Governo federal anuncia proibição total de bets no Brasil
Pacote de medidas envolve veto a novas apostas, publicidade aos clubes e proposta de pena de prisão

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a proibição total, via Medida Provisória, de apostas online e o patrocínio de bets e casas de apostas no futebol brasileiro. A discussão ganhou força este mês e provocou reação imediata de clubes e federações, além de muitas das 84 empresas licenciadas que operam 193 marcas.
- A partir desta sexta-feira, não se pode colocar mais dinheiro nos sites de apostas do país. Os sites ficarão disponíveis para as pessoas, para os apostadores, fazerem o resgate do saldo remanescente até as 23h59 do dia 5 de outubro - disse Dario Durigan, ministro da Fazenda.
➡️ 'Fim do futebol': clubes da Série A defendem mercado regulado de bets no Brasil
O movimento do governo federal é acompanhado de perto e com preocupação por dirigentes de futebol e investidores do setor, que despejaram R$ 1,03 bilhão em receitas comerciais apenas na Série A do Campeonato Brasileiro — um crescimento de 67% em comparação ao ano anterior.

Bets viram principal fonte de receita dos clubes brasileiros
Hoje, dos 20 clubes da elite, 14 exibem marcas de bets como patrocinadoras master na área mais nobre de suas camisas: Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Remo, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória. O Red Bull Bragantino possui patrocínio de bets, mas não como o principal exibido no uniforme.
Com o mercado em expansão e mais de nove milhões de apostadores ativos, o segmento de apostas esportivas virou a principal fonte individual de receita de marketing para os grandes clubes, correspondendo a mais de um terço de tudo o que é arrecadado com patrocínios e ações de mercado. A iniciativa do Executivo gerou reação coletiva dos clubes.
Além da MP, Lula vai propor um projeto de lei, a ser apreciado pelo Congresso Nacional, com pena de quatro a seis anos de prisão e multa para quem explorar ou operar bets no Brasil. Do lado das empresas responsáveis pelas plataformas eletrônicas de apostas, a tendência é que a disputa, que envolve bilhões de reais, seja judicializada após a proibição, com exigência de devolução das outorgas pagas e ressarcimento dos valores investidos pelas empresas.
As empresas autorizadas a operar pelo Ministério da Fazenda pagaram R$ 30 milhões por outorga para a exploração do mercado pelo prazo de cinco anos.

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