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Fifa identifica 240 mil conteúdos abusivos durante Copa do Mundo

Relatório aponta que mais da metade dos participantes monitorados recebeu mensagens ofensivas

PorRedação Lance!•Rio de Janeiro (RJ)
09/10/2026 12:00
Troféu da Copa do Mundo exibido antes da final entre Espanha e Argentina
Troféu da Copa do Mundo exibido antes da final entre Espanha e Argentina (Foto: Pedro Ugarte/AFP)

A Fifa identificou mais de 240 mil publicações e comentários abusivos durante a Copa do Mundo de 2026, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (9), véspera do Dia Mundial da Saúde Mental. O Serviço de Proteção de Mídias Sociais da entidade analisou mais de 17,1 milhões de publicações e comentários relacionados ao torneio, disputado entre junho e julho no Canadá, México e Estados Unidos.

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Do total analisado, 477 mil conteúdos passaram por revisão humana, e 240.676 foram confirmados como abusivos. Mais da metade das pessoas monitoradas recebeu ao menos uma mensagem ofensiva. Entre os conteúdos abusivos categorizados, excluídos os casos de abuso geral, 20% apresentavam carácter racista, percentual superior aos 11% registrados durante a fase de grupos da competição.

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Ameaças e ataques nas redes sociais

O levantamento também identificou outras formas de violência digital. Ameaças violentas representaram 14% dos casos categorizados, enquanto conteúdos xenófobos corresponderam a 12%.

O serviço acompanhou 1.606 pessoas, entre jogadores, treinadores e árbitros, além de 48 seleções nacionais, nas plataformas Instagram, Facebook, TikTok e X. Segundo a Fifa, os ataques também atingiram familiares e pessoas próximas aos participantes, ampliando os impactos emocionais do assédio.

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Durante o torneio, 2.905 contas foram identificadas como possíveis alvos de investigação criminal. Desse total, 786 foram encaminhadas às autoridades policiais para avaliação, incluindo 232 contas que publicaram conteúdos considerados especialmente graves e ameaçadores, com potencial risco à segurança.

A entidade também informou ter identificado imagens ofensivas geradas por inteligência artificial que não haviam sido detectadas pelos sistemas de moderação das próprias plataformas.

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Fifa ocultou 9,2 milhões de mensagens

Além do monitoramento direcionado a participantes da Copa, a ferramenta de moderação da entidade analisou automaticamente 60,7 milhões de mensagens publicadas nos canais oficiais da Fifa e das associações nacionais participantes. Desse volume, 9,2 milhões de interações, equivalentes a 15%, foram ocultadas antes de chegar ao público.

O conteúdo bloqueado incluía mensagens ofensivas, publicações prejudiciais e tentativas de fraude, como atividades de contas automatizadas e spam. A Fifa atribuiu o aumento da capacidade de monitoramento aos avanços de sua ferramenta de inteligência artificial, além da colaboração com as plataformas digitais.

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Em comparação com a Copa do Mundo de 2022, no Catar, o volume de publicações e comentários analisados por especialistas humanos passou de 434 mil para 477 mil. A entidade afirmou que a tecnologia permite interceptar mais conteúdos automaticamente e direcionar a revisão humana para casos que exigem atenção adicional.

Final da Copa do Mundo
Bandeirinha de escanteio na final da Copa do Mundo (Foto: Carl Recine/Getty Images/AFP)

Infantino defende combate ao discurso de ódio

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a entidade pretende ampliar os esforços para proteger a comunidade do futebol contra ataques virtuais. Infantino também destacou que o serviço está disponível para apoiar as 211 associações nacionais filiadas à entidade e as confederações continentais.

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— Na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da Fifa em proteger a comunidade do futebol contra o discurso de ódio nas redes sociais, com o apoio de tecnologias capazes de combater tanto conteúdos criados por pessoas quanto imagens geradas por inteligência artificial.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino discursa durante evento nos Estados Unidos antes da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina
Presidente da Fifa, Gianni Infantino discursa durante evento nos Estados Unidos antes da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina (Foto: Mandel Ngan/AFP)

Árbitros também foram alvos de assédio

O relatório dedicou atenção especial à proteção dos árbitros, que representavam cerca de 10% das pessoas monitoradas, mas concentraram 71% dos casos classificados no nível mais grave de ameaça. O serviço também interveio em mais de 100 tentativas de doxxing, prática que consiste na divulgação maliciosa de informações pessoais para estimular o assédio.

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O diretor de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, defendeu medidas para que os profissionais possam trabalhar sem sofrer perseguições nas redes sociais.

— Nosso objetivo é garantir que os membros da equipe de arbitragem possam se concentrar totalmente no que acontece em campo, sem se preocupar com o que está sendo publicado sobre eles nas redes sociais. Comentários ofensivos direcionados aos árbitros são visíveis para todos, incluindo familiares e amigos. Ninguém deve sofrer assédio em seu local de trabalho.

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O relatório reforça a preocupação com os efeitos do cyberbullying sobre a saúde mental de jogadores, treinadores, árbitros e familiares, incluindo possíveis consequências como ansiedade, estresse crônico e depressão.

Árbitro jordaniano Adham Mohammad Tumah Makhadmeh antes de EUA x Bélgica
Árbitro jordaniano Adham Mohammad Tumah Makhadmeh antes de EUA x Bélgica (Foto: David Ramos/Getty Images/AFP)

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