Como seria dividido o dinheiro da nova oferta do Mubadala à Libra? Veja planilha e compare com Forte Futebol
Fundo árabe se movimenta para garantir bloco comercial e atrair Botafogo, Cruzeiro e Vasco

Os clubes da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) têm uma nova alternativa para assinar com o Mubadala Capital, fundo árabe interessado em investir no futebol brasileiro.
Destaques:
- Nova oferta prevê apenas a formação de um bloco comercial, sem participação do fundo na organização do Brasileirão;
- Operação seria de R$ 1,3 bilhão a R$ 2,3 bilhões - a depender do número de clubes - por 12,5% dos direitos;
- Caso o cenário de divisão se confirme, oferta é similar à do Serengeti ao Forte Futebol
O que muda em relação às últimas ofertas?
Em reunião virtual realizada na manhã desta segunda-feira com os membros da Libra, o Mubadala Capital apresentou mais uma alternativa aos 18 clubes que compõem o grupo: a formação de um bloco comercial apenas para negociação dos direitos de transmissão, sem a previsão de uma liga de fato.
Caso este seja o modelo escolhido, os clube receberiam um pagamento à vista em troca da cessão de 12,5% dos direitos de transmissão do bloco por 50 anos. O valor da proposta é 50% do cheque da oferta integral - de R$ 4,75 bilhões por 20% -, mas de forma proporcional ao novo percentual discutido.
Descontando o pagamento de comissões aos intermediários, os 18 membros atuais da Libra dividiriam um valor líquido de R$ 1,3 bilhão. Caso times do Forte Futebol se juntem ao grupo, o valor aumentaria até chegar ao máximo de R$ 2,3 bilhões, em um cenário improvável de bloco comercial com 40 clubes, mas sem formação da liga.
Cabe destacar que a novidade não altera as duas propostas apresentadas anteriormente - uma de R$ 4,75 bilhões por 20% de uma liga com mais de 33 clubes, outra de R$ 4 bilhões em um cenário intermediário, com 18 a 33 clubes.
Tentativa de atrair Vasco, Botafogo e Cruzeiro
Há uma explicação por trás da nova oferta do Mubadala Capital. Com divergências entre dirigentes da Libra e Forte Futebol, a fundação da liga está travada e o fundo árabe quer garantir, na pior das hipóteses, a participação acionária em um bloco comercial, segundo apurou o L!.
Além disso, há o entendimento que a novidade pode facilitar o acerto com Vasco, Cruzeiro e Botafogo, que fazem parte da Libra, mas não assinaram o novo MOU (memorando de entendimento). Uma das insatisfações do trio é justamente a a cláusula que condiciona o pagamento de R$ 4,75 bilhões ou R$ 4 bilhões à participação do Mubadala na organização do Brasileirão.

Quantos os clubes receberiam em cada bloco comercial?
Diante das últimas movimentações, a formação de dois blocos comerciais é o cenário mais provável a curto prazo. De um lado, o Mubadala Capital investiria R$ 1,3 bilhão por 12,5% dos direitos dos 18 clubes da Libra. Do outro, o Serengeti precisaria assinar com 22 clubes do Forte Futebol para validar a proposta intermediária de R$ 2,2 bilhões por 20% do bloco comercial.
Em termos proporcionais, as duas propostas têm valores parecidos. A diferença é que o valor oferecido pelo Serengeti é fixo para o cenário de 22 a 35 clubes, enquanto a proposta do Mubadala aumenta ou diminui de acordo com a entrada e saída de clubes.
Neste caso, cada grupo dividiria o dinheiro seguindo seus próprios critérios. Pelo lado do Forte Futebol, a distribuição entre os membros atuais está definida desde abril - clique aqui para ver mais detalhes.
O cálculo de divisão da nova oferta do Mubadala Capital é simples: cada clube da Libra receberia metade do montante destinado na proposta integral, de R$ 4,75 bilhões. O Flamengo, por exemplo, ganharia R$ 316 milhões pela venda de 20% dos direitos da eventual liga e ficaria com uma fatia de R$ 158 milhões por 12,5%.
E com um bloco comercial de 40 clubes?
Já em um possível cenário de bloco comercial com 40 clubes, a proposta do Serengeti aos clubes do Forte Futebol leva vantagem. A oferta integral do fundo americano é de R$ 4,76 bilhões líquidos por 20% dos direitos da eventual liga - com 36 ou mais times - e também considera a formação de um bloco comercial. De forma proporcional, o valor seria de R$ 2,97 bilhões por 12,5% - contra R$ 2,3 bilhões do Mubadala.
Neste caso, a vantagem principal da Libra em relação ao Forte Futebol seria o pagamento à vista - o que pode atrair clubes com problemas de fluxo de caixa. O pagamento da LFF, por outro lado, aconteceria em três parcelas.
Este cenário, no entanto, é improvável de acontecer. Se os clubes se unirem em um único bloco comercial, a tendência é a formação da liga para organizar o Brasileirão e a Série B como um todo. Neste caso, valeria a primeira proposta do Mubadala Capital, de R$ 4,75 bilhões por 20% dos direitos comerciais da liga.
* A matéria foi atualizada às 18h40 com a adição da tabela comparativa nos moldes atuais.

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