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Veja o que a Premier League fez com a saída das bets; Brasil pode seguir exemplo

Clubes ingleses buscaram tecnologia, finanças e turismo para repor receitas

PorMárcio Iannacca•Rio de Janeiro (RJ)
26/09/2026 10:52
•Atualizado há 1 minutos

O futebol brasileiro começa a discutir como será o futuro de suas receitas diante da proibição da presença das casas de apostas no esporte e no país. Nos últimos anos, as bets ganharam espaço nos uniformes, placas, conteúdos e acordos comerciais dos clubes, tornando-se uma das principais fontes de investimento no mercado. A experiência da Premier League, na Inglaterra, mostra um caminho que pode servir de referência: diante da saída das empresas de apostas do espaço nobre das camisas, os clubes passaram a buscar parceiros em setores como tecnologia, inteligência artificial, finanças, turismo e investimentos.

+Quanto o futebol brasileiro deixa de receber sem as bets?

A saída das casas de apostas do espaço nobre das camisas da Premier League não deixou apenas um vazio comercial no futebol inglês. Também abriu espaço para uma mudança no perfil dos patrocinadores dos clubes. A partir da temporada 2026/27, que começou neste mês, as equipes da primeira divisão inglesa passaram a cumprir o acordo coletivo firmado em 2023 para retirar as marcas de apostas da parte da frente dos uniformes.

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O movimento ganha ainda mais relevância para o mercado brasileiro após o governo federal editar, na última sexta-feira (25), uma Medida Provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas e jogos online no país. A medida também impede, de forma imediata, a contratação de novos patrocínios e ações promocionais de bets, enquanto os contratos já firmados podem seguir até 5 de outubro. Com a mudança, os clubes brasileiros terão de buscar alternativas para uma fonte de receita que, em 2025, representou cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos times da Série A.

Segundo estudo da Nielsen Sports divulgado pela Reuters em agosto, uma nova geração de patrocinadores está chegando à Premier League, com destaque para empresas de tecnologia, inteligência artificial, fintechs e investidores soberanos. A análise aponta que o fim da chamada "era das apostas" está dando lugar a um cenário comercial mais diversificado.

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Alguns exemplos já estão estampados nas camisas. O Crystal Palace fechou acordo com a Temporal, empresa de tecnologia voltada a sistemas de inteligência artificial e soluções empresariais. O Everton passou a ter a CMC Markets, companhia de serviços financeiros, como parceira. Já o Aston Villa firmou acordo com a Visit Rwanda, ampliando a presença do turismo como plataforma de exposição internacional.

Outro exemplo surgiu no Chelsea. Em agosto, o clube anunciou a Circle Internet Group, empresa de tecnologia financeira, como nova patrocinadora principal. A marca USDC, uma stablecoin vinculada à companhia, passou a ocupar o espaço nobre da camisa na temporada 2026/27.

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A mudança, porém, não significa que os clubes tenham simplesmente encontrado substitutos idênticos às casas de apostas. O próprio levantamento da Nielsen aponta que a saída das bets criou um espaço financeiro de curto prazo para algumas equipes. A diferença está na estratégia para preencher esse espaço: em vez de depender de um único segmento, os clubes passaram a buscar empresas interessadas em associar suas marcas à audiência global da Premier League.

Para as companhias de tecnologia e finanças, a camisa funciona como uma vitrine internacional. Empresas desses setores usam o esporte para ganhar credibilidade e reconhecimento em escala global. A entidade também prevê uma possível expansão dos acordos com empresas de software nos próximos anos.

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A experiência inglesa oferece, portanto, uma referência importante para o futebol brasileiro. A discussão sobre a redução da participação das bets nas receitas não precisa terminar na pergunta sobre quem vai substituir a marca na camisa. A questão seguinte é mais ampla: quais setores enxergam valor na audiência dos clubes e estão dispostos a transformar essa exposição em investimento?

Na Premier League, a resposta inicial veio de áreas que estão crescendo fora do futebol: tecnologia, inteligência artificial, serviços financeiros, fintechs, turismo e investimentos. O movimento ainda está no começo, mas já mostra uma mudança no perfil do dinheiro que chega aos clubes.

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E há uma diferença importante em relação ao passado. As casas de apostas construíram sua presença no futebol justamente em um momento de forte expansão do mercado. Agora, os clubes ingleses precisam mostrar a empresas de outros setores que a camisa, o estádio, os conteúdos digitais e a comunidade de torcedores continuam sendo ativos comerciais valiosos mesmo sem a presença das bets.

É justamente essa transição que torna o caso inglês relevante para o Brasil: mais do que encontrar um novo patrocinador para a camisa, o desafio é encontrar novos modelos para transformar a força comercial do futebol em receita.

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Lula assinando a Medida Provisória contra as bets
Lula assina a Medida Provisória contra as bets (Foto: Nelson ALMEIDA / AFP)
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