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Ganso, Xerém e mais: efetivação de Marcão vai muito além de 'efeito anímico'

Treinador justifica contra o Remo aposta da diretoria em sua continuidade

PorPedro WerneckRio de Janeiro (RJ)
23/08/2026 06:00
Hulk cobra falta para o Fluminense, enquanto Ganso fica como opção atrás
Hulk e Ganso em ação contra o Remo; veteranos tiveram papel essencial na vitória do Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense F.C.)

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Marcão foi efetivado como técnico do Fluminense após a vitória por 2 a 1 sobre o Remo, de virada, neste sábado (22), pelo Brasileirão. Antes, o treinador também comandou o Tricolor no triunfo diante do líder Palmeiras e na classificação emocionante sobre o Independiente Rivadavia na Libertadores. O terceiro resultado positivo ressalta os méritos do profissional, reconhecidos pela diretoria, que vão muito além do "fator anímico".

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Ganso, Hulk e ajustes táticos

Como auxiliar permanente, Marcão faz parte da trajetória de anos do Fluminense em busca da afirmação de uma identidade de futebol propositiva, que teve seu ápice nas mãos de Fernando Diniz entre 2022 e 2023. Agora treinador principal, com mais tempo para trabalhar e sem a pressão de saber que deixará o posto a qualquer momento, o comandante poderá mostrar as suas ideias. De cara, fica evidente o desejo de dar continuidade ao DNA ofensivo.

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— (Eu penso) um Fluminense que joga futebol. Acho que foi construída uma equipe para isso. Não posso sentar aqui agora e falar: "Vou tentar fazer um time de transição". Acho que, pelas características dos jogadores que a gente tem, é esperado um jogo apoiado, um time que joga futebol, um time alegre, leve e organizado. E acho que é isso que a gente enxerga da nossa equipe: tentar tirar o máximo deles, do que a gente imagina desse jogo, para realmente dar uma identidade à nossa equipe — falou após o anúncio da permanência.

Marcão conversa com a imprensa após efetivação como técnico do Fluminense
Marcão conversa com a imprensa após efetivação como técnico do Fluminense (Foto: Marcelo Gonçalves / FFC)

Por mais que compartilhasse conceitos comuns com seus antecessores, dos quais foi fiel escudeiro, o novo técnico certamente também tinha divergências, que começam a aparecer. Pouco protagonista no Fluminense de Luis Zubeldía, Ganso voltou a ser o maestro tricolor sob orientação de Marcão.

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— Eu tive um relacionamento muito próximo com o Zubeldía. A comissão dele deixava a gente muito à vontade para expressar o que achava, a experiência foi muito boa. É lógico que, em algum momento, há uma discordância, é normal. Ele é o treinador. Mas a gente precisa ter alguma coisa que é nossa. A gente já estava fazendo uma leitura em relação ao Ganso. Era um momento em que a gente não podia tanto "trocar socos" com os adversários. Acho que o Paulo dá um pouco de controle para a gente, organização. É um jogo mais cadenciado, e, nesse momento, nossa equipe precisava de um jogo mais cadenciado para se organizar tanto ofensivamente quanto defensivamente — explicou.

Ganso em ação contra o Remo no Maracanã
Ganso em ação contra o Remo no Maracanã; jogador permanceu os 90 minutos e acréscimos em campo (Foto: Dhavid Normando / Código 19 / Folhapress)

Na partida contra o Remo, Ganso repetiu o bom desempenho dos jogos anteriores. O armador clareava o jogo sempre que tocava na bola, naquele estilo já conhecido, e recuava ao lado dos volantes Martinelli e Hércules para sair jogando. Mas o impressionante é que ele também teve ótima participação defensiva, com cinco recuperações de bola, a maioria gerando contra-ataques de perigo.

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O posicionamento de Paulo Henrique impactou positivamente em outra peça que estava devendo recentemente: Hulk. E não apenas pelo gol de empate. O veterano não é um 9 de origem e gosta de sair da área. Por vezes, ao atuar à frente de um camisa 10 vertical como Lucho Acosta ou Savarino, é obrigado a ficar mais preso entre os zagueiros adversários. Contra o Remo, com Ganso mais recuado, o centroavante pôde sair da área para virar armador e servir aos pontas, Canobbio (Serna) e Soteldo, o jogador mais buscado pelo time tricolor na partida.

— A gente sabe que o Hulk já jogou pelo lado, já jogou como segundo atacante. Teve um momento do jogo em que eu cheguei a pensar também em colocar um segundo homem ali, mas conseguimos fazer o gol e mantivemos. O Hulk tem evoluído. É lógico que é uma característica dele sair um pouquinho. Inclusive, eu disse para ele nesse jogo que poderia sair um pouco mais para carimbar essa bola, porque os zagueiros dificilmente vão sair. Ele está fazendo isso um pouco melhor, dando espaço para os nossos extremos penetrarem — analisou Marcão.

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Confira exemplo:

Em contra-ataque que começa em roubada de bola de Ganso, Hulk baixa para receber, avança e abre para Soteldo.

Tática de Marcão para Fluminense x Remo, Hulk no contra-ataque

Depois, o próprio Hulk pisa na área e recebe de Soteldo para finalizar com perigo.

Tática de Marcão para Fluminense x Remo, Hulk na área

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Moleques de Xerém e identidade tricolor

Uma das maiores críticas da torcida do Fluminense ao antecessor argentino era o baixo aproveitamento de jogadores da base. Conhecedor da importância histórica dos jogadores revelados no clube, Marcão ganhou pontos ao dar uma oportunidade para Riquelme Felipe contra o Remo. Em sete minutos, o jovem de 19 anos foi decisivo com assistência para o gol da virada.

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— Eles (jovens) já vinham treinando no grupo e sabemos da capacidade. Hoje tiveram oportunidade de entrar (Fidelis e Riquelme) e só fizeram o que já fazem no treinamento. A gente tem dois laterais que vão revezando, mas precisamos do Júlio, com o Guga suspenso e o Samuel lesionado. Ele entrou e correspondeu. Sempre que puder oportunizar, vamos. Riquelme, da mesma forma. Ele treinou bem e vimos que poderíamos utilizá-lo em jogos dessa grandeza. A gente conta com todo mundo, dos meninos de Xerém à rapaziada que está no profissional — disse o treinador.

Serna personifica a "confiança recuperada"

A evolução do Fluminense vai além da injeção de confiança pela troca no comando técnico, mas o efeito anímico não deixa de ser um fator fundamental. E se alguém simboliza bem tal contraste, é o colombiano Kevin Serna. Contra o Palmeiras, entrou e marcou. Diante do Independiente Rivadavia, repetiu o cenário. No duelo com o Remo, mais uma vez.

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Serna celebra com os companheiros o gol da vitória do Fluminense diante do Remo
Serna celebra com os companheiros o gol da vitória do Fluminense diante do Remo (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense F.C.)

Contando apenas Libertadores e Brasileirão, o atacante somava 1.235 minutos e apenas um gol na gestão de Zubeldía em 2026. Desde que Marcão assumiu a equipe, já são três gols em apenas 80 minutos em campo. O estrangeiro parece ter visto a chance de reescrever a sua trajetória na temporada sob novo comando. Em entrevista após o jogo contra o Remo, o lateral-esquerdo Renê comentou a influência da troca de comissão no mental do elenco.

— A gente sabia da pressão nesse jogo (Rivadavia), mas se abraçou ali junto com o Marcão. Claro que, se estivesse o Zubeldía, a gente também teria se abraçado, mas tem hora em que as coisas não acontecem e uma mudança traz um ânimo. Acho que "zerou" o interno. Todo mundo viu a possibilidade de jogar, o que ajuda bastante tanto quem está jogando como quem está fora. E se abraçar nesse momento foi o mais importante. Eu acho que não só pelo Marcão, mas por cada um. Como o Thiago falou, a gente tinha que se abraçar e correr um pelo outro — explicou.

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