar de cabeça com um salto monumental que desafiou a gravidade, mas a Itália aproveitou uma falha na retaguarda brasileira para empatar com Boninsegna antes do intervalo, mantendo o clima de enorme suspense no ar.
Na etapa complementar, a superioridade física e a genialidade tática da Seleção Brasileira ditaram totalmente o ritmo das ações no gramado mexicano. Gérson desempatou a partida com um chute potente de perna esquerda, e logo em seguida Jairzinho escorou para as redes para ampliar a vantagem. Nos minutos finais, o mundo testemunhou o gol mais emblemático da história das Copas: uma construção coletiva perfeita que passou por quase todo o time e terminou com o petardo cruzado do capitão Carlos Alberto Torres. O placar de 4 a 1 consagrou o Brasil como o primeiro tricampeão mundial.
- 21 de junho – Brasil 4 x 1 Itália – Estádio Azteca (Cidade do México)
Classificação final da Copa do Mundo de 1970
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1970, estruturada de forma retroativa pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols de cada nação:
- Brasil (Campeão)
- Itália (Vice-campeã)
- Alemanha Ocidental
- Uruguai
- União Soviética
- México
- Peru
- Inglaterra
- Suécia
- Bélgica
- Romênia
- Israel
- Bulgária
- Marrocos
- El Salvador
- Tchecoslováquia
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