Paris 2024 x Milão-Cortina 2026: veja a diferença no custo dos Jogos Olímpicos
Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno envolvem quantias volumosas de dinheiro

A comparação entre os custos dos Jogos Olímpicos de Verão de Paris 2024 e dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 expõe diferenças significativas: escala, desafios operacionais e escolhas de modelo de entrega. A edição na capital francesa apresentou um orçamento total superior, resultado da combinação entre gastos públicos robustos e investimentos em infraestrutura urbana. Já a edição nas cidades italianas, este ano, 2026 segue um modelo mais contido, focado na reutilização de arenas existentes e menor dependência de obras permanentes.
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No caso dos Jogos de 2024, dados oficiais indicam que o impacto financeiro público total para o governo francês superou os € 6 bilhões, segundo o Tribunal de Contas do país. Custos que contemplaram investimentos públicos em infraestrutura (como melhorias urbanas, transporte e segurança), além de aportes diretos ao comitê organizador e despesas operacionais. Parte relevante desse investimento se conecta a um projeto de legado urbano, com obras planejadas para além do período da competição.
Em contraste, os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 foram estruturados com um orçamento operacional menor. O comitê organizador revisou o orçamento inicialmente apresentado, que girava em torno de US$ 1,3 bilhão, para uma faixa pouco superior a US$ 1,7 bilhão, conforme reportagens especializadas. Além disso, os custos públicos associados à infraestrutura foram estimados em cerca de € 3,5 bilhões, incluindo obras de adaptação e construção de instalações esportivas, melhorias na mobilidade local e logística entre sedes distantes.
Motivos
As diferenças evidenciam a complexidade operacional dos Jogos de Verão em Paris. Já Milão-Cortina adotou um modelo no qual mais de 90% das arenas já existiam ou foram projetadas como temporárias, o que reduziu o impacto financeiro de novas construções permanentes, apesar dos custos adicionais de logística, transporte e coordenação operacional impostos pela dispersão geográfica das sedes.
A diferença de magnitude entre as Olimpíadas também se reflete na natureza dos investimentos públicos. Paris assumiu a função de sediar o evento e acelerar projetos estruturais de infraestrutura urbana, enquanto Milão-Cortina concentrou seus investimentos em instalações esportivas específicas e na adaptação de estruturas existentes, com menor ênfase em transformações urbanas de grande escala.
Vale destacar a diferença no número de delegações, de atletas e de competições disputadas entre os dois eventos. Paris 2024 reuniu cerca de 10,5 mil atletas de 206 países, distribuídos em 32 esportes. Já Milão-Cortina 2026 deve contar com aproximadamente 2,9 mil atletas de cerca de 93 países, espalhados em 16 esportes. Essa discrepância de escala ajuda a explicar por que os Jogos de Verão apresentam custos operacionais e logísticos significativamente superiores aos de Inverno.
Patrocínios e direitos de mídia: escala de receitas
No campo comercial, os Jogos de Verão e de Inverno operam em escalas distintas de monetização. No programa global de patrocinadores do COI (TOP), a base de parceiros atende a ambos os ciclos olímpicos, mas passou por mudanças relevantes recentes.
Segundo o Sports Business Journal, a receita do programa global de patrocinadores do COI (TOP) caiu de US$ 871,5 milhões em 2024 para cerca de US$ 560 milhões no ciclo atual. Saíram marcas como Intel, Atos, Panasonic, Bridgestone e Toyota, parcialmente compensados pela entrada da TCL.
No nível doméstico, o comitê organizador de Milão-Cortina 2026 trabalha com uma meta de € 550 milhões em patrocínios locais, estruturados em quatro categorias. Ao menos 40 acordos já estavam fechados até meados do ano passado, além de oito marcas posicionadas na categoria principal.
Em mídia, a diferença de patamar financeiro é ainda mais clara. Os direitos olímpicos nos Estados Unidos seguem concentrados na NBCUniversal, que detém o pacote de transmissão de Jogos de Verão e Inverno no período 2022–2032 por US$ 7,5 bilhões, com extensão contratual até 2036 por mais US$ 3 bilhões - estrutura que sustenta financeiramente tanto Paris 2024 quanto Milão-Cortina 2026 dentro do atual ciclo comercial do COI.


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