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Técnico do São Paulo, Thiago Viana projeta reta final do Brasileirão feminino e Copa do Mundo de 2027

Técnico do São Paulo feminino projeta fase decisiva do Brasileirão

PorIzabella GiannolaSão Paulo (SP)
22/08/2026 07:45

O São Paulo encerra a primeira fase do Brasileirão Feminino de 2026 diante do Mixto, neste sábado (22), no Morumbis. O Tricolor chega à rodada na vice-liderança, com 38 pontos, e já garantiu vaga nas quartas de final da competição. Antes do confronto, o técnico Thiago Viana concedeu entrevista ao Lance! e falou sobre a trajetória do trabalho no clube, a disputa direta com Corinthians e Palmeiras pela classificação, os investimentos recentes na modalidade — incluindo o lançamento da primeira camisa exclusiva do futebol feminino — e a expectativa em torno da Copa do Mundo de 2027, que será disputada no Brasil.

Além de falar sobre o momento da equipe, Thiago Viana também trouxe análises sobre o crescimento do São Paulo no futebol feminino, destacando como o projeto tem sido construído e se consolidado cada vez mais.

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Thiago Viana à beira de campo em Grêmio Mauaense e São Paulo, pela Copa do Brasil Feminina. ( Rubens Chiri / São Paulo FC)
Thiago Viana à beira de campo em Grêmio Mauaense e São Paulo, pela Copa do Brasil Feminina. ( Rubens Chiri / São Paulo FC)

Entenda o momento do São Paulo no Brasileirão Feminino

O clube tem uma relação especial com a competição. Em 1997, na primeira edição oficial do Brasileirão Feminino, o São Paulo fez campanha dominante e conquistou o título ao golear a Portuguesa por 4 a 0, na final. Quase três décadas depois, o Tricolor volta a figurar entre os favoritos. Hoje, a vice-liderança com 38 pontos e a classificação antecipada às quartas de final reforçam o momento de crescimento da modalidade no clube, citado por Viana ao longo da entrevista. O time está atrás somente do Corinthians, uma das maiores referências da modalidade.

Viana esteve à frente no futebol feminino do São Paulo ainda nas categorias de base, antes de assumir a equipe profissional. Parte do elenco atual passou pelas mãos do técnico ainda como atleta de base.

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— Foi um processo muito feliz. Eu vim do Centro Olímpico para cá e a gente reativou a modalidade junto com a comissão do profissional na época, com o Lucas Piccinato e toda a equipe que veio junto do Centro Olímpico. Começamos fazendo um trabalho muito legal nas categorias de base. Viemos com uma equipe sub-15 para ser a equipe sub-17 do São Paulo na época. Fomos conquistando os Campeonatos Paulistas e ajudando na formação dessas meninas. Várias estão na equipe até hoje e outras foram para o mundo, também cresceram profissionalmente — explicou o treinador.

Clara cabeceia para marcar o gol da vitória sobre o Santos no Paulistão F
Equipe feminina do São Paulo em campo (Foto: Miguel Schincariol/Saopaulofc)

— Estar nessa trajetória praticamente há oito anos, passando pelas categorias de base e fazendo a quarta temporada na equipe profissional, é motivo de muito orgulho. Me sinto muito bem de estar nessa história do São Paulo e fico muito feliz que o São Paulo também esteja na minha história — completou.

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Disputa direta com Corinthians

O São Paulo chega à última rodada da fase do Brasileirão feminino brigando diretamente com o Corinthians pela liderança — clube apontado por Viana como pioneiro na profissionalização da modalidade no Brasil.

— O Corinthians, como você falou, foi uma equipe pioneira nos investimentos, nas estruturas, em começar a encher estádio e a ter grandes atletas atuando dentro da equipe. Acho que é mérito do trabalho que foi feito lá por todas as pessoas e, sem dúvida nenhuma, é uma equipe que tem uma hegemonia até hoje no futebol feminino. No cenário atual, tem o Palmeiras também, com um investimento muito alto. A gente tem que saber lidar com isso e competir contra os dois maiores investimentos da América Latina, sendo um dos rivais dessas duas equipes — afirmou Viana.

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O treinador reconheceu a dificuldade do desafio, mas defendeu um modelo de crescimento próprio para o São Paulo.

— Não é um desafio simples, é um desafio bem complexo. Mas, como eu falei, a cada ano estamos melhorando um pouco. Em termos de estrutura e investimento, o São Paulo pensa o crescimento do futebol feminino de uma maneira orgânica, organizada e com o pé no chão. Acredito que esse seja o melhor caminho, sem fazer loucuras com grandes investimentos que daqui a pouco acabam se perdendo — completou.

O que pode fazer a diferença nesta temporada?

Para o técnico, o principal diferencial de 2026 é a estrutura completa de comissão técnica, montada de forma gradual ao longo dos últimos anos.

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— Esse ano foi o primeiro em que começamos com todas as frentes que julgamos importantes preenchidas e com profissionais de qualidade. Começamos com uma comissão técnica mais enxuta e, conforme o tempo foi passando, trouxemos uma nutricionista, um fisiologista, melhoramos o GPS e a estrutura de campo e treinamento. Neste ano, trouxemos uma psicóloga, que era a função que faltava para preencher essa equipe, esse time de staff — explicou, destacando o cuidado que o clube trouxe com saúde mental.

Investimento e a nova camisa do futebol feminino

Nesta semana, o São Paulo lançou a primeira camisa exclusiva da história do clube para a equipe profissional feminina. Segundo Viana, a iniciativa é pioneira no futebol brasileiro.

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O novo uniforme integra a coleção 2026 do clube, que inaugura a contagem regressiva para o centenário tricolor e celebra o chamado DNA Tricolor, "conceito associado ao pioneirismo e à vanguarda que fazem parte da trajetória do São Paulo", informou o clube.

Terceira camisa do time feminino do São Paulo
(Foto: Divulgação)

Para a terceira camisa feminina, o projeto da New Balance buscou traduzir esses elementos a partir de uma linguagem própria, tendo como inspiração a flor de lótus, símbolo de força, resiliência e capacidade de florescer mesmo nas mais desafiadoras condições.

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— Salvo engano, é a primeira equipe a tomar essa decisão de criar uma camisa especialmente para o futebol feminino, uma camisa oficial da equipe profissional. É uma iniciativa de vanguarda e muito importante, pensando em fortalecer a modalidade dentro do clube e mostrar a importância que ela tem hoje no cenário nacional — disse o técnico sobre a iniciativa.

Viana defendeu que o futebol feminino seja tratado pelo clube como produto rentável, e não apenas como responsabilidade social. O técnico citou fontes de receita já exploradas pelo clube, como bilheteria, venda de camisas personalizadas e negociação de atletas — caso da lateral Dudinha. Segundo Viana, o trabalho de convencimento da diretoria é conduzido em conjunto.

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— A gente busca, todos os anos, aumentar o espaço que temos e conquistar mais um passo dentro do clube. Queremos mostrar a importância do produto futebol feminino hoje, muito além da responsabilidade social. […] Quanto mais olharmos para isso como um negócio, mais conseguimos fortalecer a modalidade e entender que ela pode gerar uma renda importante para o clube — disse.

— Levar para a diretoria e para a presidência essa visão de negócio é, na minha opinião, um grande ponto, um grande caminho. É algo que fazemos diariamente, junto com a nossa diretora, Cléo, que tem um trabalho incansável para melhorar a estrutura e mostrar ao clube o quanto o futebol feminino pode ser rentável — completou.

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São Paulo e a projeção para a Copa do Mundo

Viana falou sobre a relação do clube com a comissão técnica da Seleção Brasileira e o reflexo direto disso nas convocações de jogadoras do São Paulo. Para o treinador, o objetivo individual das atletas se conecta diretamente ao coletivo da equipe.

— Temos uma relação muito boa com a comissão da Seleção Brasileira. Nós trabalhamos juntos no Centro Olímpico. Como eles fazem esse trabalho com todos os clubes, também conversam conosco, passam quem está em uma lista mais ampla e quais atletas estão sendo observadas com mais ênfase — destacou Viana sobre o assunto.

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Thiago Viana técnico do SPFC
(Foto: Miguel Schincariol)

O São Paulo entra em campo neste sábado (22), diante do Mixto, no Morumbis, para fechar a primeira fase do Brasileirão Feminino. O confronto encerra um ciclo, mas mantém aberto o objetivo maior: repetir, quase 30 anos depois, o título conquistado em 1997.



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