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CPI da Manipulação de Resultados encaminha sua linha de ação; presidente da CBF, dirigentes e jogadores serão chamados para depor

Integrantes do MP-GO e da Polícia que estão investigando a operação e jogadores denunciados serão convocados

PorLance!•Brasília (DF)
18/05/2023 18:56
•Atualizado em 18/05/2023 21:52

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Próxima reunião em torno da CPI acontecerá na terça-feira, dia 23 (Foto: Divulgação)

Os integrantes da CPI da Manipulação de Resultados começaram a se mobilizar para investigar no plenário o esquema de fraude em partidas do futebol brasileiro. Após a comissão ter sido instalada na Câmara dos Deputados na quarta-feira (17), o presidente, os vice-presidentes, a consultoria e a relatoria definiram que terão como pontapé inicial os resultados da Operação Penalidade Máxima.

O LANCE! apurou que, entre os requerimentos, a Comissão requer todo o acervo documental de jurídico do MP-GO em relação à investigação. O promotor do MP, Fernando Cesconetto, também será chamado para falar das ações da investigação. Também está em pauta a solicitação de uma oitiva com os jogadores de futebol que foram denunciados na fraude nas partidas. Até o momento, há 29 requerimentos. Sete foram solicitados na quarta-feira e outros 19 solicitados na quinta-feira. Os outros três que não subiram passarão pela análise do relator nesta sexta-feira (19).

A lista de requerimentos inclui a convocação de jogadores nominalmente. Os zagueiros Victor Ramos e Paulo Miranda e o lateral Igor Cariús estão entre os próximos chamados. Um dos deputados requer a presença dos oito atletas suspensos preventivamente por 30 dias pelo STJD em virtude da investigação.

Os apontados como aliciadores e financiadores denunciados nas investigações também foram chamados para prestar esclarecimentos à Comissão.

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, foi convocado para prestar informações à CPI. Mandatário do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, também será chamado para dar seu depoimento. Para a Comissão, o dirigente é chamado como testemunha e terá de falar sobre as ações que antecederam as denúncias do esquema de apostas esportivas ao Ministério Público de Goiás (MP-GO).

André Rizek também consta entre os que serão chamados para ser ouvidos. O jornalista e apresentador será chamado para falar das semelhanças entre a Máfia do Apito de 2005 e o atual esquema de apostas.

André Gelfi, diretor-presidente do Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, também será designado para prestar informações à Comissão.

O próximo encontro da comissão acontecerá na próxima semana, no dia 23 de maio. Felipe Carreras é relator e autor do requerimento para a abertura da comissão que terá como presidente o deputado Júlio Arcoverde (PP-PI). André Figueiredo (PDT-CE), Daniel Agrobom (PL-GO) e Ricardo Silva (PSD-SP) foram designados vice-presidentes.

A previsão é de que os depoimentos durem 120 dias. Ao final, será elaborado relatório com as conclusões da CPI ao Ministério Público ou à Advocacia-Geral da União, com objetivo de que promovam a responsabilidade civil e criminal dos infratores ou haja adoção de outras medidas legais.

ENTENDA O CASO

A investigação sobre suspeita de manipulação de resultados teve início em novembro do ano passado. O mandatário do Vila Nova, Jorge Hugo Bravo, descobriu que jogadores do clube vinham sendo aliciados por um grupo de apostadores antes da partida contra o Sport pela Série B. O dirigente juntou provas da tentativa de manipulação e procurou os promotores que combatem o crime organizado no estado.

Oficial da Polícia Militar, Jorge Hugo Bravo descobriu que o atleta Marcos Vinícius Alves Barreira, apelidado de Romário, tinha sido aliciado. Como o jogador não foi escalado, tentou induzir algum companheiro de time a levar um cartão vermelho ou cometer um pênalti no seu lugar. O valor combinado, segundo depoimento de Romário, era de R$ 150 mil, com uma "entrada" de R$ 10 mil, conforme vídeo de seu depoimento divulgado no programa dominical "Fantástico", da Rede Globo. Entre os vídeos, há ameaças de um integrante do esquema ao zagueiro Eduardo Bauermann, do Santos.

A investigação apontou que houve manipulações em jogos das Séries A e B do Brasileirão de 2022 e em partidas de Estaduais. O grupo pagava para que jogadores fizessem determinadas ações, como receber cartões amarelo e vermelho ou cometer pênaltis. Em paralelo, os integrantes apostavam em sites do ramo que esses lances ocorreriam durante os jogos e conseguiam lucros.

Há estimativas de que o grupo "investiu" R$ 8430,00 e somou ganhos de R$ 730.616,00. O MP-GO continuará a apurar o caso e não descarta que ocorreram manipulações de resultados em outros jogos de futebol. A Operação Penalidade Máxima está em sua segunda fase.

*Atualizado às 18h56

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