Opinião: CBF oficializa pausa para a Copa Feminina e encerra um debate que nunca existiu
Torneio será entre 24 de junho e 25 de julho, com oito cidades-sede

A CBF comunicou nesta quarta-feira aquilo que já era esperado desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo Feminina de 2027: entre 24 de junho e 25 de julho do ano que vem, o calendário do futebol brasileiro será paralisado. Homens e mulheres. Série A, Série B, competições nacionais. Vai parar.
A reação nas redes sociais, no entanto, revelou um debate que, na prática, não existe. Houve quem tratasse a decisão como uma espécie de concessão ao futebol feminino, como se a paralisação dependesse de aprovação popular ou de uma votação entre torcedores. Não depende. E, de toda essa não-discussão, é triste ver jornalistas endossando tal discurso, assim como é lamentável, embora não surpreendente, isso também partir de dirigentes.
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Quando um país se candidata para sediar uma Copa do Mundo, ele aceita uma série de exigências estabelecidas pela Fifa. Elas envolvem infraestrutura, logística, segurança, mobilidade, disponibilidade dos estádios e, naturalmente, adequação do calendário esportivo. Não é diferente da Copa masculina. Não foi diferente em 2014. E não seria diferente em qualquer outro país.
O Brasil terá oito cidades-sede, estádios que precisarão ser entregues com antecedência à Fifa e uma operação que movimentará dezenas de seleções, milhares de profissionais e milhões de torcedores. A paralisação não é um favor ao futebol feminino, e sim parte da organização do maior evento esportivo do planeta.
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Curiosamente, o incômodo parece existir apenas porque desta vez o protagonismo será das mulheres. Ninguém questiona se o Campeonato Brasileiro masculino deve parar para uma Copa masculina ou mesmo para o Mundial de Clubes. Nunca houve discussão sobre isso. A pausa sempre foi tratada como consequência natural do calendário internacional. Quando o Mundial é feminino, porém, surgem discursos sobre "prejuízo", "falta de interesse" ou "desnecessidade", como se a dimensão do evento pudesse ser medida pela opinião de quem não pretende assisti-lo.
Desta forma, independente do burburinho das últimas semanas, o Brasil receberá 32 seleções, 64 partidas e uma expectativa de público que pode superar os números históricos da edição de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelnândia. Mais de 700 mil pessoas já demonstraram interesse na compra de ingressos mais de um ano antes da bola rolar. Isso por si só mostra que o evento transcende qualquer bolha e há de trazer muitas alegrias ao país do futebol.

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