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Pausa para hidratação vira debate entre jogadores do Brasileirão

CBF não adotou a pausa para hidratação no Brasileirão

PorThiago BragaSão Paulo (SP)
20/08/2026 07:00
Thomas Tuchel conversa com jogadores durante pausa para hidratação em Inglaterra x RD Congo pela Copa do Mundo
Pausa para hidratação na Copa do Mundo (Foto: ROBERTO SCHMIDT / AFP)

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Na Copa do Mundo de 2026, a Fifa instituiu a pausa para a hidratação, uma parada de três minutos em cada tempo como medida voltada ao bem-estar dos atletas. O intervalo passou a fazer parte de todos os jogos, independentemente do estádio, da temperatura ou da existência de cobertura.

No Brasil, a CBF havia previsto duas interrupções para reidratação nas partidas da Série A durante os primeiros meses do ano, período que abrangia o fim do verão. Depois, porém, a parada deixou de fazer parte do conjunto de mudanças incorporadas ao Brasileirão. Na 23ª rodada, disputada entre sábado (15) e segunda-feira (17), entraram em vigor novas medidas relacionadas ao comportamento dos jogadores, à arbitragem, à cera e ao VAR, enquanto a pausa obrigatória para hidratação adotada pela Fifa na Copa ficou fora do pacote brasileiro.

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Levantamento feito pelo Terra FC com alguns jogadores que disputam o Brasileirão ao qual o Lance! teve acesso exclusivo, a interrupção representa uma oportunidade concreta de recuperação em partidas cada vez mais intensas. Para outros, sua utilização precisa estar relacionada às condições climáticas, porque uma pausa também altera o ritmo da partida e pode interferir nas estratégias de quem está em campo.

Os jogadores consultados não enxergam a pausa apenas como uma oportunidade para beber água. O intervalo curto pode servir para respirar, reorganizar a equipe, ouvir o treinador e recuperar parte da energia perdida durante um jogo de alta intensidade.

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— É muito importante, principalmente para escutar o treinador e descansar um pouco — declara o meio-campista Rodrigo Garro, do Corinthians.

O zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras, também destaca que o intervalo cria uma oportunidade importante de ajuste com a comissão técnica. — É bom ter alguns minutos com o treinador durante o jogo — afirma.

A própria Fifa decidiu eliminar esse critério climático na Copa do Mundo. A justificativa foi criar condições iguais para todas as partidas, evitando que uma equipe tivesse acesso a uma pausa em determinada partida por causa do calor enquanto outra não tivesse a mesma possibilidade em um jogo disputado sob temperatura mais baixa.

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Jogadores se hidratam durante treino da Seleção no Estados Unidos. Calor nesta época de Copa do Mundo é intenso
Pausa para hidratação: calor nos EUA nesta época de Copa do Mundo é intenso (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A diferença em relação ao futebol brasileiro está justamente na regra que determina quando essa interrupção deve existir. Na Copa, ela foi incorporada ao desenho de todas as partidas. No Brasileirão, depois das pausas adotadas durante a primeira parte da temporada, a CBF não levou a medida para o novo conjunto de regras. A escolha cria uma situação curiosa: uma seleção que disputa o Mundial tem a garantia de uma interrupção no meio de cada tempo, enquanto um jogador que retorna ao campeonato nacional pode passar os 90 minutos sem essa possibilidade.

Quando três minutos mudam o jogo

A observação dos dois jogadores ajuda a explicar por que a pausa ganhou uma dimensão tática. Quando a partida é interrompida, as equipes não apenas repõem líquidos. O treinador pode reorganizar posicionamentos, corrigir comportamentos e conversar com atletas que passaram boa parte do primeiro trecho do jogo sob grande esforço físico.

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Para os atletas, a interrupção vai além da reposição de líquidos. Ela influencia diretamente o ritmo das partidas, a recuperação física dos jogadores e até o aspecto tático das equipes. O debate ganhou ainda mais relevância em um cenário de calor extremo e eventos climáticos cada vez mais frequentes afetando a prática esportiva.

— O calendário no Brasil é muito corrido e os jogos são cada vez mais intensos. Qualquer iniciativa para que os jogadores possam se recuperar, ainda que por alguns minutos, é válida para manter a qualidade da partida e a integridade física dos atletas — avaliou o goleiro Cleiton, do Red Bull Bragantino.

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O zagueiro Bruno Leonardo, que deixou a Chapecoense no final de julho, acredita que a manutenção da pausa é uma medida de proteção física e também de qualidade do jogo.

— É totalmente necessário. Acredito que a qualidade das partidas até aumente. Tenho acompanhado que, após as paradas, os times voltam melhores fisicamente e mais organizados — diz.

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As mudanças feitas nas equipes também são sentidas pelo zagueiro Marllon, do Remo. — O intuito seria a hidratação, mas os times acabam usando como parada técnica — aponta.

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A frase revela uma das características mais interessantes da discussão. Uma regra criada para atender uma necessidade fisiológica também se transforma em uma pequena janela estratégica. O jogo para, os jogadores se reúnem e os treinadores ganham um momento que normalmente não existe durante uma partida.

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O volante Baralhas, do Vitória, considera a pausa importante em dias de forte calor, pois sabe que ela interfere no andamento do jogo. — Quando está muito quente, precisa parar pra hidratar. Mas, se uma equipe está melhor que a outra, a pausa dá uma esfriada e pode equilibrar a partida — comentou.

O zagueiro santista Lucas Veríssimo segue linha parecida. — Sou favorável, mas não acho que precise ser algo obrigatório em qualquer situação. Faz mais sentido em jogos com temperaturas altas — afirmou.

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O goleiro Santos, do Athletico Paranaense, também entende que a necessidade varia. — Em dias e regiões mais quentes, acho importante. Em temperaturas mais amenas, não vejo necessidade — disse.

Calor mudou o jogo

Desde 2015, oito anos estão entre os dez mais quentes já registrados no país desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia, em 1961. No cenário global, os últimos 11 anos foram consecutivamente os mais quentes já registrados, segundo a Organização Meteorológica Mundial.

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A pausa também pode assumir outro significado. A ideia é mostrar ao torcedor que o calor, a disponibilidade de água e os eventos climáticos extremos já fazem parte das preocupações que cercam a prática esportiva.

As ameaças da mudança climática para o futebol não se resumem ao calor extremo, uma vez que 78% dos clubes das Séries A, B e C estão em municípios com alto risco de eventos climáticos severos até 2050. O levantamento estima que enchentes, ondas de calor, incêndios e secas podem provocar perdas de até R$ 70 bilhões ao futebol brasileiro nas próximas décadas.

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A diferença entre os dois modelos deixa uma pergunta aberta para o futebol brasileiro: em um país de dimensões continentais, com temperaturas que variam tanto entre regiões e épocas do ano, a hidratação deve ser tratada como regra ou como uma resposta às condições de cada partida?

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