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Análise: o que esperar de Rafa Câmara ao lado da Haas na F1 em 2027

Brasileiro pode ainda protagonizar duelo inédito com compatriota Gabriel Bortoleto

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
15/10/2026 13:18
Com o dedo indicador direito estendido, Rafael Câmara posa para foto após vitória no Grande Prêmio da Bélgica da Fórmula 2
Rafael Câmara venceu duas etapas da Fórmula 2 em 2026 (Foto: Reprodução/Instagram @formula2)

Rafa Câmara vai chegar à Fórmula 1 em 2027 em uma equipe que não costuma aparecer nas primeiras posições, mas que pode oferecer exatamente o que um estreante precisa para começar a construir sua carreira. A Haas não é uma candidata natural a vitórias ou pódios, mas também não é um projeto sem ambição. O grande ponto de interrogação, portanto, não está apenas no brasileiro: está em saber até onde o carro será capaz de levá-lo.

➡️ Rafa Câmara conquista feito inédito antes mesmo de estrear na F1

Em 2026, a Haas ocupa a sétima colocação no Mundial de Construtores, com 30 pontos. Oliver Bearman é responsável pela maior parte dessa pontuação e já mostrou que a equipe consegue, em determinadas circunstâncias, colocar um jovem piloto na briga por resultados relevantes. O britânico chegou ao quinto lugar no GP da China, por exemplo.

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Esse é o primeiro ponto que precisa ser levado em consideração quando se pensa no futuro de Câmara. Não dá para exigir que o brasileiro chegue à Fórmula 1 brigando por vitórias. Se a Haas repetir em 2027 o desempenho apresentado neste ano, o cenário mais provável será uma disputa constante pelo meio do pelotão, onde encontrará Gabriel Bortoleto.

Mas vale destacar que isso não significa necessariamente uma estreia apagada.

O primeiro objetivo será superar Bearman

O primeiro adversário de Rafa não será Max Verstappen, Kimi Antonelli ou Lewis Hamilton. Será Oliver Bearman. Os dois chegam à Haas com uma ligação importante: ambos fazem parte da Academia da Ferrari e percorreram caminhos semelhantes nas categorias de base. Bearman já tem uma temporada completa de Fórmula 1 de experiência, enquanto Câmara chega como líder da Fórmula 2 e campeão da Fórmula 3 de 2025.

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Por isso, a comparação entre os dois será fundamental.

Rafael não precisa terminar 2027 com uma coleção de pódios para provar que fez uma boa temporada. Se conseguir se aproximar de Bearman em classificação, entender rapidamente os pneus e transformar boas voltas em resultados de corrida, já terá construído uma base importante. E existe um detalhe que joga a favor do brasileiro: a Haas já sabe como ele trabalha.

Antes da confirmação para 2027, Câmara participou de um teste com o VF-25 em Portimão. Segundo Ayao Komatsu, o piloto mostrou mais do que velocidade pura: conseguiu se adaptar rapidamente ao carro e criou um ambiente de trabalho que permitiu extrair seu desempenho. Inclusive, ele chegou a superar a "volta de referência" de Bearman em uma das oportunidades.

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Isso ajuda a explicar por que a Haas escolheu justamente o brasileiro.

Oliver Bearman no GP do Japão pela F1 2026 (Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)
Oliver Bearman no GP do Japão pela F1 2026 (Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

Dá para pontuar?

Essa talvez seja a pergunta mais importante para quem vai acompanhar o Rafa em 2027. A resposta simples é: sim, mas não dá para transformar pontuação em obrigação semanal.

Se a Haas continuar no meio do pelotão, Câmara terá chances de pontuar em circuitos que favoreçam o carro, em corridas com Safety Car, chuva, estratégias diferentes ou simplesmente quando conseguir superar adversários de equipes mais fortes.

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O mais importante será observar como esses pontos aparecem. Um décimo lugar conquistado depois de uma corrida consistente pode dizer mais sobre a evolução do piloto do que um quinto lugar em uma prova completamente caótica. Da mesma forma, uma classificação no Q3 pode ser mais relevante para avaliar a velocidade pura do brasileiro do que uma pontuação obtida por uma combinação de abandonos.

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E aí entra Bortoleto

Existe ainda um ingrediente que pode deixar 2027 especialmente interessante para o Brasil. Gabriel Bortoleto seguirá na Audi, enquanto Rafa Câmara fará sua estreia pela Haas. Será a primeira vez desde 2016 que o Brasil terá dois pilotos simultaneamente no grid da Fórmula 1.

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Mas, afinal, Haas e Audi estarão próximas o suficiente para que eles briguem pelas mesmas posições? Se a próxima temporada seguir as mesmas "métricas" da atual, sim.

Se estiverem, teremos um duelo brasileiro dentro do meio do pelotão. E esse confronto pode ser particularmente interessante porque os dois chegarão a esse momento em estágios diferentes, mas são amigos de longa data. Embora Bortoleto tenha sua terceira temporada na F1 e Câmara esteja começando a primeira, os brasileiros se enfrentam desde os karts.

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Ainda assim, é inegável que o brasileiro da Audi terá a vantagem da experiência, enquanto Rafa terá a oportunidade de mostrar que sua velocidade nas categorias de base pode se traduzir rapidamente para a Fórmula 1.

E a Ferrari nessa história?

Aqui está a parte mais interessante – e também a que exige mais cuidado. Câmara é integrante da "Ferrari Driver Academy" desde 2021/2022 e sua chegada à F1 acontece justamente pela Haas, que utiliza unidades de potência Ferrari. A relação entre as duas estruturas já foi importante para outros jovens, como o próprio Bearman.

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Então, sim: a Ferrari está no horizonte. Mas, não, eu não trataria a Haas como uma simples "escada para a Ferrari". Isso seria simplificar demais o projeto, e o Rafa já garantiu que o foco será se desenvolver na Fórmula 1 ao lado da equipe norte-americana.

E o próprio Bearman é um bom exemplo. O jovem britânico continua com o objetivo de chegar à Ferrari, mas reconheceu que precisa construir sua carreira na Haas antes de pensar em uma promoção.

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Ou seja: não é a Ferrari que precisa acontecer para a Haas valer a pena. É o desempenho na Haas que pode criar uma futura oportunidade na Ferrari.

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