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A 30 dias da Copa do Mundo, mais de 3 bilhões de pessoas ainda não sabem se conseguirão assistir ao torneio

Fifa segue em negociações com emissoras da China e da Índia para transmissão do torneio nos países

PorVinícius Espirito Santo SpadaSão Paulo (SP)
11/05/2026 16:08
Atualizado em 11/05/2026 16:50

Supervisionado porNathalia Gomes,
Vista geral do MetLife Stadium, em Nova Jersey, antes da Copa do Mundo de 2026. (Foto: Dustin Satloff/Getty Images/AFP)
Vista geral do MetLife Stadium, em Nova Jersey, um dos principais estádios da Copa do Mundo de 2026. (Foto: Dustin Satloff/Getty Images/AFP)

O maior torneio de futebol do mundo, que terá um recorde de 48 seleções e será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, corre o risco de não ser transmitido para aproximadamente 3 bilhões de pessoas. O impasse pode afetar cerca de 40% da população mundial. Embora o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenha declarado que a edição de 2026 será a mais "inclusiva" da história, a entidade ainda não encontrou uma solução para as negociações com a China e Índia.

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Os dois países são pilares fundamentais da audiência global. Em 2022, a China ocupou o primeiro lugar e a Índia a nona posição no ranking mundial de alcance da TV, somando 510 milhões e 84 milhões de telespectadores, respectivamente, segundo dados oficiais da própria Fifa.

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Até o momento, a entidade já comercializou os direitos de transmissão para mais de 175 países, mas nos dois mercados mais populosos do mundo o acordo ainda não teve um desfecho positivo. Mesmo diante do cenário incerto, Infantino mantém o discurso de que o torneio será o maior show e o maior evento esportivo já realizado.

As negociações com os dois países

De acordo com informações da agência internacional de notícias Reuters, a Fifa buscava inicialmente 300 milhões de dólares pelos direitos de transmissão na China, valor que gira em torno de 1,5 bilhão de reais. A emissora estatal CCTV recusou a proposta. Diante do impasse, o portal estatal Sixthtone informou em 8 de maio que a equipe de Infantino aceitou reduzir a pedida pela metade para tentar destravar o negócio. Um dos obstáculos centrais é o fuso horário, uma vez que as partidas serão transmitidas nos períodos noturno e de madrugada para o público chinês.

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Na Índia, o cenário também é de cautela. Uma união entre a Reliance e a Disney ofereceu 20 milhões de dólares pelos direitos locais, montante próximo a 100 milhões de reais. Segundo fontes citadas pela Reuters, o valor foi rejeitado pela Fifa por ser considerado abaixo das expectativas de mercado da entidade.

Em nota oficial enviada à imprensa no dia 4 de maio, a organização afirmou que as conversas continuam ativas, mas ressaltou que os detalhes devem permanecer sob sigilo nesta fase das tratativas.

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— As negociações na China e na Índia sobre a venda dos direitos de transmissão da Copa do Mundo da FIFA de 2026 estão em andamento e devem permanecer confidenciais nesta fase — afirmou a Fifa em um comunicado.

Importância do direito de transmissão para o torneio

A expectativa de receita total da Fifa para a Copa do Mundo de 2026 é alta. A entidade projeta uma receita total de 8,9 bilhões de dólares para o ciclo, o que representa aproximadamente 45 bilhões de reais. A maior fatia desse faturamento deve vir justamente dos direitos de transmissão, com uma estimativa de arrecadação de 3,9 bilhões de dólares, ou cerca de 19,8 bilhões de reais.

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Além do impacto financeiro, o alcance populacional está em jogo. Pesquisas indicam que cerca de 30% da população mundial assiste a pelo menos 20 minutos da Copa do Mundo na TV tradicional. No entanto, a audiência global em termos percentuais não apresentou crescimento significativo entre 2014 e 2022. Os dados mostram que 29% da população global acompanhou o torneio pela TV em 2014, número que subiu para 34% em 2018 e recuou para 28% em 2022.

A preocupação dos grandes patrocinadores

O impasse também gera desconforto entre as marcas que investem no torneio. Patrocinadores chineses, como a gigante do setor lácteo Mengniu e a fabricante de eletrônicos Hisense, investiram um total de 500 milhões de dólares no evento, o equivalente a 2,5 bilhões de reais, segundo dados do Global Times. Marcas globais como Adidas e Coca-Cola também acompanham o cenário de perto, pois correm o risco de perder a exposição em dois importantes mercados.

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A relevância desses territórios é enorme. Juntos, China e Índia representaram 22,6% de todo o alcance global de streaming digital na Copa de 2022. Na TV, a China respondeu por 17,7% da audiência mundial, enquanto a Índia contribuiu com 2,9% do alcance global no último torneio.

Copa do Mundo de 2026 entra em contagem regressiva (Foto: X/ @fifaworldcup_es)
Copa do Mundo de 2026 entra em contagem regressiva (Foto: X/ @fifaworldcup_es)

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