Copa do Mundo de 1958: Todos os resultados
Relembre os placares, locais e o primeiro título mundial do Brasil em 1958.

A sexta edição da história dos Mundiais desembarcou na Escandinávia em junho de 1958, trazendo um clima de renovação e esperança para o futebol internacional. A Suécia foi a nação escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1958, consolidando uma infraestrutura impecável com doze cidades-sede que espalharam o torneio de norte a sul do país. Pela primeira vez na história, o evento contou com uma ampla e robusta cobertura de televisão, permitindo que milhões de torcedores ao redor do continente europeu assistissem aos confrontos em tempo real diretamente de suas casas.
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Os bastidores técnicos da competição foram marcados pela presença inédita das quatro federações que compõem o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), um feito que jamais voltou a ser repetido. Por outro lado, potências tradicionais como o Uruguai e a Itália não conseguiram superar as Eliminatórias, abrindo espaço para a estreia da União Soviética, que trazia ao mundo o lendário goleiro Lev Yashin, o "Aranha Negra". O regulamento manteve as 16 seleções divididas em quatro grupos, mas com uma novidade justa: o saldo de gols passou a ser considerado para evitar os desgastantes jogos extras em caso de igualdade de pontos, com exceção da disputa direta pela segunda vaga.
Dentro das quatro linhas, o torneio escandinavo foi palco de uma das exibições ofensivas mais avassaladoras de todos os tempos, protagonizada pela fantástica seleção da França. Com um ataque comandado de forma magistral por Raymond Kopa e finalizado de maneira cirúrgica por Just Fontaine, os franceses encantaram os espectadores com um futebol dinâmico e vistoso. Fontaine escreveu seu nome em letras de ouro na história do futebol ao anotar impressionantes 13 gols ao longo da competição, um recorde absoluto e inacreditável em uma única edição de Copa do Mundo que permanece intocado até os dias de hoje.
Para a Seleção Brasileira, o torneio na Suécia representou a quebra definitiva do complexo de vira-latas e o nascimento de uma dinastia no futebol mundial. Sob o comando de Vicente Feola, a delegação brasileira montou uma estrutura científica altamente profissional para a época, incluindo psicólogo, médico e dentista para cuidar dos atletas. No entanto, a verdadeira revolução aconteceu quando os jovens Pelé, com apenas 17 anos, e Garrincha entraram no time titular a partir da terceira rodada. O entrosamento mágico da dupla, aliado à genialidade tática de Didi e aos gols de Vavá, transformou a Amarelinha em uma força imparável e hipnotizante.
Após superar desafios físicos intensos e deixar para trás adversários de peso com goleadas espetaculares nas fases eliminatórias, o Brasil marchou confiante em direção à grande decisão. Enfrentar os donos da casa em Estocolmo exigeu do elenco uma enorme maturidade psicológica, testada logo nos minutos iniciais da partida mais importante do torneio. A vitória categórica e emocionante em solo europeu não apenas cicatrizou as feridas do passado, mas também apresentou ao planeta o "Futebol Arte" e coroou o surgimento do Rei do Futebol, mudando os rumos do esporte para sempre.
Resultados da Copa do Mundo de 1958
Grupo 1
O grupo de abertura foi marcado pelo enorme equilíbrio físico e tático e pela trágica campanha da seleção da Argentina, que acabou goleada de forma humilhante. A atual campeã Alemanha Ocidental confirmou seu favoritismo de forma segura, enquanto a valente Irlanda do Norte precisou disputar e vencer um jogo extra de desempate emocionante contra os tchecoslovacos para carimbar sua histórica classificação.
- 8 de junho – Alemanha Ocidental 3 x 1 Argentina – Estádio Malmö Stadion (Malmö)
- 8 de junho – Irlanda do Norte 1 x 0 Tchecoslováquia – Estádio Örjans Vall (Halmstad)
- 11 de junho – Alemanha Ocidental 2 x 2 Irlanda do Norte – Estádio Malmö Stadion (Malmö)
- 11 de junho – Argentina 3 x 1 Tchecoslováquia – Estádio Örjans Vall (Halmstad)
- 15 de junho – Alemanha Ocidental 2 x 2 Tchecoslováquia – Estádio Ryavallen (Borås)
- 15 de junho – Irlanda do Norte 3 x 2 Argentina – Estádio Örjans Vall (Halmstad)
- 17 de junho – Irlanda do Norte 2 x 1 Tchecoslováquia (Jogo de desempate) – Estádio Malmö Stadion (Malmö)
Grupo 2
Esta chave ficou eternizada pelo futebol ultra-ofensivo e vistoso apresentado pela dupla de classificados, que castigou as defesas adversárias com uma chuva de gols. A França liderou as ações graças à pontaria espetacular de Just Fontaine, avançando ao lado da forte e entrosada Iugoslávia, enquanto Paraguai e Escócia se despediram de forma precoce exibindo sérias fragilidades táticas na retaguarda.
- 8 de junho – França 7 x 3 Paraguai – Estádio Idrottsparken (Norrköping)
- 8 de junho – Iugoslávia 1 x 1 Escócia – Estádio Arosvallen (Västerås)
- 11 de junho – Iugoslávia 3 x 2 França – Estádio Arosvallen (Västerås)
- 11 de junho – Paraguai 3 x 2 Escócia – Estádio Idrottsparken (Norrköping)
- 15 de junho – França 2 x 1 Escócia – Estádio Eyravallen (Örebro)
- 15 de junho – Iugoslávia 3 x 3 Paraguai – Estádio Tunavallen (Eskilstuna)
Grupo 3
Os donos da casa comandaram este grupo com extrema autoridade, empurrados por arquibancadas inflamadas e liderados pelo talento de Nils Liedholm. A grande surpresa foi a eliminação da Hungria, vice-campeã de 1954 e já desfeita politicamente, que perdeu a vaga no jogo de desempate para o estreante País de Gales, equipe extremamente disciplinada e física defensivamente.
- 8 de junho – Suécia 3 x 0 México – Estádio Råsunda (Solna)
- 8 de junho – Hungria 1 x 1 País de Gales – Estádio Jernvallen (Sandviken)
- 11 de junho – México 1 x 1 País de Gales – Estádio Råsunda (Solna)
- 12 de junho – Suécia 2 x 1 Hungria – Estádio Råsunda (Solna)
- 15 de junho – Suécia 0 x 0 País de Gales – Estádio Råsunda (Solna)
- 15 de junho – Hungria 4 x 0 México – Estádio Jernvallen (Sandviken)
- 17 de junho – País de Gales 2 x 1 Hungria (Jogo de desempate) – Estádio Råsunda (Solna)
Grupo 4
Considerada a primeira grande "chave da morte" da história dos Mundiais, reuniu potências com propostas totalmente distintas. O Brasil iniciou o torneio de forma contundente e garantiu a liderança isolada após as históricas entradas de Pelé e Garrincha na última rodada diante da temida União Soviética. Os soviéticos avançaram em segundo após baterem a Inglaterra em um jogo extra tenso.
- 8 de junho – Brasil 3 x 0 Áustria – Estádio Rimnersvallen (Uddevalla)
- 8 de junho – União Soviética 2 x 2 Inglaterra – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
- 11 de junho – Brasil 0 x 0 Inglaterra – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
- 11 de junho – União Soviética 2 x 0 Áustria – Estádio Ryavallen (Borås)
- 15 de junho – Brasil 2 x 0 União Soviética – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
- 15 de junho – Inglaterra 2 x 2 Áustria – Estádio Ryavallen (Borås)
- 17 de junho – União Soviética 1 x 0 Inglaterra (Jogo de desempate) – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
Quartas de final da Copa do Mundo
A fase de quartas de final elevou o nível dramático do torneio, registrando o primeiro gol da carreira de Pelé em Copas, que decidiu o confronto contra os galeses de forma cirúrgica. A França e a Alemanha Ocidental confirmaram suas forças com triunfos incontestáveis, enquanto a Suécia usava o fator casa para despachar os fortes soviéticos.
- 19 de junho – Brasil 1 x 0 País de Gales – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
- 19 de junho – França 4 x 0 Irlanda do Norte – Estádio Idrottsparken (Norrköping)
- 19 de junho – Suécia 2 x 0 União Soviética – Estádio Råsunda (Solna)
- 19 de junho – Alemanha Ocidental 1 x 0 Iugoslávia – Estádio Malmö Stadion (Malmö)
Semifinais
As semifinais colocaram frente a frente os quatro melhores ataques e propostas de jogo do planeta em exibições de gala espetaculares. O Brasil atropelou a badalada França com um hat-trick assombroso de Pelé no segundo tempo, enquanto os anfitriões suecos buscaram uma virada heroica contra os atuais campeões mundiais em um ambiente hostil.
- 24 de junho – Brasil 5 x 2 França – Estádio Råsunda (Solna)
- 24 de junho – Suécia 3 x 1 Alemanha Ocidental – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
Disputa do terceiro lugar
O duelo de consolação transformou-se em um verdadeiro festival ofensivo de gols, consolidando a campanha mágica e histórica da seleção francesa na Escandinávia. Just Fontaine deu mais um show particular em campo ao anotar incríveis quatro gols na partida, assegurando de forma incontestável a medalha de bronze para os franceses.
- 28 de junho – França 6 x 3 Alemanha Ocidental – Estádio Ullevi (Gotemburgo)
Final da Copa do Mundo de 1958
A grande finalíssima da Copa do Mundo de 1958 colocou frente a frente a juventude brilhante do Brasil e a experiente seleção da Suécia perante um Estádio Råsunda lotado e sob os olhares atentos do rei Gustavo VI Adolfo. O clima de apreensão tomou conta dos brasileiros quando os donos da casa abriram o placar logo aos quatro minutos com Liedholm. Sem se abater com a desvantagem relâmpago, o Brasil manteve a calma tática ditada por Didi e buscou a virada ainda na etapa inicial com dois gols idênticos de Vavá após jogadas geniais de Garrincha pela ponta direita.
No segundo tempo, o mundo testemunhou o desabrochar definitivo da genialidade de Pelé nos gramados europeus. O camisa 10 anotou um gol antológico ao chapelar o zagueiro sueco e chutar sem deixar a bola cair, ampliando a vantagem. Zagallo marcou o quarto, os suecos diminuíram o placar, mas Pelé fechou a contagem de cabeça nos minutos derradeiros para decretar o histórico placar de 5 a 2. O triunfo incontestável coroou o Brasil como campeão mundial pela primeira vez, quebrando o tabu de que nenhuma equipe americana venceria na Europa.
- 29 de junho – Brasil 5 x 2 Suécia – Estádio Råsunda (Solna)
Classificação final da Copa do Mundo de 1958
Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 1958, estruturada de forma retroativa pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols de cada nação:
- Brasil (Campeão)
- Suécia (Vice-campeã)
- França
- Alemanha Ocidental
- País de Gales
- União Soviética
- Irlanda do Norte
- Iugoslávia
- Tchecoslováquia
- Hungria
- Inglaterra
- Paraguai
- Argentina
- Escócia
- Áustria
- México
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