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ANÁLISE: Rayan chega ao Bournemouth com missão de suceder craque da equipe

Atacante revelado pelo Vasco é a maior venda da história do clube

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porMárcio Iannacca,
Dia 22/01/2026
09:00
Rayan se tornou a venda mais cara da história do Vasco da Gama (Foto: Alexandre Durão/Zimel Press/Gazeta Press)
imagem cameraRayan se tornou a venda mais cara da história do Vasco da Gama (Foto: Alexandre Durão/Zimel Press/Gazeta Press)

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Na terça-feira (21), o Vasco acertou a venda do atacante Rayan ao Bournemouth, da Inglaterra, em uma negociação histórica para o clube. Avaliado em 35 milhões de euros (cerca de R$ 220 milhões), o acordo transforma o jovem de 19 anos na maior venda da história do Cruz-Maltino. A informação foi divulgada pelo jornalista italiano Fabrizio Romano.

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Mais do que um salto financeiro e esportivo, a transferência impõe a Rayan um desafio imediato: ajudar a suprir a lacuna deixada por Antoine Semenyo, principal nome do Bournemouth na última temporada e recentemente negociado com o Manchester City. Atuando em zonas semelhantes do campo e com características físicas e técnicas próximas às do ganês, o brasileiro desembarca na Inglaterra cercado de expectativa — e responsabilidade.

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Antoine Semenyo foi anunciado pelo Manchester City (Foto: Divulgação/Manchester City)
Antoine Semenyo se transferiu para o Manchester City (Foto: Divulgação/Manchester City)

— A ida do Rayan para a Europa era apenas uma questão de tempo. Ele é um atacante fora de série, com potencial enorme, e a Premier League aparece como uma das ligas ideais para o estilo dele — avaliou Fernando Campos, comentarista da "CazéTV".

O comentarista também destacou o perfil do Bournemouth como clube formador e trampolim para voos maiores, além da possibilidade de o brasileiro encontrar espaço imediato no elenco após a saída de Semenyo.

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Na mesma linha, Piero Fiorelli, comentarista da "TNT Sports", vê compatibilidade clara entre o futebol do atacante e o contexto inglês.

— O Rayan reúne praticamente tudo o que se busca em um atacante moderno: força, velocidade, capacidade de drible, finalização com as duas pernas e jogo aéreo. É um jogador que se encaixa naturalmente na Premier League e em um time corajoso, vertical e agressivo como o Bournemouth — analisou.

Para Fiorelli, mesmo que a titularidade não venha de imediato, o brasileiro tem potencial para causar impacto assim que se adaptar ao ritmo e à intensidade da liga.

Encaixe tático no modelo de Andoni Iraola

Do ponto de vista tático, o casamento também é promissor. Segundo a analista Nathalia Tavares, o Bournemouth explora com frequência a amplitude do campo, utiliza bolas longas para acionar os extremos e se beneficia de jogadores capazes de reter a bola em zonas avançadas.

— Rayan, assim como Semenyo, sabe usar bem a fisicalidade e tem leitura para atuar no terço final. Em um time que pressiona alto e cria muitas transições, velocidade e aceleração são ativos fundamentais — explicou a analista, formada em Identificação de Talentos pela Football Association (FA).

O ganês era o principal alvo das bolas longas no modelo de Iraola, especialmente pela dominância aérea (média de 2.2 duelos aéreos ganhos por jogo). Rayan registra 1.7 duelos aéreos vencidos por partida, com 55% de aproveitamento.

Além dos dados, pesa a inteligência de movimentação. O brasileiro mede bem o tempo das arrancadas, ataca espaços às costas da defesa e também consegue "fixar" zagueiros quando atua de forma mais centralizada, abrindo corredores para os companheiros. Em uma liga marcada por linhas altas e jogos intensos, esse repertório tende a ser valioso.

— "Fixar" o zagueiro não significa que Rayan vai ficar parado. Pelo contrário. Se a ideia é gerar espaços, a movimentação é chave. Como é possível perceber pelos jogos do Vasco, Rayan é muito confortável jogando nos três corredores, assim como fica evidente como sua movimentação gera corridas de companheiros e ajuda na abertura de espaços para avançar em campo — complementa Nathalia.

Intensidade, transições e presença de área

Sob o comando de Andoni Iraola, o Bournemouth se consolidou como uma das equipes mais intensas da Premier League sem a bola. O time pressiona alto, assume riscos e força erros adversários, gerando muitos cenários de transição ofensiva — justamente o tipo de ambiente em que Rayan pode ser decisivo.

Andoni Iraola, treinador do Bournemouth (Foto: AFP)
Andoni Iraola, treinador do Bournemouth (Foto: AFP)

Velocidade, explosão, força física e capacidade de finalização em diferentes contextos fazem do atacante uma peça importante quando as defesas estão desorganizadas. Além disso, ele não hesita em arriscar finalizações de média distância, fundamento que já rendeu gols de destaque com a camisa do Vasco.

Mesmo quando parte aberto pelos lados, Rayan apresenta boa presença de área. Em jogadas de cruzamento, tem leitura apurada para atacar rebotes e eficiência no jogo aéreo, inclusive com gols de cabeça — característica que amplia suas possibilidades dentro do sistema ofensivo da equipe.

Rayan marcou gol de cabeça no clássico contra o Flamengo na última edição do Brasileirão (Foto: Dhavid Normando/Gazeta Press)
Rayan marcou gol de cabeça no clássico contra o Flamengo na última edição do Brasileirão (Foto: Dhavid Normando/Gazeta Press)

Versatilidade como trunfo

A capacidade de atuar em diferentes funções do ataque amplia consideravelmente o valor de Rayan dentro do elenco. Capaz de jogar como ponta ou como referência central, o brasileiro oferece a Andoni Iraola uma alternativa móvel e intensa, algo essencial em um modelo que exige constantes trocas posicionais ao longo das partidas.

A força física aliada ao bom timing de movimentação permite que Rayan cumpra diferentes papéis sem perder eficiência. Ele consegue prender zagueiros, atacar os três corredores do campo e abrir espaços para infiltrações de companheiros — característica especialmente relevante contra equipes que defendem com linhas altas.

Essa versatilidade, aliás, é apontada como um dos principais trunfos do atacante por quem acompanha de perto sua evolução.

— Ele tem as características do futebol jogado hoje no mundo. O próprio Fernando Diniz fala muito sobre isso: um jogador capaz de driblar, conduzir, finalizar com as duas pernas, cabecear bem e com perfil atlético. Pode jogar de 9, de 10 ou como ponta. Ele faz um pouco de tudo. Quando se desenha o atacante ideal, passa muito pelo que o Rayan é hoje — analisa Piero Fiorelli.

Rayan marcou dois gols na vitória do Vasco sobre o Maricá na 1ª rodada do Campeonato Carioca (Foto: Alexandre Durão/Zimel Press/Gazeta Press)
Rayan marcou dois gols na vitória do Vasco sobre o Maricá na 1ª rodada do Campeonato Carioca (Foto: Alexandre Durão/Zimel Press/Gazeta Press)

Bournemouth, o ambiente ideal para evolução

O contexto encontrado na Inglaterra também ajuda a explicar por que o Bournemouth surge como um destino estratégico. O clube vive um dos momentos mais sólidos de sua história recente desde a chegada de Andoni Iraola, ainda na temporada 2023/24, quando iniciou um processo claro de consolidação na Premier League.

Após escapar do rebaixamento com uma 15ª colocação em 2022/23, os Cherries evoluíram sob o comando do técnico espanhol, terminando o campeonato inglês em 12º e 9º lugares nas temporadas seguintes. Já em 2025/26, chegaram a ocupar a vice-liderança por um período e, apesar da queda recente de rendimento, aparecem atualmente em 15º, a apenas oito pontos do Manchester United (5º), primeiro time na zona de classificação para a Champions League.

Mesmo com a saída de cinco titulares importantes na última janela de transferências, o Bournemouth conseguiu se reinventar — muito em função do modelo agressivo, flexível e bem definido de Iraola, potencializado pelo auge técnico vivido por Antoine Semenyo.

Esse cenário reforça a ideia de que a ida de Rayan para a Europa não representa apenas um marco financeiro para o Vasco e para o atleta. O clube inglês surge como um ambiente competitivo, estruturado e paciente, ideal para dar continuidade ao processo de evolução do atacante.

Nos últimos dois anos, o Bournemouth consolidou-se também como um importante trampolim no mercado europeu, negociando jogadores como Dominic Solanke (Tottenham), Illia Zabarnyi (PSG), Dean Huijsen (Real Madrid), Milos Kerkez (Liverpool) e o próprio Semenyo (Manchester City).

— É uma oportunidade de ir para a Premier League, para um clube que desenvolve jovens e costuma dar espaço para eles jogarem. O Bournemouth tem histórico de grandes vendas e funciona como trampolim para saltos maiores dentro do futebol europeu — avalia Fernando Campos.

Apesar de ainda ser rotulado como um clube de meio de tabela, o projeto é ambicioso e oferece algo essencial para um jovem atacante: minutos, contexto tático claro e continuidade. Se a adaptação acontecer como esperado, Rayan tem tudo para transformar a pressão inicial em trampolim para voos mais altos e, em pouco tempo, ser visto como mais um talento lapidado rumo ao topo do futebol europeu.

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