Exclusivo: Felipe Massa relembra acidente 'da mola' que mudou sua vida na F1
Há 17 anos, brasileiro foi atingido por uma mola que se soltou do carro de Rubinho

A Fórmula 1 costuma ser lembrada pelas grandes disputas, pelas ultrapassagens históricas e pelas vitórias que atravessam gerações. Mas, às vezes, um único instante é capaz de mudar completamente o rumo de uma carreira. Para Felipe Massa, esse momento aconteceu em 25 de julho de 2009, durante o treino classificatório para o GP da Hungria. O piloto conversou com o Lance! e relembrou momento no GP da Hungria.
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Naquele sábado, o brasileiro era um dos principais nomes da Ferrari e estava em sua última tentativa de volta rápida no Hungaroring. O objetivo era buscar uma boa posição no grid para a corrida do dia seguinte. No entanto, a poucos segundos do fim do Q2, uma mola de suspensão que havia se soltado do carro de Rubens Barrichello atingiu o capacete de Massa.
O impacto aconteceu em alta velocidade e deixou o brasileiro inconsciente. A Ferrari seguiu em frente, atravessou a área de escape e bateu na barreira de pneus. A classificação foi interrompida e, naquele momento, ninguém sabia exatamente qual seria a extensão das consequências. Hoje, 17 anos depois, Felipe ainda não consegue reconstruir os instantes do impacto. A lembrança mais próxima que guarda daquele momento aconteceu justamente na volta anterior.
— Memória eu não tenho nenhuma a partir do acidente e depois do acidente. O que eu lembro é da volta anterior. Eu lembro de alguns flashes de estar sendo atrapalhado no final da minha volta, no último setor, quando eu grudei no carro do Rubinho e perdi tempo nas últimas duas curvas. Mas da volta do acidente, do momento do acidente, eu não tenho nenhum flash — contou Massa ao Lance!.
A partir dali, existe um grande vazio na memória do piloto. As lembranças só voltam dias depois, já no hospital, embora ainda de maneira bastante fragmentada. O acidente deixou Massa com uma fratura no crânio e exigiu uma cirurgia para a colocação de uma placa na região da testa. No entanto, quando acordou, o brasileiro ainda não tinha dimensão exata do que havia acontecido. A vontade inicial era voltar rapidamente para as pistas – o que não foi possível.
— Eu queria já voltar, correr na próxima corrida, e devagarzinho eles foram me explicando que não era possível. Não só minha família, mas também meu engenheiro me explicou que eu não iria estar na próxima corrida, em Valência. Aos poucos, fui entendendo a gravidade da situação e também que precisava fazer uma operação séria para colocar a placa no lugar de todos os ossos que eu tinha perdido na minha testa — relembrou.
Foi por meio da família que Massa começou a entender, de fato, o que havia acontecido. A esposa, a mãe, o pai e o irmão estiveram entre as primeiras pessoas que ajudaram o piloto a reconstruir os acontecimentos. Foi também por eles que ele viu o acidente pela primeira vez.
Hospital militar e comida enviada por restaurante italiano
A recuperação de Massa aconteceu em um hospital militar de Budapeste. O atendimento médico foi fundamental para a recuperação do brasileiro, mas a experiência no local estava longe de ser confortável. A estrutura do hospital era bastante precária, e a família precisou lidar com dificuldades que iam muito além da preocupação com o estado de saúde do piloto. Entre elas estava até a alimentação, já que não havia boas opções disponíveis para os familiares que acompanhavam o brasileiro.
Foi nesse momento que um amigo italiano entrou na história. Dono de um restaurante em Budapeste, ele passou a enviar comida diariamente para a família de Massa durante o período de internação. O calor também tornou aqueles dias ainda mais difíceis. Segundo o piloto, as temperaturas chegaram a cerca de 40°C, enquanto as pessoas que estavam do lado de fora do hospital precisavam enfrentar o forte verão húngaro em meio à tensão provocada pelo acidente.
Apesar de lembrar de algumas situações específicas, Felipe admite que muitas histórias daquele período não estão completamente claras em sua memória. O acidente e os dias seguintes foram marcados por um processo gradual de recuperação, tanto física quanto mental. Aos poucos, o brasileiro foi entendendo a gravidade do que havia acontecido e percebendo que o retorno às pistas não seria imediato.
O acidente que não apagou a carreira de Massa
A batida no Hungaroring encerrou prematuramente a temporada de 2009 para Felipe Massa. O brasileiro precisou passar por cirurgia e por um longo processo de recuperação antes de voltar a competir. Quando finalmente retornou à Fórmula 1, no ano seguinte, carregava no capacete e na carreira as marcas de um dos acidentes mais assustadores da história recente da categoria.
O acidente, no entanto, não foi capaz de encerrar a trajetória do brasileiro na Fórmula 1. Massa voltou à categoria em 2010 e continuou sua história na Ferrari até o fim de 2013, antes de passar pela Williams e se despedir das pistas em 2017. Ao todo, disputou 269 Grandes Prêmios, conquistou 11 vitórias, 16 pole positions e terminou o Mundial de Pilotos de 2008 como vice-campeão.
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O legado de segurança deixado pelo acidente
O acidente de Massa também se tornou parte de uma discussão que mudaria a segurança da Fórmula 1 nos anos seguintes. Em 2018, a categoria passou a utilizar obrigatoriamente o Halo, estrutura criada para proteger a cabeça dos pilotos contra objetos e peças que pudessem atingir o cockpit. Durante o desenvolvimento do dispositivo, a FIA analisou acidentes reais do passado para avaliar sua eficácia — e o caso de Massa, atingido por uma mola que voou de outro carro, estava entre os episódios considerados.
A chegada do Halo foi cercada de críticas no início, principalmente por causa do visual do equipamento. Com o tempo, porém, a proteção passou a ser vista como uma das principais evoluções de segurança da Fórmula 1. O acidente de Massa, ocorrido quase uma década antes da estreia do dispositivo, ajudou a expor de forma dramática um dos riscos que ainda existiam nos monopostos: a possibilidade de um objeto atingir diretamente a cabeça do piloto.

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