Presidente do Manchester City responde a acusações: 'Vamos provar a inocência'
Dirigente afirmou que se sente confiante no processo

O presidente do Manchester City, Khaldoon Al Mubarak, afirmou que mantém a confiança na inocência do clube após as notícias de que a equipe foi considerada culpada pela maioria das 115 acusações relacionadas às regras financeiras da Premier League. Em mensagem aos torcedores publicada neste sábado (26), o dirigente disse que o processo ainda está longe de terminar e que a posição do City permanece a mesma desde o início do caso.
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– O processo da Premier League ainda tem um longo caminho a percorrer, e nossa confiança e determinação em provar a inocência do clube são tão fortes quanto no início de tudo isso – declarou Al Mubarak.
O Manchester City foi acusado pela Premier League em fevereiro de 2023, após uma investigação que começou anos antes e envolveu alegações sobre receitas de patrocínio, pagamentos e cumprimento das normas financeiras. Na sexta-feira (25), informações divulgadas pela imprensa britânica apontaram que uma comissão independente havia considerado comprovadas 114 das 115 acusações apresentadas contra o clube. A Premier League não confirmou oficialmente o resultado e o City também evitou reconhecer a condenação, alegando que o processo continua sob sigilo.
Al Mubarak diz que não pode revelar detalhes
Na mensagem aos torcedores, Al Mubarak explicou que não poderia apresentar publicamente os argumentos que sustentam a confiança do clube. Segundo o dirigente, as regras de confidencialidade que envolvem o processo impedem o Manchester City de detalhar sua posição neste momento.
– Há muitas coisas que eu gostaria de compartilhar com vocês para ajudá-los a entender por que nos sentimos tão confiantes em nossa posição. Mas o estrito sigilo do processo legal e nossa determinação em respeitá-lo significam que não posso fazer isso neste momento. Mesmo esta carta passou por diversas verificações legais para garantir sua conformidade – afirmou.
O presidente também reagiu ao ambiente criado após a divulgação das informações sobre o julgamento. Al Mubarak afirmou que o City já passou por situações difíceis anteriormente e que, na avaliação dele, o cenário do clube não mudou por causa dos relatos sobre o veredicto.

– Embora algumas pessoas tenham se apressado em tirar suas próprias conclusões, e haja muito ruído ao nosso redor, nada mudou. Já enfrentamos desafios juntos antes e os superamos – disse.
Na sequência, o dirigente afirmou que existem pessoas interessadas em prejudicar o clube, mas que o Manchester City não pretende permitir que isso interfira em seu momento esportivo.
– Ainda existem muitos que querem minar o bom momento do nosso clube. Não lhes daremos essa oportunidade – acrescentou.
O clube afirmou que o processo continua em andamento e que existem elementos importantes a serem concluídos, além de reiterar que sua posição permanece alinhada ao comunicado divulgado em fevereiro de 2023, quando as acusações foram apresentadas.
City prepara recurso enquanto punição ainda não foi definida
Apesar das informações sobre o veredicto, o caso ainda não chegou à etapa final. As possíveis sanções contra o Manchester City não foram anunciadas, e o clube deverá recorrer da decisão. Entre as punições que podem entrar em discussão estão multa, dedução de pontos e até a expulsão da Premier League.
O processo também passou a provocar movimentações entre outros clubes. Equipes da primeira divisão inglesa estão buscando aconselhamento jurídico sobre possíveis pedidos de indenização caso consigam demonstrar que sofreram prejuízos em razão das supostas infrações cometidas pelo City. A discussão pode envolver perdas relacionadas a posições na tabela, premiações ou vagas em competições europeias.
O impacto potencial do caso foi destacado por Christian Purslow, ex-dirigente de Liverpool, Aston Villa e Chelsea. Em entrevista à "BBC Radio 4", ele afirmou que uma eventual série de pedidos de indenização poderia atingir diversos clubes e temporadas.
– É uma espécie de "onde isso vai parar?", porque se você analisar cada temporada, todos os 19 rivais da Premier League naquela temporada, em diferentes graus, sofreram perdas fáceis de calcular – afirmou Purslow.
O especialista em direito esportivo Paul Gilroy KC também classificou o caso como um momento de grande impacto para o futebol mundial. Segundo ele, quatro clubes já apresentaram pedidos de proteção para preservar o direito de buscar indenizações caso a condenação do Manchester City seja mantida.
A defesa do clube, entretanto, permanece centrada na contestação das acusações. Desde o início do processo, o Manchester City nega as irregularidades apontadas pela Premier League e sustenta que apresentou sua posição e as provas correspondentes durante a investigação.
O caso envolve acusações relacionadas a diferentes períodos e alcança as temporadas em que Roberto Mancini e Manuel Pellegrini comandaram o time, além dos dois primeiros anos de Pep Guardiola no cargo. Durante o intervalo abrangido pelo processo, o City conquistou oito troféus, incluindo três títulos da Premier League, três Copas da Liga Inglesa, uma Copa da Inglaterra e uma Supercopa da Inglaterra.
A situação também provocou manifestações fora da atual estrutura do clube. David Bernstein, presidente do Manchester City entre 1998 e 2003, afirmou que ficou profundamente abalado com as notícias e defendeu que uma eventual punição não se limite a uma multa.
– Ver tudo isso manchado dessa forma é muito triste. Sinto-me particularmente mal pelos maravilhosos torcedores do clube que permaneceram fiéis a ele em todos os momentos, bons e ruins – disse Bernstein à Times Radio.
O ex-presidente também pediu que o processo de recurso seja concluído rapidamente, diante do período prolongado de disputa. Para ele, a indefinição não pode continuar por vários anos.
Enquanto as possíveis punições e os recursos ainda serão discutidos, Al Mubarak manteve a mensagem de confiança aos torcedores e indicou que o clube pretende seguir sua rotina esportiva durante o período de disputa jurídica.
– Temos alguns momentos emocionantes pela frente depois desta pausa internacional. Viajaremos para Anfield daqui a duas semanas e, em seguida, receberemos o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões, de volta ao Etihad Stadium – afirmou o presidente.
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